Qual a mensagem do encontro de Francisco com o Sultão?

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15 Janeiro 2019

“Diz o Senhor: ‘Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede pois prudentes como serpentes e simples como pombas’. Se, pois, houver irmãos que quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis, que vão com a licença de seu ministro e servo. Se o ministro reconhecer que eles são idôneos para serem mandados, dê-lhes a licença e não a recuse; pois terá que dar contas ao Senhor, se nisso ou em outras coisas agir sem a devida discrição”.

"E os irmãos que partirem poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis: o primeiro modo consiste em absterem-se de rixas e disputas, submetendo-se ‘a todos os homens por causa do Senhor’ e confessando serem cristãos. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor: que creiam no Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas; no Filho, Redentor e Salvador; e se façam batizar e se tornem cristãos, porquanto ‘quem não nascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino dos céus’".

A reportagem é publicada por Settimana News, 14-01-2019. A tradução é Luisa Rabolini.

Assim lemos na Regra não bulada, “a primeira regra que fez o Beato Francisco e que o Papa Inocêncio III confirmou para ele sem bula", como recitam as fontes Franciscanas, nova edição de 2004 (FF 1). A regra da "vida evangélica" que Francisco de Assis confiou a seus irmãos em 1221 e que dedica os capítulos do XIV ao XVI à modalidade pela qual os irmãos devem agir ao circular por ruas e distritos, uma característica das "ordens mendicantes" medieval em alternativa à stabilitas monástica: o Capítulo XIV "como os irmãos devem ir pelo mundo" (FF 40), Capítulo XV "que os irmãos não criem animais" (41 FF) e Capítulo XVI "os que quiserem ir entre os sarracenos e outros infiéis" (FF 42-45).

Estas são atitudes, testemunhadas em primeira pessoa pelo Padre Francisco, que convidava seus frades a testemunhar o Evangelho pessoal e comunitário.

Um exemplo é a modalidade de se relacionar com os fiéis de outras religiões (hoje se falaria de diálogo inter-religioso, termo então desconhecido), que se reporta a um evento que aconteceu em 1219 no Egito, do qual este ano celebra-se o 8º centenário.

Alguém o descreveu como um dos gestos mais extraordinários de paz na história do diálogo entre o cristianismo e o islamismo: exatamente 800 anos atrás, o encontro entre Francisco de Assis e o Sultão do Egito Malek al-Kamel.

Em plena Quinta Cruzada, em junho de 1219, Francisco, depois de várias tentativas fracassadas, sai com alguns irmãos em um barco de militares e comerciantes e chega ao porto de São João do Acre, no norte da Palestina (atual cidade israelense de Akka) com o objetivo de visitar o sultão do Egito. O encontro aconteceu, provavelmente, na trégua entre agosto e setembro, no porto de Damieta, no delta do Nilo, cerca de 200 km ao norte de Cairo, onde o sobrinho de Saladino, contra a opinião de seus dignitários, acolheu com grande cortesia os frades, oferecendo-lhes também presentes que foram recusados em respeito ao voto de pobreza.

Um aniversário que se torna um apelo para continuar o diálogo com o islã

Se as próprias palavras de Francisco nos oferecem uma indicação clara de suas intenções, não faltaram ao longo dos anos, e hoje em particular, as deformações e manipulações de um evento sobre o qual muito pode ser dito, exceto que tivesse intenções de proselitismo ou de desencadear ou reativar conflitos.

Tal como acontece com todas as fontes cristãs que escreveram sobre Francisco (bem como outros santos), os especialistas alertam sobre a intenção hagiográfica que muitas vezes levou a adicionar detalhes de forma livre, portanto desprovidos de qualquer confirmação histórica. Este é o caso do episódio da ordália, narrado por São Boaventura na Lenda Maior no cap. 9 (FF 1172-1174), em referência ao encontro com o Sultão, onde Francisco teria lhe proposto a prova de fogo para provar a verdadeira fé: letrados e historiadores – liderados por Chiara Frugoni - tendem a excluir a veracidade, por milhares de razões, não última a incongruência com o que foi afirmado por ele mesmo.

Tendo esclarecido qualquer interpretação distante do autêntico espírito franciscano, o que nos pode dizer hoje aquele encontro em uma sociedade que muitas vezes olha para o Islã, especialmente os islâmicos, aqueles que estão até nós, com desconfiança, se não mesmo com aversão?

