EUA. Vaticano pede que bispos adiem a votação sobre medidas contra abuso e gera confusão entre alguns prelados

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13 Novembro 2018

Um pedido surpresa do Vaticano de que o encontro anual dos bispos católicos dos EUA adie a votação das propostas para resolver a crise de abuso sexual clerical causou comoção, levando até à confusão de alguns prelados presentes na reunião.

A reportagem é de Heidi Schlumpf e Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 12-11-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos Bispos, anunciou o pedido na abertura do encontro do dia 12 de novembro. Ele disse aos cerca de 250 prelados participantes que estava "decepcionado", mas que o Vaticano pediu o adiamento devido ao encontro que será promovido pelo Papa Francisco em fevereiro para discutir a proteção das crianças com os líderes de todas as conferências do mundo.

Os bispos dos EUA estão sendo observados de perto pela forma como lidaram com as acusações de abuso após as revelações deste ano sobre a conduta do ex-cardeal Theodore McCarrick e a divulgação do chocante relatório da Suprema Corte da Pensilvânia.

Os prelados votariam em duas propostas concretas no dia 14 de novembro: um novo código de conduta para os bispos e a criação de uma "comissão especial" para rever as queixas contra os bispos.

O cardeal de Chicago Blase Cupich se pronunciou após o anúncio de DiNardo, sugerindo que em vez de votar as propostas os prelados votassem de modo não vinculativo, para que se soubesse pelo menos sua posição na reunião de fevereiro.

"Temos de ser muito claros sobre nosso posicionamento, e precisamos expressá-lo ao nosso povo", disse Cupich. Ele também propôs que os bispos realizassem uma sessão especial em março para enfrentar o problema do abuso, em vez de aguardar pela reunião normal, marcada para junho.

Os bispos foram de uma breve manhã de reunião a um dia de oração, e alguns expressaram terem ficado confusos com o anúncio. Numa conferência de imprensa ao meio-dia, o bispo Christopher Coyne, de Burlington, Vermont, disse que a solicitação "nos deixou confusos, porque foi completamente inesperada".

W. Shawn McKnight, bispo da diocese de Jefferson City, Missouri, sugeriu que isso pode indicar que o Vaticano não entende a gravidade da situação nos Estados Unidos.

Referindo-se a sessões realizadas para ouvir as pessoas na sua diocese, McKnight disse: "Há muita raiva - com razão".

"O que eu percebo... é que precisam ver ações da conferência dos bispos e do próprio bispo que manifestem uma proposta verdadeira e firme propósito de reparação".

"Muitos bispos estão tentando", disse McKnight. "Mas nossa forma letárgica de funcionar e de fazer as coisas é um problema."
"Acho que pode haver um problema cultural em jogo entre a Santa Sé e a Igreja dos Estados Unidos", observou. "A dificuldade de dar uma resposta e de ser rápidos é o que está agravando a situação aqui nos Estados Unidos. E estamos tentando responder o mais rápido possível."

O bispo Daniel Flores, de Brownsville, Texas, disse, em uma breve entrevista, que apesar de não saber os motivos da Santa Sé para o adiamento, "o pedido deve ter alguma razão”.

"É isso", disse. "É muito importante estar em comunhão. Temos que fazer isso juntos. O sucessor de Pedro é o sucessor de Pedro."

Fora do hotel onde a reunião está sendo realizada, sobreviventes e defensores disseram que ficaram "perplexos” com a notícia.
"O momento indicaria que o Vaticano estava transmitindo uma mensagem de que não só aos bispos dos Estados Unidos, mas também aos católicos estadunidenses que estão no comando", disse Anne Barrett Doyle, codiretora do site de rastreio de abusos BishopAccountability.org.

"Para mim, é um desastre, e são tempos difíceis para os católicos e principalmente para as vítimas e sobreviventes, por verem que este grupo irresponsável e covarde não consegue agir por conta própria para fazer o que é certo pelas crianças e pelo povo de Deus dos Estados Unidos", declarou.

"Quando o Vaticano intervém, as regulações perdem a força, não ganham", disse Doyle. "Quando o Vaticano intervém, é um sinal de que vai haver menos progresso do que esperávamos."

Outros católicos que trabalham com a questão há muito tempo também reagiram negativamente à notícia.

"A hierarquia está desmoronando", disse Anne Burke, que foi membro do Conselho de Revisão, um órgão dos bispos criado em 2002 para abordar questões relativas a casos de abuso clerical. Ela acrescentou: "Nada me surpreende."

Embora Burke não estivesse satisfeito com as propostas dos bispos, a “tática de adiar” é ainda mais preocupante, disse.

"Eles não veem isso como uma crise", disse Burke, que é juíza da Suprema Corte em Illinois. "Não consigo entender por que eles não veem nada além do nariz".

Nicholas Cafardi, que também fazia parte e presidiu o Conselho de Revisão de 2004 a 2005, disse que estava preocupado com o discurso realizado pelo embaixador do Vaticano para os EUA durante o encontro.

Cafardi, advogado civil e canônico, disse que o arcebispo Christophe Pierre sugeriu que o Vaticano estava minimizando a possibilidade de aumentar o papel dos leigos na fiscalização.

Em seu discurso na reunião, logo após o anúncio de DiNardo, Pierre disse: "Temos de mostrar que podemos resolver problemas, e não simplesmente delegá-los aos outros."

"Alguns podem ficar tentados a relegar a responsabilidade pela reforma a outros, como se já não fôssemos capazes de mudança ou confiança, como se toda a confiança devesse ser transferida para outras instituições", afirmou.

Cafardi também "não estava totalmente feliz" com as propostas dos bispos, mas achava que era "melhor que não fazer nada, e agora não estão fazendo nada".

"Não era perfeito, mas pelo menos era algum movimento. E agora parou", disse Cafardi.

"Enquanto os bispos adiam [a votação], o problema não vai desaparecer", disse. "Só vai piorar."

O sentimento de McKnight era semelhante: "O silêncio e a inação nos levaram a este problema. Continuar o mesmo padrão de comportamento só piora as coisas."

Embora DiNardo inicialmente não tenha dito quem fez o pedido para a Conferência dos Bispos dos EUA atrasarem a votação programada, depois ele disse, numa coletiva de imprensa, que foi uma carta da Congregação dos Bispos, liderada pelo cardeal canadense Marc Ouellet.

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