Soberania e nacionalismo, os inimigos segundo Francisco

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Irreverência

    LER MAIS
  • Uma prova do conclave. O próximo papa assumirá o nome da Comunidade de Santo Egídio

    LER MAIS
  • “Eu estou tirando Deus da Bíblia”. Entrevista com Marc-Alain Ouaknin

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

03 Maio 2019

No dia de Salvini-Orban, o Papa estabelece os parâmetros ideológicos da nova Europa.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 02-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Francisco sabe que o que os eleitores decidirem nas próximas eleições europeias trará enormes consequências sociais, culturais e espirituais para o mundo inteiro (a ponto de temer um possível risco de holocausto nuclear). Por isso, na sessão plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, presidida por Stefano Zamagni (que durante três dias se reuniu para discutir os conceitos de Estado, Nação e Estado-Nação), ele voltou a abordar a questão do soberanismo e do populismo.

Seu discurso ocorre no mesmo dia em que Matteo Salvini voa para a Hungria para encontrar-se com Orban para definir os perfis da "Nova Europa". Enquanto isso, nos Estados Unidos, foi disparado o enésimo ataque (através dos mesmos sites católicos conservadores) contra Francisco acusado de "crime" de heresia. Apenas vinte personalidades, no momento, religiosos e professores não de primeiro escalão. A eles, porém, se somou também o líder da editora católica "Ignatius Press", padre Joseph Fessio, jesuíta, que publica nos Estados Unidos todos os textos de Joseph Ratzinger ("Open Letter to the Bishops of the Catholic Church”). Se existem duas pessoas certas da importância estratégica do voto na Europa, elas são o ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon e o Papa.

Francisco sobre a Europa tem sido muito claro: "Espera-se que não se perca na Europa, a consciência dos benefícios trazidos por esse caminho de aproximação e harmonia entre os povos, realizado no segundo pós-guerra”.

E sobre o populismo, igualmente: "A Igreja sempre incentivou o amor de seu povo, da pátria, o respeito pelo tesouro das várias expressões culturais, pelos hábitos e costumes e pelos modos justos de viver enraizados nos povos. Ao mesmo tempo, a Igreja advertiu as pessoas, os povos e os governos sobre os desvios desse apego quando se direciona à exclusão e ódio dos outros, quando se transforma em nacionalismo de conflito que levanta muros, aliás, até mesmo racismo e antissemitismo".

Com um aviso para não repetir as tragédias do século passado: "A história nos mostrou onde conduzem desvios similares".

O ponto é este, de fato: "A Igreja observa com preocupação o ressurgimento, em quase toda parte do mundo, de correntes agressivas em relação aos estrangeiros, especialmente os imigrantes, bem como aquele crescente nacionalismo que negligencia o bem comum. Assim, há o risco de comprometer formas já consolidadas de cooperação internacional, são minados os objetivos das organizações internacionais como espaço de diálogo e encontro para todos os países em um plano de respeito mútuo e se compromete a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aprovados por unanimidade na Assembleia Geral das Nações Unidas em 25 de setembro de 2015".

Infelizmente, "os grupos de interesse enfraquecem o multilateralismo", porque interesses econômicos hegemônicos se impõem e criam tensões entre os estados.

Francisco assume a definição de povo de São Tomás ("Como o Sena não é um rio determinado pela água que flui nele, mas pela origem e por um percurso precisos, pelos quais é considerado sempre o mesmo rio, embora a água que corre seja diferente, assim um povo é o mesmo não pela identidade de uma alma ou dos homens, mas pela identidade do território, ou mais ainda, das leis e do modo de viver"), visto que "a questão da migração é uma característica permanente da história humana", e "todas as nações são fruto da integração de sucessivas ondas de pessoas ou de grupos de migrantes e tendem a ser imagens da diversidade da humanidade, mesmo sendo unidas por valores, recursos culturais comuns e costumes saudáveis”.

Um estado que despertasse os sentimentos nacionalistas do próprio povo contra outras nações ou grupos de pessoas falharia em sua missão. "O Estado nacional não pode ser considerado como um absoluto, como uma ilha".

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Soberania e nacionalismo, os inimigos segundo Francisco - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV