Neopelagianismo, um caminho que deve ser evitado

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25 Março 2019

"Todos nós somos chamados a construir o Reino e como tal precisamos ter em mente que este projeto não é sinônimo de combate a moinhos de vento, tal como os defensores do Neopelagianismo do alto do seu saudosismo revisionista nos querem fazer pensar. Tal construção é um projeto efetivo e nos faz irmãos de caminhada", escreve Fábio Pereira Feitosa, historiador e especialista em Comunicação.

Eis o artigo.

Vivemos em uma sociedade global, marcada pela pluralidade de ideias, de gêneros, de credos religiosos e de classes sociais. Os famosos tempos modernos já não existem mais, ficaram para trás, tal como outras fases históricas. Contudo, na atualidade temos assistido a verdadeiros festivais de revisionismos, que acabam por trazer de volta ideias e conceitos já ultrapassados, e estes tendem a ser acolhidos e adaptados pelos saudosistas revisionistas de plantão. Grande parte deste grupo sente falta de um passado não vivido por eles, apenas recordado por testemunhos de terceiros que de alguma forma se beneficiaram deste ou ainda passaram por ele de forma alienada à realidade até então presente. Todavia, o revisionismo acaba representando um perigo para a existência do homem enquanto ser social. Ao contrário do que muitos pensam, o revisionismo não é algo criado recentemente.

Atualmente verificamos a existência de múltiplos conceitos que passaram, estão passando ou ainda vão passar pelo processo de revisionismo. Neste texto buscaremos analisar o chamado Neopelagianismo. Tal conceito é uma versão adaptada do Pelagianismo, cujo formulador foi Pelágio, monge da Bretanha. Esta vertente de pensamento afirmava que não era necessária a Graça de Deus para a realização de atos de bondade. Por estar embasado neste argumento que vai diretamente contra o Magistério da Igreja, tal linha de pensamento foi condenada e declarada heresia pelo Papa Inocêncio I.

Com o passar do tempo, a concepção criada por Pelágio foi revisionada, surgindo assim o Semipelagianismo. Para os adeptos desta linha de pensamento, a Graça de Deus nos auxilia, porém, somos nós que tomamos a iniciativa. Ambas as correntes acabam não reconhecendo que é a Trindade que toma a iniciativa, inspirando e auxiliando o homem no fazer.
Atualmente, tivemos o surgimento do Neopelagianismo. Como podemos compreender este conceito? Este pode ser visto como uma consequência direta do processo de globalização excludente, no qual acabam coexistindo contradições gritantes entre os que são beneficiados por tal processo e por aqueles que dele são marginalizados.

Assim como seus ancestrais, o Neopelagianismo também está ligado à religião, tendo sido inclusive criticado pelo Papa Francisco no parágrafo 94 da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium, no qual ele afirma:

"Neopelagianismo auto-referencial e prometeuco de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir fiel a um certo estilo católico próprio do passado. É uma suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez evangelizar, se analisar e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar" [1].

Como podemos perceber, o Neopelagianismo é por natureza revisionista e encontra-se alicerçado em supostas seguranças de um “passado de ouro”, porém, visto de perto percebe-se que este possui pés de barro. Embora este conceito esteja ligado à religião, ele possui implicações sociais, considerando que os adeptos deste pensamento apresentam, como visto anteriormente, uma ideia de um passado ideal, que muitas vezes acaba não condizendo com a realidade, todavia os defensores desta linha acabam desenvolvendo e proliferando a descrença no processo da contínua evolução do ser humano, o que desencadeia a inércia na busca de uma sociedade mais justa e fraterna, já que esta não faz parte do status quo defendido por eles.

O Neopelagianismo é um caminho que deve ser evitado. Todos nós somos chamados a construir o Reino e como tal precisamos ter em mente que este projeto não é sinônimo de combate a moinhos de vento, tal como os defensores do Neopelagianismo do alto do seu saudosismo revisionista nos querem fazer pensar. Tal construção é um projeto efetivo e nos faz irmãos de caminhada.

Referência:

[1] Francisco, Exortação apostólica Evangelii Guadium, 2013, p.60.

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