A Europa que se reconhece cristã e aprova aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo

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02 Junho 2018

"A Europa ocidental, berço do protestantismo e historicamente sede do catolicismo, tornou-se uma das regiões mais seculares do mundo." Isso foi afirmado por um estudo-pesquisa patrocinado pelo Pew Research Center dos EUA sobre a fé e as práticas religiosas nos países da Europa ocidental. Cresce o percentual de cristãos não-praticantes, e um olhar nas respostas dos entrevistados sobre o aborto e o casamento homoafetivo permite entender o quanto tem mudado a cultura geral na Europa e como não surpreende o resultado do recente referendo irlandês sobre o aborto.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 29-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A pesquisa, realizada entre abril e agosto de 2017, em 15 países da Europa ocidental, mostra que 91% da população é composta de batizados, 81% de pessoas educadas como cristãos, 71% das pessoas que se declaram atualmente cristãs, sendo 22% que frequentam serviços religiosos pelo menos uma vez por mês.

"Na maioria dos casos, os adultos entrevistados se consideram cristãos, mesmo que raramente frequentem a igreja. A pesquisa mostra que, de fato, os cristãos não praticantes (como são definidos, no âmbito desse relatório, as pessoas que se identificam como cristão, mas que participam de serviços religiosos apenas algumas vezes por ano) representam a maior parcela da população na região pesquisada. Em todos os países, exceto a Itália, são mais numerosos do que os cristãos praticantes (ou seja, aqueles que frequentam os serviços religiosos pelo menos uma vez por mês). No Reino Unido, por exemplo, os cristãos não praticantes (55%) são cerca de três vezes mais numerosos do que os cristãos praticantes (18%), de acordo com as definições aqui utilizadas".

Na Itália, 40% da população se declaram praticantes, outros 40% cristãos não praticantes, 15% sem religião, enquanto 5% de outras religiões. Na França os praticantes são 18%, 46% os cristãos não praticantes, 28% sem religião e 8% de outras religiões. Na Espanha, os praticantes são 21%, 44% os cristãos não praticantes, 30% sem religião e 4% de outras religiões.

"O estudo da Pew Research Center, durante o qual foram realizadas mais de 24.000 entrevistas telefônicas com adultos selecionados aleatoriamente, incluindo os cerca de 12.000 cristãos não praticantes, revela que a identidade cristã permanece um marcador significativo na Europa ocidental, mesmo entre aqueles que raramente frequentam a igreja. Não se trata simplesmente de uma identidade "nominal" desprovida de relevância prática. Mesmo afirmando não acreditar em Deus "como descrito na Bíblia", muitos cristãos não praticantes tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Em contraste, a maioria dos cristãos praticantes afirma acreditar na descrição bíblica de Deus. E uma clara maioria dos adultos que não se identificam com nenhuma religião não acredita em qualquer poder superior ou força espiritual no universo."

De acordo com o estudo, a identidade cristã da Europa ocidental está associada a opiniões mais negativas em relação aos imigrantes e às minorias religiosas. Em geral, aqueles que professam ser cristãos, frequentem eles a igreja ou não, são mais propensos do que aqueles que não se identificam com nenhuma religião a expressar opiniões negativas em relação aos imigrantes, bem como os muçulmanos e os judeus.

A grande maioria dos cristãos não praticantes como de pessoas que não se identificam com nenhuma religião na Europa ocidental, é favorável ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos praticantes são mais conservadores sobre esses temas, embora dentro desse segmento seja detectado um apoio substancial (em alguns países, majoritário) ao aborto legal e casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Aqui seguem os números relativos a quantos se dizem favoráveis ao aborto legal. Na Itália, 47% dos cristãos praticantes, 79% dos cristãos não praticantes, 85% daqueles que não professam nenhuma religião (65% da população geral do país são favoráveis). Na Irlanda, 42% dos cristãos praticantes 81% dos cristãos não praticantes, 80% daqueles que não professam nenhuma religião (66% da população geral do país são favoráveis). Na Espanha 49% dos cristãos praticantes, 73% dos cristãos não praticantes, 87% daqueles que não professam nenhuma religião (72% da população geral do país são favoráveis). Na Alemanha, 54% dos cristãos praticantes, 84% dos cristãos não praticantes, 86% daqueles que não professam nenhuma religião (96% da população geral do país são favoráveis). Na Suécia, 79% dos cristãos praticantes, 79% dos cristãos não praticantes, 98% daqueles que não professam nenhuma religião (94% da população geral do país são favoráveis). No Reino Unido, 65% dos cristãos praticantes, 86% dos cristãos não praticantes, 83% daqueles que não professam nenhuma religião (81% da população geral do país são favoráveis).

Em relação aos favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo na Itália são 43% de cristãos praticantes, 70% dos cristãos não praticantes, 83% daqueles que não professam nenhuma religião (59% da população geral do país são favoráveis). Na Irlanda, 43% dos cristãos praticantes, 80% dos cristãos não praticantes, 87% daqueles que não professam nenhuma religião (66% da população geral do país são favoráveis). Na Espanha 59% dos cristãos praticantes, 79% dos cristãos não praticantes, 90% daqueles que não professam nenhuma religião (77% da população geral do país são favoráveis). Na Alemanha, 53% dos cristãos praticantes, 82% dos cristãos não praticantes, 86% daqueles que não professam nenhuma religião (75% da população geral do país são favoráveis). No Reino Unido, eles são a favor 63% dos cristãos praticantes, 83% dos cristãos não praticantes, 82% daqueles que não professam nenhuma religião (77% da população geral do país são favoráveis).

"O aborto, o casamento homoafetivo e o papel da religião nas atividades de governo são três áreas em que as atitudes dos cristãos não praticantes são mais semelhantes aquelas de pessoas que não se identificam com nenhuma religião. Uma vasta maioria de cristãos não praticantes e de pessoas com "nenhuma religião" acredita que o aborto deveria ser legal em todos ou na maioria dos casos, e que a casais do mesmo sexo deveria ser autorizado o casamento".

Quanto à relação com a política, em termos gerais, os europeus ocidentais não são favoráveis à ligação entre os seus governos e a religião. Em todos os 15 países incluídos na pesquisa, de fato, predomina a ideia que a religião deva permanecer separada das políticas de governo (mediana de 60%), enquanto o conceito de que as políticas governamentais deveriam apoiar a fé e os valores religiosos é sustentado por 36%.

Os cristãos não praticantes tendem a defender que a religião deveria permanecer separada de políticas governamentais. No entanto, uma substancial minoria (mediana de 35%) de cristãos não praticantes considera que o governo deveria apoiar a fé e os valores religiosos no próprio país e é muito mais propensa a assumir essa posição em relação aos adultos que não se identificam com nenhuma religião. No Reino Unido, por exemplo, 40% dos cristãos não praticantes afirmam que o governo deveria apoiar a fé e os valores religiosos, contra 18% das pessoas com "nenhuma religião".

Em todos os países incluídos na pesquisa, os cristãos praticantes são muito mais propensos que os cristãos não praticantes a considerar que o governo deveria apoiar os valores religiosos. Na Áustria, por exemplo, essa posição é compartilhada pela maioria (64%) dos cristãos praticantes, contra 38% de cristãos não praticantes.

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