Luis Antonio Tagle, "o padre eterno" de Manila

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28 Abril 2016

"Eu, futuro papa? É uma piada dos jornalistas." O cardeal de Manila, Luis Antonio Tagle, arquiva com uma brincadeira os rumores sobre a possibilidade de que, em um amanhã distante, ele possa suceder Bergoglio na cátedra de Roma. No entanto, muitos o definem como "o Papa Francisco da Ásia".

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 26-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ainda durante a Sé Vacante de 2013, depois da renúncia de Bento XVI, o seu nome circulara entre os papáveis do conclave. "Mais do que um Padre Santo seria um Padre eterno", diziam na época os seus adversários, espanando a piada que, em 1958, depois da morte de Pio XII, foi utilizada por alguns cardeais para enterrar a candidatura do jovem arcebispo de Gênova, Giuseppe Siri, na época com apenas 52 anos.

Quem descobriu o teólogo filipino foi Ratzinger, que o apresentou a Wojtyla e o quis, em 1997, na Comissão Teológica Internacional. Em 2001, São João Paulo II o nomeou bispo de Imus, nas Filipinas, e, em 2011, Bento XVI o promoveu a arcebispo de Manila, sua cidade natal. No fim do ano seguinte, poucos meses antes de apresentar a sua renúncia, Ratzinger o nomeou cardeal, e, desde 2015, Tagle também é presidente da Caritas Internationalis.

Foi ele que acolheu Francisco, em janeiro de 2015, na sua viagem a Manila, que entrou para a história como a missa com o maior número de fiéis presentes: nada menos do que sete milhões. "Cada filipino – disse Tagle ao papa no fim daquela celebração – quer ir com o senhor, mas não tenha medo: cada filipino quer ir com o senhor, mas não para Roma: para as periferias". Palavras que comoveram Francisco.

Quem revela a história desse papável à sucessão de Bergoglio é o livro-entrevista Guidare con l’ascolto [Guiar com a escuta], publicado pela Libreria Editrice Vaticana e escrito com a vaticanista estadunidense Cindy Wooden, responsável pelo escritório romano do Catholic News Service.

Aos que lhe perguntam o que ele pensa da revolução do Papa Francisco, o cardeal conta que sempre tem a resposta pronta: "Revolução? Ele convida a Igreja a sair de si mesma. Eu digo: 'Isso não é Papa Francisco, é o Concílio Vaticano II'. O papa está apenas nos fazendo voltar para a Igreja do Concílio Vaticano II. Assim, quando dizemos que o papa está nos ensinando algo novo, isso demonstra que não assumimos o Concílio Vaticano II. E ele está nos dizendo: 'Redescubram o Concílio Vaticano II e assumam-no, por favor'".

No livro, Tagle também aborda a espinhosa chaga da pedofilia do clero, afirmando estar "em busca com as inúmeras vítimas que ainda estão à espera de respostas". Para o purpurado, "a crise dos abusos sexuais do clero deveria desafiar a Igreja a aprofundar a compreensão do celibato, que é uma prática apreciada nas sociedades asiáticas e entre as religiões tradicionais da Ásia. No entanto – especifica o cardeal – muitas pessoas pensam que o celibato é simplesmente uma regra que a Igreja conservadora deve respeitar por amor à tradição. Mas não é assim. Alguns acreditam que ele é a causa de todos os tipos de má conduta sexual, como se a remoção do celibato eliminaria automaticamente uma má conduta sexual. Outros o defendem, mas de uma forma estritamente legalista que demonstra ser ineficaz".

Diante da pedofilia do clero, comparada por Bergoglio a uma "missa negra", para o cardeal, "o primeiro elemento de resposta é o cuidado pastoral das vítimas e das suas famílias. O cuidado pastoral inclui a justiça em relação a elas, a compaixão, a proteção e também o ressarcimento, em alguns casos".

Tagle admite que "é difícil e doloroso ser um superior ou um bispo hoje em dia. Eles se sentem perdidos quando um clérigo comete abusos sexuais. Por mais que ajudem os seus sacerdotes, eles também devem julgar sobre uma questão que muitos deles não compreendem plenamente. Ao mesmo tempo, porém, eles não podem defender o sacerdote negligenciando a verdade, a justiça e o bem das vítimas e das suas comunidades. Os superiores são muitas vezes martirizados por todas as partes. Eles são acusados de cobertura se tentam ser discretos. Se são firmes, são acusados de falta de compaixão".

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