Cardeal Tagle: Pacto Global para a Migração é uma fonte de esperança

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12 Dezembro 2018

Em um mundo interconectado, migração e outras questões de relevância global nos convocam a trabalhar juntos. Migrantes não vão simplesmente embora se o ignorarmos ou levantarmos muros", diz o cardeal Luis Antonio Tagle, presidente de Caritas Internationalis e arcebispo de Manila, Filipinas, em artigo publicado por La Croix International, 10-12-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

Notícias apontam diariamente para um mundo que está se fragmentando devido ao medo, preconceito e ódio. Parece que esquecemos a Regra de Ouro que está na raiz de muitas de nossas religiões e culturas: "faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você."

Quando vemos refugiados fugindo de guerras ou migrantes chegando em nossos países procurando uma vida melhor, um instinto humano cru nos leva a fecharmos as portas em suas caras, fecharmos os olhos e fecharmos os nossos corações.

Mas se afastarmos o olhar ou cedermos ao medo e ao ódio, perdemos a nossa perspectiva e o cerne daquilo que é ser humano. Mais do que qualquer coisa neste momento da nossa história comum, precisamos de uma perspectiva que forneça uma visão global e uma resposta compassiva aos desafios de nosso tempo.

Nos dias 10 e 11 de dezembro, os governos de todo o mundo discutiram e adotaram o Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular, sob auspícios das Nações Unidas.

O Pacto Global sobre a migração mostra o desejo dos governos de trabalharem juntos numa das questões mais urgentes de nosso tempo.

O Pacto ajudará os governos a aperfeiçoarem a política de migração junto com outras partes interessadas, como organizações da sociedade civil e setores privados, para beneficiar os países que enviam e recebem migrantes.

Ele oferece uma orientação para os governos, abordando questões como as causas da migração, mudanças climáticas e integração dos migrantes.

A adesão ao Pacto é benéfica para os migrantes, pois dá visibilidade a um fenômeno que muitas vezes é tratado apenas como uma emergência. É benéfico para os países, uma vez que os ajuda a desenvolver uma perspectiva de longo prazo e uma resposta a um desafio global.

Aos governos que retiraram o apoio do Pacto sobre a migração (1), apelo que reconsiderem a sua decisão. Num mundo interconectado, questões globais como a mudança climática, a pobreza e a perseguição de minorias étnicas e religiosas nos convidam a trabalhar juntos.

Os imigrantes não vão simplesmente embora se nós os ignorarmos ou levantarmos muros. Quando os governos olham para além de suas necessidades imediatas e demandas eleitorais, começam a proteger e promover o bem comum, que está no coração de qualquer sociedade promissora.

Em um mundo interconectado, migração e outras questões de relevância global nos convocam a trabalhar juntos. Migrantes não vão simplesmente embora se o ignorarmos ou levantarmos muros.

Nosso mundo foi marcado e moldado pela migração desde os primeiros tempos da história, e ela não vai parar ou desaparecer de repente. Exige pensamento profundo, planejamento e cooperação para que os benefícios a longo prazo da migração surjam.

Os migrantes contemporâneos frequentemente fazem as mesmas jornadas de incerteza e esperança que nossos próprios avós fizeram para que nossos pais e nossa geração pudessem ter uma vida melhor.

Uma amnésia coletiva nos faz esquecer de onde nossas próprias famílias vieram originalmente ou como acabamos vivendo onde estamos agora. Algum de nós pode realmente dizer que somos nativos do país em que vivemos? Meu avô materno foi uma criança migrante da China, enviado para as Filipinas por sua pobre mãe.

A Regra de Ouro é um lembrete poderoso para olharmos além de nós mesmos e vermos que nossas vidas, nossos países e nossas histórias estão profundamente entrelaçadas. Organização a nível global é difícil e demanda coragem. Agora é um bom momento para agirmos juntos.

Nossa fé nos ensina que nenhuma pessoa ou país está isento da responsabilidade coletiva de cuidar de nosso mundo comum e de seu povo. Se não agora, quando agiremos?

Espero que as palavras do Papa Francisco ecoem até os governantes ao decidirem sobre este Pacto Global fundamental: "Prezemos para que outros tenham as mesmas possibilidades do que nós. Ajudemos os outros a crescerem, assim como gostaríamos de sermos ajudados. Em poucas palavras, se quisermos segurança, vamos dar segurança; se quisermos vida, vamos dar vida; se quisermos oportunidades, vamos oferecer oportunidades. A mesma medida que usamos para o outro será usada conosco."

A adoção e implementação do Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular será um passo importante para os governos lutarem contra a maré crescente de estigma em torno da migração e para garantir que a dignidade e os direitos humanos sejam mantidos.

Num mundo que se esforça para abraçar a sua identidade globalizada, o Pacto Global será um sinal de cooperação e de unidade que oferecerá esperança de longo prazo ao nosso futuro comum.

Nota de IHU On-Line:

1.- O futuro chanceler Ernesto Araújo, afirmou no dia de ontem, que o governo Bolsonaro, deixará o Pacto Global de Migração. Mais informações veja em 'Leia mais'.

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