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25 Outubro 2018

Declarados inimigos pelo candidato do PSL, servidores ambientais alertam para riscos diante de eventual governo. Hostilidade em ações de fiscalização no campo já ficou mais visível.

A reportagem é de Nádia Pontes, publicada por Deutsche Welle, 24-10-2018.

Entre fiscais e servidores dos órgãos que combatem o crime ambiental no Brasil o clima é de apreensão. Alvos de ataques em vídeos divulgados pelo candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), agentes ambientais relatam que a hostilidade em ações de fiscalização no campo ficou mais visível.

No último fim de semana, uma equipe do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sofreu um atentado durante uma operação de combate ao desmatamento em Buritis, Rondônia. Um homem foi preso após usar um galão de gasolina para atear fogo em três viaturas do Ibama.

Por determinação da presidente do órgão, Suely Araújo, as ações contra o corte ilegal da floresta na região serão intensificadas. "O Ibama realiza essas atividades como parte importante de sua missão institucional de proteção ambiental e continuará cumprindo suas tarefas estabelecidas por lei", justificou.

Na última sexta-feira (19/10), um grupo tentou impedir a chegada de uma equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a uma unidade de conservação para combater o desmatamento. Os agentes tiveram que ser escoltados pela Polícia Militar.

Favorito no segundo turno, Bolsonaro tem dado declarações que vão contra as atividades de fiscalização dos órgãos ambientais. Em entrevistas, ele já criticou o que chama de "indústria da multa" do meio ambiente, citando órgãos como o Ibama e o ICMBio. Dois dias após o primeiro turno das eleições presidenciais, ele afirmou que pretende acabar com o "ativismo ambiental xiita" e também com a “indústria de demarcação de terras indígenas". 

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, faz parte de suas atribuições exercer o poder de polícia ambiental, no caso do Ibama, e fiscalizar e monitorar as unidades de conservação, no caso do ICMBio.

Para o ministério, ataques como os registrados recentemente representam um "atentado contra a nação, contra as instituições públicas e contra servidores que doam as suas vidas e se dedicam a preservar o meio ambiente e a respeitar a legislação brasileira".

Segundo a nota divulgada, os atentados são comandados por quem tem interesse em manter a ilegalidade e afrontar os órgãos ambientais.

"Continuaremos trabalhando duro para combater todo e qualquer ato ilícito, para fazer valer a legislação ambiental e para defender aquilo que é de interesse do povo brasileiro, que é o nosso rico patrimônio natural", afirmou o ministro Edson Duarte.

Analistas ambientais do ICMBio estão perplexos. "É muito triste ver um candidato que lidera as pesquisas colocar a sociedade contra um setor do serviço público que trabalha para um patrimônio nacional, em prol do bem-estar humano", critica um servidor do instituto que preferiu não ter seu nome revelado.

Em carta aberta, servidores da área ambiental fizeram um alerta sobre os impactos negativos para o meio ambiente em caso de vitória de Bolsonaro. Dentre os pontos críticos, eles apontaram a promessa feita pelo candidato de fundir o Ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura, a saída do Brasil do Acordo de Paris, o enfraquecimento do licenciamento ambiental e a exploração irrestrita da Amazônia.

"Essas propostas significariam, na prática, o fim da política ambiental e deixariam o país muito mais suscetível a desastres ambientais como o de Mariana e ao agravamento da crise hídrica atual no semiárido nordestino e nas grandes cidades como São Paulo, Brasília”, diz a carta.

Segundo os servidores, Bolsonaro foi multado em 2012 após ter sido flagrado pescando ilegalmente na Estação Ecológica Tamoios. Na sequência, o deputado apresentou um projeto (mais tarde tarde retirado por ele mesmo) que pretendia desarmar fiscais ambientais do Ibama e ICMBio.

"Alertamos que esta candidatura é uma continuação ainda mais nefasta do que o governo Michel Temer", afirmam os servidores na carta.

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