Aborto e casamento homoafetivo: o que pensam a respeito os cristãos europeus?

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21 Novembro 2018

Na reportagem anterior dedicada à pesquisa feita pelo Pew Research sobre ser cristãos na Europa Ocidental havíamos apontado que, em relação ao acolhimento de povos muçulmanos, os cristãos não praticantes têm posições mais próximas àquelas dos cristãos praticantes (e, portanto, uma menor predisposição ao acolhimento) em comparação com aquelas dos não-religiosos.

A reportagem é de Cristina Da Rold, publicada por Il Sole 24 Ore, 19-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Sobre o aborto e os casamentos homoafetivos, por outro lado, observa-se o oposto. A grande maioria dos não-religiosos e dos cristãos não-praticantes é a favor da legalização do aborto e do casamento homoafetivo. A distância maior é com aqueles que frequentam a igreja, embora devemos ter cuidado para não generalizar.

Os cidadãos europeus que se definem cristãos, embora não praticantes, são cerca da metade dos que responderam o questionário, enquanto a metade restante é dividida igualmente entre cristãos praticantes e não-religiosos.

Na realidade, de país a país a situação varia muito: na Itália, em particular, 40% dos entrevistados são cristãos praticantes (a percentagem mais elevada na Europa), outros 40% declaram-se cristãos, mas não praticante, e 15% não se sentem ligados a nenhuma religião. Nos países nórdicos, a situação é oposta: na Bélgica, Dinamarca, Suécia e Finlândia, apenas 10% dos cidadãos é de praticantes, e particularmente na Suécia e na Noruega, quase metade dos entrevistados declarou-se não religiosa.

A metade dos cristãos praticantes europeus são a favor da legalização do aborto, enquanto entre os cristãos não praticantes o percentual é de 85% e entre os não-religiosos 87%. A Itália está perfeitamente alinhada com o cenário europeu: entre os praticantes, 47% dos entrevistados é favorável.

É importante notar que a pergunta que apresentam os pesquisadores não é "você optaria por abortar?", nem mesmo "você é a favor do aborto". A pergunta diz respeito à legalização do procedimento. Na Itália, por exemplo, muita propaganda que é feita sobre essa questão é baseada na suposição - falsa - que legalizar a IVG levará a mais abortos. Os dados do Instituto Superior de Saúde são claro quanto ao fato que ao longo dos últimos trinta anos, os abortos diminuíram drasticamente.

Sem dúvida, a situação na Irlanda é que mais chama a atenção: apenas 4 praticantes em 100 estão satisfeitos que o aborto seja legalizado em seu país. O curioso é que "apenas" 58% dos cristãos praticantes irlandeses no mesmo questionário declara que o Estado deveria apoiar os valores religiosos.

Outro caso curioso, pela razão oposta, é a Espanha: menos de metade dos entrevistados entre os praticantes é hoje a favor do aborto legal, mas, ao mesmo tempo, a Espanha está entre os países com o menor percentual de praticantes que considera que o estado deveria apoiar os valores religiosos.

No que diz respeito ao casamento homoafetivo a situação é semelhante: 58% dos praticantes europeus (dado mediano) é favorável, contra respectivamente 80% e 87% dos não-praticantes e não-religiosos. A situação varia muito de país para país, e parece não haver uma graduação acentuada entre países de maioria católica e aqueles de maioria protestante. O país onde cristãos praticantes são menos favoráveis é a Finlândia (onde, no entanto, os praticantes são muito poucos, como vimos), seguida pela Noruega e Portugal, bem à frente da Itália. A Finlândia é também o país com a menor taxa de cristãos não praticantes favoráveis ao casamento homoafetivos, enquanto entre os não-religiosos a porcentagem de favoráveis está em linha com o resto da Europa.

Na Dinamarca e na Bélgica não se verifica diferença entre religiosos e não, enquanto as taxas favoráveis ao casamento homoafetivo na Holanda são elevadas para todos, exceto para os praticantes, embora a Holanda seja o primeiro país a ter legalizado o casamento homossexual em 2001.

Cabe se questionar se a introdução legal de casamento homoafetivo há mais tempo se traduza hoje em maiores percentuais de aceitação até mesmo entre os praticantes. Parece que não.

O primeiro casamento homossexual foi homologado na Holanda em 2001, mas hoje apenas seis em cada dez cristãos praticantes se dizem favoráveis, enquanto que entre os cristãos não praticantes sobe para 90%. Na Bélgica, o casamento homoafetivo é legal desde 2003, mas apenas 66% dos praticantes são hoje favoráveis, em comparação com 83% dos não-praticantes. Na Espanha é legal desde 2005, mas menos de 60% dos praticantes concordam, em comparação com 80% dos cristãos não praticantes. E, novamente, na Noruega é possível se casar com uma pessoa do mesmo sexo desde 2009, mas apenas 42% dos religiosos praticantes hoje concordam, embora entre os não-praticantes, o percentual suba para 72%.

Esses dados nos indicam mais perguntas do que respostas, mas certamente nos dizem que não podemos generalizar. Apesar das limitadas aberturas da Igreja em matéria (é deste mês de outubro, o feroz ataque do Papa Francisco contra aqueles que abortam) metade dos cristãos praticantes italianos, por exemplo, é a favor da legalização do aborto e 44% deles do casamento entre homossexuais.

A diferença das respostas que são obtidos sobre essas questões por parte dos cristãos praticantes de país para país é muito mais ampla daquela entre os não praticantes e os não-religiosos de diferentes nacionalidades.

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