"Acredito que a maneira mais significativa de comemorar este evento histórico vai ser continuar a cultivar todas essas iniciativas de diálogo, de encontro e de amizade que já estamos cultivando e que vão na direção oposta à cultura do choque de civilizações", respondeu o irmão Francisco Patton, atual Custódio da Terra Santa, em uma recente entrevista para La Stampa, onde ele acrescentou: "Aqui temos a oportunidade de fazer isso na vida de todos os dias, através de encontros de conhecimento reciproco e compartilhamento mútuo que agora estão se tornando regulares tanto com realidades muçulmanas como com realidades judaicas. Para mim, então, o grande ponto de encontro são as nossas escolas na Terra Santa, onde tentamos oferecer também uma educação que cultive o ‘espírito de Damieta’, ou seja, do encontro vivenciado de maneira tão profunda e recíproca por são Francisco e pelo sultão Malek al-Kamel, oito séculos atrás, em plena Quinta Cruzada. Pessoalmente, penso que o ‘sonhador’ Francisco tenha mostrado muito mais visão, senso prático e eficácia de todos aqueles que preferiam o confronto ao diálogo. O resultado está no fato de que, depois de oito séculos, nós franciscanos, ainda estamos na Terra Santa vivos e ativos".

E, sobre o acolhimento daqueles que pertencem a outra religião - como no caso do Islã - estando o frei Patton lotado em Jerusalém, seu discurso se expande, como é natural, também ao judaísmo: "Para mim, o coração de nossa experiência reside no fato de que somos chamados a ousar entrar em relação com as pessoas. Nós não encontramos os "muçulmanos" ou os "judeus", encontramos pessoas que vivem a sua fé muçulmana ou judaica, e hoje em dia até mesmo pessoas que não vivem dentro do horizonte da fé, mas são justamente pessoas com as quais é possível entrar em relação, prosseguir por um trecho da estrada juntos e até mesmo cooperar. Alguns exemplos: a nossa escola de música, que não por acaso é chamada Magnificat e é afiliada ao Conservatório de Vicenza, tem em seu quadro docentes e alunos que são judeus, muçulmanos e cristãos, e a experiência de tocar juntos é uma escola extraordinária de convivência e também de amizade. Entre os nossos colaboradores não há apenas cristãos, mas também judeus e muçulmanos, que colaboram conosco e uns com os outros e fazem isso para uma instituição cristã como a Custódia da Terra Santa."

Quanto ao impacto do encontro de 1219 e de sua atualidade, nós também ouvimos Michael Cusato, franciscano de Washington e professor de estudos franciscanos no Instituto Franciscano da Universidade de St. Bonaventure. Cusato também foi consultor científico para a realização do filme documentário feito em 2016, intitulado Sultan and the Saint, produzido pela Unity Productions Foundation e patrocinado pelos ex-alunos (entre os intérpretes Alexander McPherson). "O filme, através de evocações cinematográficas e entrevistas com renomados especialistas - historiadores, críticos de arte, filósofos e neurocientistas - narra o improvável encontro, durante um terrível período de guerras religiosas, entre dois homens que descobriram um maneira de encontrar a paz", conforme aparece no site da Universidade.

Para começar: o que sabemos sobre aquele evento?

"Embora não existam muitas fontes sobre o encontro e as que existem são na sua maioria hagiográficas (não no sentido estrito, mas usadas para representar a pessoa de Francisco como um santo ou, pelo menos, como uma pessoa santa), o encontro é mencionado em capítulo 20 da Primeira Vita (uma hagiografia) de Francisco, escrita por Tomás de Celano em 1229 (FF 422).

O mesmo episódio foi contada por Henry de Avranches em sua Vida de Francisco (um poema em versos baseado em 1 Celano) e na Vida de Francisco de Julian de Speyer: essas duas fontes foram escritas em meados de 1230 e sempre derivam de 1 Celano.

Mas também temos o testemunho importante de Jacques de Vitry, um renomado religioso que se tornou bispo de Acre (na Terra Santa) e, mais tarde, cardeal da Igreja Católica. Ele estava na Terra Santa, na época do encontro (provavelmente em agosto 1219) e nos fornece um relato (FF 2226-2228), em nada hagiográfico, de Francisco, que atravessa as fronteiras entre os dois campos nas planícies próximas a Damieta e depois do encontro sob a tenda do Sultão Malek al-Kamel.

De Vitry relata ainda uma despedida muito interessante do Sultão que teria dito a Francisco: "Ore para que Deus possa me mostrar o caminho certo a seguir", um pedido realmente inesperado para uma oração por parte de Francisco para ele.

