"O Sínodo é um momento para amazonizar o coração romano da Igreja", afirma Fernando López

Revista ihu on-line

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Mais Lidos

  • III Jornada Mundial dos Pobres: o papa almoçará com 1500 convidados

    LER MAIS
  • “O Papa não é liberal, é radical”, afirma cardeal Kasper

    LER MAIS
  • III Dia Mundial dos Pobres. A Centralidade dos Pobres na Igreja e na Sociedade

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

25 Março 2019

A Amazônia é uma região que gera muita esperança, mas ao mesmo tempo apresenta grandes desafios. Muitos desses problemas estão presentes em muitos cantos da região e podemos dizer que eles aumentam nas fronteiras. A Igreja Católica está presente em muitas destas situações, superando as fronteiras com um trabalho comum, tentando colocar em prática aquilo que o Papa Francisco disse em um dos discursos em Puerto Maldonado, "onde há mãe, família e comunidade, pode não desaparecer os problemas, mas com certeza vai se encontrar a força para enfrentá-los de uma maneira diferente ".

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Esta atitude comunitária está cada vez mais presente na Amazônia, sendo a REPAM - Rede Eclesial Pan-eclesial, um instrumento que ajudou a conscientizar a respeito. Isso se concretiza em ações específicas, como o trabalho trans-fronteiriço, onde vão se dando passos que ajudam a estar cientes e enfrentar o que dá nome ao que o próprio Francisco disse aos povos indígenas em Puerto Maldonado, "provavelmente os povos amazônicos originários nunca foram tão ameaçados em seus territórios como são agora".

 (Fotos: Luis Miguel Modino)

As Igrejas do Vicariato de Pando, na Bolívia, o Vicariato de Puerto Maldonado, no Peru, e da Diocese de Rio Branco, Brasil, reuniram-se em 20 e 21 de março, em uma tentativa de avançar nessa direção. Na verdade, esta é uma história que começou em 2005, quando essas três igrejas se encontraram pela primeira vez. O encontro mostrou que a pressão dos interesses econômicos está aumentando, o que nessa tríplice fronteira se concretiza na exploração madeireira e minera, tanto legal quanto ilegal.

De fato, nos países da Pan-Amazônia, os governos, independentemente de serem de esquerda ou de direita, têm colocado o interesse econômico acima da defesa do território, dos povos e do meio ambiente, incentivando, ou pelo menos olhando para o outro lado, diante deste tipo de atividades. Isso causa consequências negativas para a vida dos povos, como reconhecem os povos indígenas presentes, pois tem os efeitos imediatos da falta de caça e pesca, o que dificulta a vida cotidiana.

 

Os problemas na região, especialmente no lado peruano, aumentaram desde a construção da chamada Rodovia Interoceânica, que é o caminho de comunicação mais ao norte da América do Sul que liga o Atlântico ao Pacífico, o que aumenta a importância estratégica desde o ponto de vista econômico. Um exemplo concreto é que, até dez anos atrás, ir de Cusco a Puerto Maldonado significava um mês de viagem e hoje leva menos de oito horas.

Isso causou grandes mudanças sociais no Vicariato de Puerto Maldonado, onde a chegada de migrantes de outras regiões do Peru é algo antigo, mas nos últimos anos, motivado pela febre do ouro, do gás e da madeira, é algo que aumentou exponencialmente. Isso teve um impacto ambiental e social, causando rupturas familiares, divisão entre comunidades, enfraquecimento do movimento indígena, tráfico de pessoas, entre outros problemas.

 

É um lugar de dinheiro fácil, rápido e abundante, que não se traduz em bem-estar social, melhor saúde e educação, como reconhecido pelo Dom David Martinez de Aguirre Guinea, Bispo do Vicariato presente na reunião. O bispo assinalou que só em 2018, no Vicariato, foram desmatados onze mil hectares e que recentemente o governo peruano expulsou trinta e cinco mil pessoas relacionadas à mineração ilegal em uma região conhecida como La Pampa.

São problemas que são reproduzidos no lado boliviano e brasileiro. Na Bolívia, o próprio governo não respeita os parques nacionais, em busca de gás e madeira. No Brasil, a pressão do agronegócio sobre povos indígenas e tradicionais é uma constante no estado do Acre, situação que se repete em muitos lugares da Amazônia.

Alguns passos concretos foram dados, como o trabalho de atenção e apoio aos migrantes, a produção agroecológica, o cuidado das florestas. Isso mostra que, em uma região onde as pessoas vivem juntas, mesmo se eles estão em ambos os lados da fronteira, se a Igreja quer servir essas pessoas têm de caminhar juntos, superando as fronteiras nacionais e eclesiásticas, porque tudo está interligado.

Este é um sentimento que tem sido favorecido pelo Sínodo para a Amazônia, que gerou um novo processo tanto dentro da região quanto em escala global. A este respeito, o Sínodo é "tempo para amazonizar o coração romano da Igreja", segundo o jesuíta Fernando López, membro da Equipe Itinerante, acrescentando que é "tempo para a Igreja e para o mundo descobrir que a Amazônia é outra coisa", de aumentar a consciência, de mudar os paradigmas globais.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

"O Sínodo é um momento para amazonizar o coração romano da Igreja", afirma Fernando López - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV