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27 Outubro 2018

Com um forte apelo assinado por cinco presidentes de Conferências Episcopais, os bispos da Igreja Católica convidam os governos a empreender ações ambiciosas e imediatas para enfrentar e superar os efeitos devastadores da crise climática.

A reportagem é de Paolo Petrini, publicada em Vatican Insider, 26-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Logo após a publicação de um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCCC) sobre a urgência de desenvolver políticas que limitem o aquecimento do planeta a 1,5ºC, a Igreja convida os políticos a se esforçarem em favor de uma implementação ambiciosa do Acordo de Paris para as pessoas e para o planeta.

Eles pedem que a próxima conferência sobre mudanças climáticas das Nações Unidas (COP24), que será realizada em dezembro próximo em Katowice, na Polônia, seja um marco no caminho indicado em Paris em 2015.

O apelo foi apresentado nessa sexta-feira, 26, em Roma e assinado pelo cardeal Angelo Bagnasco, presidente do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE) e arcebispo de Gênova; pelo cardeal Oswald Gracias, presidente dos bispos indianos e arcebispo de Bombaim; pelo arcebispo Peter Loy Chong, presidente do episcopado das Ilhas Fiji e arcebispo de Suva; pelo arcebispo Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (Comece) e arcebispo de Luxemburgo; pelo arcebispo Gabriel Mbilingi, presidente Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (Secam) e arcebispo de Lubango.

Os signatários são motivados pelo trabalho desenvolvido in loco pelos muitos corajosos atores que, dentro e fora das comunidades católicas, divulgam a mensagem do papa na Laudato si’. No apelo, pedem mudanças rápidas e radicais, resistindo à tentação de buscar expedientes tecnológicos de curto prazo.

Os responsáveis eclesiais da Ásia, África, Oceania e Europa pedem conjuntamente que os governos adotem medidas concretas para ir rumo a uma repartição justa dos recursos e das responsabilidades, em que “os grandes poluidores assumam as suas responsabilidades políticas e respeitem os seus compromissos financeiros em favor do clima”.

O apelo se baseia nos princípios de urgência, da justiça intergeracional, da dignidade e dos direitos humanos. Ele se baseia em alguns pontos centrais: manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC; passar para estilos de vida sustentáveis; respeitar o conhecimento das comunidades indígenas; implementar uma mudança paradigmática nas finanças em consonância com os acordos globais sobre o clima; transformar o setor energético, pondo fim à era dos combustíveis fósseis e passando para as energias renováveis; repensar o setor agrícola para garantir que ele forneça alimentos sadios e acessíveis a todos, com atenção especial à promoção da agroecologia.

Mais detalhadamente, na declaração comum, os cinco presidentes de Conferências Episcopais pedem “uma mudança de paradigma financeiro”. “As instituições financeiras têm um papel importante a desempenhar, como parte do problema, mas também da sua solução”, afirma o texto. “Hoje, é necessário e urgente estabelecer um sistema de transparência, eficiência e avaliação em conformidade – entre outras coisas – com a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e o Acordo de Paris, e que os mercados financeiros sejam regulados de acordo com esses marcos globais. Pedimos uma finança a serviço da sociedade, que constrói comunidade e promove a integridade, a igualdade e a justiça”.

Os bispos também apelam por “uma rápida transição para uma economia baseada nas energias renováveis”, o que requer “a gradual eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis” e o deslocamento dos “investimentos das empresas que continuam explorando novas reservas de combustíveis fósseis de um modo incompatível com o objetivo do Acordo de Paris”.

“Paralelamente – continua o documento – são necessários esforços ambiciosos para garantir uma transição justa, de modo a apoiar os trabalhadores das indústrias interessadas pela transição e que os investimentos sejam direcionados a apoiar os sistemas de energia renovável. Construir sistemas energéticos seguros, acessíveis, confiáveis e eficientes baseados em fontes renováveis, que atendam às exigências de desenvolvimento das comunidades, pode ajudar a combater a pobreza, a desigualdade e a degradação ambiental”.

O texto invoca, enfim, uma “reavaliação” do setor agrícola e “uma transição ecológica justa e equitativa, como pedido pelo Acordo de Paris”, porque – enfatizam os signatários – “é uma questão de vida ou morte para os países vulneráveis e as pessoas que vivem nas zonas costeiras”.

Por meio dessa declaração, os bispos também reafirmam o seu compromisso a dar passos corajosos rumo à sustentabilidade, uma contribuição crucial para a justiça climática. Em todo o mundo, a Igreja está empenhada em iniciativas concretas em relação a estilos de vida mais sustentáveis, incluindo um movimento mundial pelo desinvestimento em combustíveis fósseis e um crescente compromisso com o Tempo da Criação. A declaração é apoiada pelas redes católicas CIDSE, Caritas Internationalis e pelo Movimento Católico Mundial pelo Clima.

Desde o lançamento do relatório especial do IPCC, este continua sendo até agora o único que conecta a busca do objetivo de 1,5ºC com um “dever moral” e chega em um ano em que o G20 e a COP24 estão hospedados por países de maioria católica.

Esse tipo de declaração conjunta é bastante raro, e a última intervenção desse tipo sobre as mudanças climáticas e de tal porte ocorreu quando as Conferências Episcopais continentais pediram conjuntamente um ambicioso acordo de Paris tendo em vista a COP21 em 2015.

“Somos encorajados por esse apelo da Igreja que reconhece muitos dos esforços que as organizações católicas estão fazendo para alcançar a justiça climática, a justiça energética e o acesso aos alimentos”, diz Josianne Gauthier, secretária geral da Cidse. “Também nos sentimos apoiados no nosso chamado por uma profunda mudança do sistema social e somos gratos por fazer parte de um movimento mundial que tem esse propósito. Acreditamos que isso só pode acontecer realmente passando para uma economia pós-crescimento.”

“A declaração – reitera Tomás Insua, diretor-executivo do Movimento Católico Mundial pelo Clima – indica fortemente que a Igreja Católica global está comprometida para acelerar a ação pela justiça climática. Os líderes eclesiásticos ecoam as palavras do Papa Francisco, que enfatiza a urgência da crise climática. Cada ponto no termômetro global é uma tragédia para os mais vulneráveis, e não podemos perder sequer um momento, devemos encontrar soluções para eles e para as gerações vindouras. A pergunta é: quando os responsáveis políticos aceitarão o desafio?”

Para Michel Roy, secretário geral da Caritas Internationalis, “é necessário e urgente uma profunda mudança de direção nas questões climáticas. Devemos ver uma transformação na conferência climática em Katowice. Podemos salvar o planeta e aqueles que estão em maior risco de impacto pelas condições meteorológicas extremas, mas, para fazer isso, precisamos de vontade política”.

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