Dois meses depois de Brumadinho, uma outra barragem pode romper

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26 Março 2019

Ontem fez dois meses que a barragem da Vale em Brumadinho rompeu. Até agora, foram confirmadas 212 mortes, e 93 pessoas estão desaparecidas. Parentes e amigos das vítimas protestaram na entrada da cidade.

A informação é publicada por Outra Saúde, 26-03-2019.

"Só na minha rua foram quase 20 casas embora. Tem água na torneira, mas a gente não pode beber, meus filhos não podem pegar uma fruta no quintal por causa de contaminação. Minhas coisas estão embaladas desde antes do carnaval para eu fazer a mudança e, até hoje, nada", afirmou um morador à jornalista Beatriz Ramos, do Repórter Brasil Atual.

A população sofre com doenças físicas e mentais. Há problemas de pele, animais morrendo, a água potável não está sendo oferecida a todos, segundo o Saúde Popular.

A Vale está com R$ 13,6 bilhões bloqueados, tanto para reparar os danos como para pagar pelos prejuízos nas evacuações de outras cidades que estão sob risco.

E em Barão de Cocais, também mineira, há uma barragem da Vale em risco iminente de rompimento desde a última sexta-feira – o risco vem aumentando desde fevereiro. Um grupo de moradores está fazendo vigília à noite, e tem gente deixando o carro pronto na garagem, com documentos e lembranças de família, para tentar fugir a qualquer momento. "Fiz um vídeo. Gravei tudo na minha casa. Até as plantas. Ao vê-lo depois, se eu tiver mesmo que ir embora, vou lembrar da vida que tive e arrancaram de mim", disse uma mulher ao Estadão. O MP requereu que a Vale se responsabilize pelo abrigamento de todos, e que realize auditoria técnica para garantir a segurança de várias outras estruturas.

Esta semana vai haver treinamento para rota de fuga por lá. Já em Congonhas, onde uma barragem da CSN tem a mais alta classificação de risco, o MP já pediu a remoção preventiva.

O economista e sociólogo Carlos Vainer destaca, em entrevista ao blog do CEE-Fiocruz, que evidentemente não existe barragem sem risco. "Não se deve perguntar apenas como prevenir os riscos. Um cálculo minimamente racional pode sugerir que a decisão mais adequada é não construir. Essa é a única barragem segura, aquela que não foi construída", diz.

Quarenta meses

É complicada a vida dos municípios onde a Vale se instalou – e dominou a economia. Quarenta meses após o desastre em Mariana, o prefeito da cidade decretou ontem estado de calamidade financeira. Segundo ele, a arrecadação mensal está em R$ 12,7 milhões, contra os R$ 30 milhões mensais de 2014, quando a Vale e a Samarco ainda atuavam. Após a tragédia de 2015, a Samarco está com suas atividades paralisadas, e na semana passada a Mina da Alegria, da Vale, foi paralisada também. A prefeitura deve perder R$ 92 milhões este ano. Para tentar compensar, está com duas ações contra a Vale.

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