Por que a nomeação de Scicluna ajuda a entender o que está em jogo nos EUA e na Igreja em geral

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15 Novembro 2018

Alegre, sensato e franco, o arcebispo Scicluna tem um histórico irrepreensível no combate aos abusos.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 13-11-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A nomeação do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, para um cargo de destaque no Vaticano para combater os abusos sexuais clericais ocorreu um dia depois de os bispos dos Estados Unidos terem sido solicitados por Roma a adiar a votação de novos procedimentos de responsabilização.

Esses dois desdobramentos nos oferecem uma intuição do ponto ao qual o papa e a Igreja chegaram globalmente no enfrentamento daquela que se tornou a maior crise do catolicismo em 500 anos.

Após o pedido para adiar a votação sobre medidas de responsabilização para os bispos, houve uma compreensível frustração nos Estados Unidos sobre aquela que pareceu ser uma tentativa do Vaticano de bloquear as reformas e uma aparente falta de compreensão por parte do papa sobre a urgência de responsabilizar os bispos.

Mas vale a pena ter em mente três pontos.

Primeiro, Francisco quer uma abordagem aos abusos por parte de uma “Igreja una”, que seja coordenada globalmente. Esse é um dos fatores que levaram a Santa Sé a pedir que os bispos estadunidenses reunidos em Baltimore não votem em um novo código de conduta para lidar com os abusos e em propostas para que uma comissão leiga investigue casos de má conduta episcopal, até que os bispos do mundo se reúnam no início do ano que vem.

Ao contrário de retardar os processos, a nomeação do arcebispo Scicluna pelo papa como secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé, o órgão vaticano que supervisiona os casos de padres acusados de abusar de menores, mostra a sua seriedade em enfrentar o escândalo dos abusos em todo o mundo. Com sua nova posição, o arcebispo Scicluna agora é efetivamente o homem de referência do papa no tratamento dos casos.

Alegre, sensato e franco, o arcebispo tem um histórico irrepreensível no combate aos abusos. Ele também desenvolveu uma reputação de ser um “desatador de nós” quando se trata de escândalos, mostrado recentemente em sua investigação no Chile.

O prelado maltês, que dividirá seu tempo entre Roma e sua liderança da Igreja em Malta, serviu na Cúria Romana de 1995 a 2012, onde processou casos de abusos sexuais clericais de todo o mundo e investigou pessoas como Pe. Marcial Maciel, o bem relacionado fundador dos Legionários de Cristo, que também era um terrível abusador.

Crucialmente, ele esteve envolvido em fazer com que Conferências Episcopais de todo o mundo produzissem diretrizes robustas para a salvaguarda das vítimas e mudanças no Direito Canônico, como a classificação da pornografia infantil e do abuso de adultos vulneráveis como delitos.

Esse é o tipo de mudanças institucionais que o papa pretende realizar após a cúpula do próximo mês de fevereiro com os presidentes das Conferências Episcopais do mundo, um encontro no qual o arcebispo Scicluna provavelmente desempenhará um papel importante.

Segundo, responsabilizar os bispos é algo muito mais profundo do que a aprovação de novos protocolos e do que a valorização da principal “moeda” da vida católica: a comunhão entre o papa e um bispo.

Uma das razões pelas quais a Santa Sé pediu que os bispos dos Estados Unidos segurassem as suas medidas de responsabilização era uma preocupação canônica com o código de conduta proposto. Parte da sensibilidade aqui tem a ver com o papel específico que o papa tem na supervisão da hierarquia mundial, pois somente o sucessor de São Pedro tem o poder de disciplinar ou de remover bispos.

Estabelecer estruturas internas da Igreja que contornem ou colidam com a autoridade do papa nessa área requer um tratamento delicado, já que, na lei e na teologia da Igreja, o papado é a autoridade final sobre os bispos.

Isso vai ao cerne da comunhão compartilhada pelo papa e os bispos, sucessores dos apóstolos em suas dioceses locais, o cordão umbilical que assegura a universalidade do catolicismo. A comunhão entre Roma e os Estados Unidos ficou especialmente sob tensão após o testemunho do arcebispo Carlo Maria Viganó, que pedia que o papa renunciasse pelo modo como lidou com a má conduta sexual do ex-cardeal Theodore McCarrick. Depois que suas declarações explosivas foram tornadas públicas, 24 bispos dos Estados Unidos emitiram declarações elogiando o arcebispo Viganò, um ex-embaixador papal em Washington, mas sem muito apoio ao sucessor de São Pedro.

Em um nível mais prático, se os bispos dos Estados Unidos levassem em frente novas medidas de responsabilização, Roma poderia julgar mais tarde que eles estavam violando o Direito Canônico, o que criaria outra embaraçosa confusão a ser corrigida. Também há pouco a ser alcançado se a Igreja ocidental puder anunciar novas políticas em 2018, sendo que a África e a Ásia poderão se envolver em escândalos uma década depois.

A cúpula do papa com os bispos em fevereiro destina-se a abordar precisamente esse problema, e vale a pena notar que Roma pediu apenas que a hierarquia estadunidense adie sua votação até depois dessa reunião.

Durante seu encontro em Baltimore, o painel consultivo leigo dos bispos sobre a proteção às crianças apresentou reformas, incluindo planos de responsabilização dos bispos, enquanto o cardeal arcebispo de Chicago, Blase Cupich, pediu que as discussões sobre esse assunto continuassem e que a votação ocorresse em março. O atraso não impede mais ações sobre essa questão.

Terceiro, o problema de lidar com os abusos não pode ser “terceirizado” para as Igrejas locais, apesar do apelo de Francisco a uma “descentralização cautelosa” na Igreja.

“Aprendemos que precisamos de uma autoridade central”, disse-me no ano passado o Pe. Hans Zollner, a principal autoridade da Igreja sobre as medidas antiabusos, que participa da comissão pontifícia de proteção aos menores.

“Diversos países e Igrejas locais precisam apoiar uns aos outros para que ninguém esteja fazendo algo sozinho.”

Alguns argumentaram que o pedido por um atraso por parte do Vaticano vai contra o desejo do papa de “sinodalidade”, uma resposta coletiva aos problemas, em vez de depender de decretos vindos de cima. Mas, como Francisco deixou claro no passado, a “sinodalidade” é um “caminhar juntos”, que impede que uma Igreja local corra na frente antes do restante.

O maior desafio é como Roma comunica esse posicionamento aos Estados Unidos e às vítimas, ao mesmo tempo em que demonstra uma compreensão da urgência da questão da responsabilidade. O que o papa não está disposto a fazer, no entanto, é permitir que uma Igreja local faça mudanças que afetem todas as demais, na tentativa de enfrentar uma crise que se espalhou pelo mundo católico global.

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