O que católicos e os batistas do sul dos EUA podem aprender uns com os outros sobre a crise de abuso sexual

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19 Fevereiro 2019

"Embora as igrejas batista e católica estejam no olho do furacão, espero que um dia consigam se unir por uma solução para essa crise, e não pelo problema", escreve Thomas Reese SJ, padre jesuíta norte-americano e ex-editor-chefe da revista America, em artigo publicado por Religion News Service, 16-02-2019.  A tradução é de Luísa Flores Somavilla

Eis o artigo. 

Dezessete anos depois de o Boston Globe ter divulgado casos de abuso sexual na Igreja Católica, dois jornais do Texas publicaram matérias semelhantes sobre igrejas batistas do sul dos EUA.

Embora o National Catholic Reporter tenha relatado casos de abuso sexual cometidos por sacerdotes desde meados dos anos 80, foi a reportagem do Boston Globe que chamou a atenção da nação, em 2002. Da mesma forma, já foram feitas reportagens sobre ministros batistas, mas não chamaram a atenção nacional como a cobertura desse mês do Houston Chronicle e do San Antonio Express-News.

O fato de haver abuso sexual na Convenção Batista não nos deixa felizes, mas permite que nós, católicos, coloquemos à prova nossas teorias.

O escândalo da Igreja Batista nos mostra que pelo menos cinco explicações da crise de abuso sexual na Igreja Católica não se sustentam:

1. Não tem que ver com o celibato. Muitos críticos liberais tentaram culpar o voto de castidade dos padres católicos pelos casos de abuso. No entanto, a Igreja Batista está passando pelo mesmo problema, e seus pastores não precisam fazer esse voto. A maioria dos abusadores da Igreja Batista são homens casados. Há boas razões para haver padres casados na Igreja Católica, mas o casamento não impede que alguém cometa abusos.

2. Não tem que ver com homossexualidade. Muitos críticos conservadores tentaram culpar os padres homossexuais pelos casos de abuso sexual da Igreja Católica. No entanto, a maioria dos ministros batistas acusados de cometer abuso é heterossexual, bem como grande parte dos padres que abusam de meninos, de acordo com estudos.

3. Não se trata apenas da hierarquia. Muitas pessoas, inclusive eu, foram muito duras com os bispos católicos por não resolverem a questão dos padres abusadores. Mas a Igreja Batista é muito descentralizada, e também teve problemas. Nenhuma das duas estruturas administrativas conseguiu resolver a questão nem proteger as crianças.

4. Não se tratam das reformas liberais do Concílio Vaticano II. Muitos católicos conservadores tentaram colocar a culpa nas reformas do Concílio Vaticano II, a reunião dos bispos do mundo todo, de 1962 a 1965, que tentou capacitar a Igreja para lidar com o mundo moderno. A Igreja Batista não passou por esse processo, mas está passando pelos mesmos problemas da católica.

5. Não se tratam dos advogados. Muitos padres e bispos culparam os advogados que ficaram ricos ao processar a Igreja Católica em nome das vítimas de abuso. Até agora, eles não tiveram um papel importante na crise da Igreja Batista. Sua parte financeira também é bastante descentralizada. Não há abundância de dinheiro. Há pouco incentivo para um advogado processar uma pequena congregação batista. As vítimas revelaram o que passaram mesmo sem advogados, assim como aconteceu no início da crise da Igreja Católica, antes de a resistência dos bispos forçá-las a contratar advogados.

Igualmente importantes são as lições que os batistas podem aprender com os católicos sobre como lidar com a crise de abuso sexual. Como evitar os erros que os católicos cometeram?

1. Não pense que tudo isso será esquecido. Quando o escândalo estoura, é só o começo, e não acaba facilmente. Mesmo que as reportagens pareçam excessivas, é só a ponta do iceberg. Depois da exposição do Boston Globe, milhares de outras vítimas relataram o que passaram. Elas passam a sentir raiva e se empoderam ao ver outros relatos de abuso. Tudo leva a crer que a cobertura da mídia sobre os casos de abuso nas igrejas batistas deve estimular ainda mais vítimas a relatarem novos casos. Preparem-se.

2. Denunciem todas as acusações de abuso. Não só é pecado, como também é crime. Não pensem que é possível lidar com isso internamente.

3. Adotar e implementar uma política de tolerância zero em relação ao clero abusador. Os cristãos devem saber perdoar, mas isso não significa que os abusadores devam voltar ao ministério. Ninguém tem um direito inato de ser ministro. Ninguém é indispensável. A proteção das crianças é fundamental.

4. Criem um sistema de investigação transparente dos clérigos acusados de terem cometido abuso. Não conheço o suficiente da administração da Igreja Batista para recomendar um método específico, mas deixar para outros clérigos ou membros da congregação do acusado não funciona.

5. Priorizem as vítimas. Em cada discussão, a questão central deve ser como ajudá-las a se curar e se recuperar. Coloquem em primeiro lugar o apoio às vítimas, e não a reputação e as finanças da igreja, a reabilitação do ministro e o possível escândalo.
O abuso sexual não é um problema exclusivo da Igreja Católica. Hoje, já surgiram casos em quase todas as denominações e religiões. Quem acha que a sua tradição religiosa está livre não quer ver os fatos.

Não é apenas um fenômeno religioso, pois já aconteceu em escolas, grupos de escoteiros, grupos de apoio, creches, famílias e muitas outros contextos. De acordo com o centro de apoio a vítimas National Center for Victims of Crimes, uma em cada cinco meninas e um em cada 20 meninos é vítima de abuso sexual. Se fosse sarampo, seria declarada uma epidemia.

Embora as igrejas batista e católica estejam no olho do furacão, espero que um dia consigam se unir por uma solução para essa crise, e não pelo problema.

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