E, finalmente, temos também - na minha opinião - algumas extraordinárias provas indiretas do encontro que estão contidas na Chartula de São Francisco de 1224 (FF 262), em cujo avesso (estou convencido e também escrevi a respeito) elaborou de próprio punho uma oração para invocar a proteção do santo (Irmão Leo, ndr), mas em que também desenha uma espécie de "desenho animado" em que uma figura com traços de muçulmano está "confessando" a cruz de Cristo: quase uma oração que poderia testemunhar que al-Kamel teria confessado o Cristo antes de sua morte (já que logo ele seria atacado novamente pelas milícias vindas do Ocidente)".

Que efeito teve o encontro em sua época?

"Isso é mais difícil de dizer. Por um lado, não foram muitos frades a ter entendido então, ou pelo menos aceitado, a natureza radical da intuição de Francisco, ou seja, que o Sultão e todos os muçulmanos eram realmente seus irmãos e irmãs e que um ulterior derramamento de sangue teria constituído uma violação da sagrada fraternidade humana desejada por Deus para TODAS as suas criaturas. Isso corta pela raiz a crença de que Francisco tivesse algo a ver com as Cruzadas ... É claro que essa era uma posição contracorrente em relação à cultura da época: uma novidade que bem poucos podiam compreender ou, inclusive, imaginar que poderia ser seguida, pois a maioria não tinha a experiência da conversão de Francisco que via cada homem e mulher, mesmo aqueles que eram então considerados "os infiéis", como um irmão ou uma irmã.

Em essência, a visão de Francisco não foi realmente seguida nem mesmo por seus próprios irmãos. Nem, aliás, houve muito seguimento dentro na própria Igreja.

No lado muçulmano, o encontro do Sultão com Francisco deixa apenas um rastro na historiografia: a eles simplesmente não interessa muito. Inclusive aqui são poucos no campo muçulmano a entender o significado do gesto. É completamente inútil procurar qualquer vestígio. Poderíamos encontrar eventualmente os efeitos do encontro no próprio Francisco, lendo seus escritos posteriores, mas não é o caso de insistir nisso...

Em resumo, não podemos dizer que exista uma ligação direta entre o encontro e os eventos que ocorreram sucessivamente. As Cruzadas continuaram como uma iniciativa política papal e os muçulmanos continuaram a combater para garantir a soberania sobre o território no Oriente Médio.

O próprio Sultão, conhecido por seu caráter aberto, relatou em uma crônica local "ter tratado os cruzados capturados em 1222 com grande respeito e cortesia". Isso pode ser lido como um reflexo do respeito recíproco demonstrado por Francisco e al-Kamel durante o encontro; ou poderia simplesmente ser lido como um ato extraordinário de gentileza e cortesia demonstrado por este crente muçulmano aos seus prisioneiros cristãos ...”.

Quais são as reflexões para a atualidade?

“O encontro abre, sem dúvida, novas perspectivas para explorar o espírito de reciprocidade entre crenças e culturas por vezes consideradas antagônicas. Representa um excelente exemplo do que é possível quando procuramos e encontramos o terreno comum da nossa humanidade e da sacralidade da criatura humana criada pelo único Deus que compartilhamos com todos os homens, portanto seus filhos.

O encontro mostra que séculos de colonização e batalhas - que marcaram a relação do Ocidente com o Islã e seus territórios - podem ser reescritos a fim de transformar suas espadas em arados e apertar as mãos em uma amizade enraizada em nossa comum humanidade. E também pode abrir a possibilidade de um diálogo pelo lado muçulmano que muitas vezes parece mostrar bem pouco interesse para diminuir a distância entre estas duas grandes religiões monoteístas, tanto assim que temos apenas um número mínimo de exemplos promissores.

E, na esteira de 11 de setembro, este surgiu como um dos sinais mais claros: que a reconciliação e a convivência ainda são possíveis entre aqueles que estão dispostos a substituir a espada com um aperto de mão".

Fraco o interesse do Islã, mas forte o impacto no lado cristão

Existem várias fontes cristãs que relatam o episódio: além da já mencionada Primeira Vida de Tomás de Celano no cap. 20 (FF 422), as mais hagiográficas, como a Lenda Maior de São Boaventura, cap. 9 (FF 1172-1174), a Lenda menor no cap. 3 (FF 1356) e os Fioretti no cap. 24 (1855 FF). Entre os mais confiáveis, além das Cartas de Jacques de Vitry (2226-2228 FF), a Crônaca de Ernoul (2231-2234).

