"Em Brumadinho e Mariana não foram acidentes, mas crimes ambientais e homicídios coletivos", constata D. Joaquim Mol Guimarães

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10 Fevereiro 2019

"Não foi um acidente em Minas Gerais. Foi um crime ambiental e um homicídio coletivo". Esta é a acusação de D. Joaquim Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte e reitor da Pontifícia Universidade de Minas Gerais, em um artigo enviado à Agência Fides. O prelado se refere ao rompimento da barragem de resíduos da planta de mineração de Brumadinho, da multinacional brasileira Vale, ocorrida em 25 de janeiro. A tragédia causou 150 mortes e 182 pessoas ainda estão desaparecidas.

As riquezas generosamente dadas pelo Criador ao estado de Minas Gerais se tornaram, segundo D. Mol, a sua perdição. "Minas está vendo uma rápida dizimação de seus rios, lagos, terras cultiváveis, comunidades e culturas. Crimes são cometidos contra a vida humana, contra o meio ambiente e contra o direito de viver em comunidade e em família", garante o Bispo. Em seu artigo intitulado "As empresas de mineração culpadas de crimes contra a humanidade", lembrando a mensagem da Laudato Si’, ressalta: "o que foi deixado como legado ao homem para que prospere, tenha uma vida plena e possa transmiti-la às gerações futuras, é destruído pouco tempo pela ação, irrefreavelmente especulativa e criminosa, das mineradoras".

Na busca de um lucro "exorbitante", "único critério" de suas ações, e "poucas vantagens para a sociedade", as empresas do setor "optam conscientemente", de acordo com o bispo, "por modelos extrativistas nocivos para o ambiente e para a vida humana" concentrando cada vez mais nas mãos de poucas pessoas riquezas sempre maiores, deixando os trabalhadores na pobreza "por toda a sua existência" e expondo-os a risco de vida.

"A mineração em nosso país tornou-se eticamente insustentável", escreve D. Mol. Existe uma regulação fraca do setor por parte do poder legislativo e uma justiça "condescendente", distante do povo brasileiro. Foi assim em Brumadinho e na tragédia semelhante de Mariana (2015), ainda à espera da justiça. Para o bispo não se trata de "acidentes", mas de "crimes ambientais", de "homicídios coletivos" que, além de matar a natureza, as pessoas e os animais, "quase mataram a esperança, a fé, a dignidade e o amor dos sobreviventes".

Todos os responsáveis devem ser severamente punidos. "Não podemos permitir que as coisas continuem assim", adverte. D. Mol, que conclama pessoas, organizações e instituições para "se levantarem contra este modelo de negócio inadmissível" profundamente injusto e que representa, parafraseando o Papa Francisco, "uma economia que mata". "Precisamos como nunca antes - disse o bispo – de um debate que una a todos" na busca de respostas para o desafio ambiental, que "apele ao respeito e tenha um impacto sobre todos nós".

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