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09 Maio 2019

A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um alerta claro e contundente: o planeta se dirige para o colapso climático, sanitário e social. Contudo, também ressaltou a solução (que ainda é possível): reduzir as emissões de gases do efeito estufa (que provocam a mudança climática), diminuir os níveis de consumo, proteger a água e a biodiversidade (entre outras). São algumas das conclusões publicadas em seu relatório Perspectivas do Meio Ambiente Mundial.

A reportagem é de Darío Aranda, publicada por Página/12, 08-05-2019. A tradução é do Cepat.

Em diversos parágrafos, a ONU alerta que, caso não ocorram mudanças drásticas e urgentes, haverá consequências devastadoras. “Estamos provocando a mudança climática e a perda de biodiversidade. Não haverá amanhã para muitas pessoas, a menos que paremos”, afirmou Joyce Msuya, diretora executiva da ONU Meio Ambiente.

A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente é o maior espaço internacional na temática. Reuniu-se em março passado, no Quênia, e lá foi apresentada a pesquisa Perspectivas do Meio Ambiente Mundial 6, uma foto do clima: nove milhões de pessoas morrem por ano pela poluição do ar e da água. Desde 1970, desapareceram 40% das zonas úmidas e houve uma redução de 60% da população mundial de vertebrados.

A partir de 1880, a temperatura mundial aumentou de 0,8 a 1,2 graus centígrados. Na última década, ocorreram oito dos dez anos mais quentes da história. Há uma advertência que a temperatura do Ártico aumentará de 3 a 5 graus centígrados até 2050, situação que “devastará” a região e elevará o nível dos oceanos em todo o mundo. As terras em risco de degradação abarcam 29% das terras do mundo, onde habitam 3,2 bilhões de pessoas.

Um dos lemas do relatório, de 745 páginas, é “planeta sadio, pessoas sadias”. Especifica que 2,3 bilhões de pessoas (uma em cada três habitantes do mundo) não têm acesso a serviços de saneamento adequados. A cada ano, morrem 1,4 milhão de pessoas por doenças evitáveis (como diarreia), associadas à água potável contaminada.

Nas conclusões, a ONU é concreta: “As atividades antropogênicas (humanas) degradaram os ecossistemas da Terra e minaram as bases ecológicas da sociedade”. Esclarece que é necessário “adotar medidas urgentes, em uma escala sem precedentes, para deter e reverter essa situação e assim proteger a saúde humana e ambiental”. Algumas das medidas essenciais são reduzir a degradação da terra, a perda de biodiversidade e a poluição do ar, da terra e das águas; melhorar a gestão da água, mitigar a mudança climática e reduzir a queima de combustíveis fósseis.

A mudança climática é produto do aumento da temperatura pela ação humana e implica mudanças drásticas no meio ambiente (inundações, secas, derretimento de geleiras). A principal causa é a emissão de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2). A queima de combustíveis fósseis (gás, petróleo, carvão) está entre as principais causas.

O relatório da ONU coloca seu eixo na mudança climática, mas não aponta os responsáveis. É que as grandes potências econômicas são as principais culpadas: 76% das emissões provêm dos países do G20, encabeçados por China, Estados Unidos, União Europeia, Índia, Rússia, Japão e Alemanha.

O relatório recorda que a mudança climática tem efeitos diretos e profundos na economia e sociedade, “coloca em risco os meios de subsistência, aumenta a pobreza, a migração e afeta particularmente as populações em situação de vulnerabilidade”.

Uma crítica pela esquerda, que costuma ser feita aos âmbitos diplomáticos da ONU, é que não enfatiza as causas econômicas do desastre ambiental. O relatório dá um passo: “Os padrões atuais de consumo, produção e desigualdade não são sustentáveis”. Em diversos parágrafos menciona os níveis de consumo, sobretudo de países desenvolvidos. Naomi Klein, autora de Esto lo cambia todo, resume a questão de outro modo: “O problema não é a mudança climática, mas, sim, o capitalismo”.

Um argumento comum das empresas do agronegócio (de transgênicos e agrotóxicos) é que são necessários mais alimentos para a crescente população. A Via Campesina (movimento internacional de pequenos produtores e indígenas) refuta tal argumento há décadas: o problema não é a falta de alimentos, mas, sim, sua injusta distribuição. A Organização das Nações Unidas aponta um elemento nesse sentido: 33% dos alimentos do mundo se perdem ou são desperdiçados. E 56% dessas perdas acontecem nos países desenvolvidos.

Nessa mesma semana, a ONU apresentou o relatório Panorama dos recursos globais. Sem mencioná-lo, aponta para o papel do extrativismo. “O rápido aumento da extração de materiais é o principal culpado pela mudança climática e a perda de biodiversidade, um problema que só piorará, a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistêmica do uso de recursos”. Especifica que a extração de recursos naturais triplicou, de 1970 até hoje, e que o uso de combustíveis fósseis aumentou 45%.

Adverte que, caso o mesmo caminho seja mantido, em 2060, as emissões de gases do efeito estufa poderão aumentar 43%. “Francamente, não haverá amanhã para muitas pessoas, a menos que paremos”, alertou Joyce Msuya, diretora executiva da ONU Meio Ambiente.

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