O exato contrário se verifica no mundo islâmico, onde "nenhum historiador, contemporâneo ou posterior a São Francisco e ao Sultão Malek Al-Kamel, deixou-nos uma descrição completa ou, pelo menos, uma simples menção desse encontro", como relata Bartolomeo Pirone, estudioso de historiografia islâmica e membro do Centro Franciscano de Estudos orientais no Cairo, salientando que também houve alguns mal-entendidos sobre as supostas fontes e testemunhos islâmicos, no entanto desprovidos de qualquer confirmação historiográfica.

No mundo ocidental, no entanto, desde a Idade Média até os dias atuais o evento tem adquirido cada vez mais importância, estimulando a fantasia de poetas, escritores, pintores e, mais recentemente, também o cinema e a música. Não podemos esquecer, de fato, os versos de Dante (100-102) no XI canto do Paraíso (FF 2110) e o afresco atribuído à escola de Giotto que pode ser admirado em todo seu esplendor fruto da recente restauração da Basílica superior de São Francisco em Assis (onde é representada a suposta prova da ordália).

Um dos textos modernos mais significativos o devemos ao compositor Angelo Branduardi que ao evento dedicou uma canção - "O Sultão da Babilônia e a prostituta" - em seu álbum de 2000, todo baseado em textos e episódios franciscanos, intitulado L’infinitamente piccolo).

A mensagem para um autêntico testemunho do Evangelho

Altamente significativo também é o testemunho de outro franciscano, o francês Gwenolé Jeusset ofm, membro da Fraternidade internacional de Istambul para o Diálogo Inter-religioso e ex-presidente da Comissão Internacional franciscana para as relações com os muçulmanos, membro do Comissão do Vaticano para os muçulmanos e ex-responsável da Comissão da conferência episcopal francesa para o diálogo com o Islã (também autor de vários livros sobre o tema, incluindo Francesco e il Sultano, traduzida em 2008 pela Jaca Book).

O frei Jeusset também participou em Assis em 2016 durante o encontro das religiões para a paz sobre o episódio em questão e, muitas vezes, remete em seus discursos para a declaração conciliar Nostra aetate - o documento do Vaticano II sobre as religiões não cristãs - e deve ser lembrado que levou sete séculos antes que Charles de Foucauld redescobrisse esse método de presença e compartilhamento fraterno semeando paz e justiça, uma modalidade testemunhada até a doação da própria vida pelos monges de Tibhirine nas montanhas do Atlas, capturados e mortos por um bando de guerrilheiros islâmicos em 1996 e beatificados em 8 de dezembro passado junto com outros que constituem o grupo dos "mártires da Argélia".

As celebrações do 8º aniversário (que já tiveram um prólogo no Cairo em outubro de 2017, e que seguem em um ano aquelas do 8º centenário da presença dos frades na Terra Santa) serão diversificadas e abrangentes, como observou o frei Francisco Patton, Custódio da Terra Santa, na entrevista acima mencionada: "Acontecerão obviamente celebrações propriamente ditas, acompanhadas por eventos culturais e de estudo, tanto na Itália como aqui em Jerusalém, e no Egito e quase certamente haverá uma exposição dedicada a este evento também no Encontro de Rimini”.

E, inclusive, acrescentou sobre o encontro entre as pessoas de diferente fé: "Se tivermos a coragem de encontrar as pessoas e também de colaborar com as instituições muçulmanas que trabalham no campo da cultura e da educação certamente poderemos contribuir a reduzir entre os próprios muçulmanos formas de interpretação fundamentalista do Alcorão que acabam conduzindo a derivas de tipo terrorista. Quanto ao mundo judeu, é ele próprio um mundo com muitas diferenciações internas. Nestes últimos anos, embarcamos em um caminho de colaboração e amizade com a comunidade judaica de Ain Karem, entre outras. Neste caso também, a cultura é um ponto de encontro muito importante, da mesma forma que a espiritualidade. O conhecimento da história é fundamental para evitar a repetição de erros que, no passado, levaram a verdadeiras tragédias, como o Holocausto no século XX”.

E, quanto ao estilo cristão que também é mostrado pelo encontro de Francisco com o Sultão: "Como franciscano creio que posso dizer que o testemunho eficaz sempre tem uma conotação de ‘minoridade’, ou seja, que entra na vida dos outros na ponta dos pés, sem pretensões, com abertura de coração e disponibilidade. Se não houver esta premissa, as nossas palavras, que também são muito importantes e devem ser um eco da Palavra, vão ressoar no vazio ou como uma tentativa de persuasão que não sabe respeitar a ação do Espírito na consciência do irmão".

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