O Papa adverte: “Maria não pode ser a mãe dos corruptos”

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09 Outubro 2018

Prestem atenção os políticos e outros atores sociais egoístas que “buscam apenas seu próprio benefício, seja ele econômico, intelectual ou de qualquer outro tipo”. O Papa Francisco advertiu em um novo livro-entrevista sobre Nossa Senhora e a oração da Ave-Maria que “Maria não pode ser a mãe dos corruptos, porque os corruptos vendem a mãe, vendem a pertença a uma família, a um povo”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 08-10-2018. A tradução é de André Langer.

O novo livro do Papa Ave-Maria, escrito com Marco Pozza – capelão da prisão de Pádua – será publicado nesta terça-feira, e o jornal Corriere della Sera publicou hoje alguns trechos onde Francisco fala de Nossa Senhora como “uma garota normal”.

Maria é a normalidade, é uma mulher que qualquer mulher deste mundo pode dizer que pode imitar. Nada de coisas estranhas na vida; uma mãe normal. Também em seu casamento virginal, casto nesse marco da virgindade, Maria foi normal. Ela trabalhava, ia às compras, ajudava o filho, ajudava o marido: normal”, escreve o Papa.

Neste livro, Francisco também se refere à história de seu país quando fala sobre o sofrimento das mães dos desaparecidos durante a ditadura na Argentina, quando fundaram a Associação das “Mães da Praça de Maio”.

“Para uma mãe que sofreu o que as mães da Praça de Maio sofreram, eu permito tudo. Pode dizer tudo, porque é impossível compreender a dor de uma mãe”, responde o Papa em seu livro.

E continua: “Uma delas me disse: ‘Eu gostaria de ver pelo menos o corpo, os ossos da minha filha, saber onde foi enterrada’ (...) Há uma memória que eu chamo de ‘memória materna’, algo físico, uma memória de carne e osso. Essa memória também pode explicar a angústia”.

O Papa explica que muitas diziam: “Onde estava a Igreja naquela época, por que ela não nos defendeu?”, e o pontífice argentino revela que então fica em silêncio e “faz-lhes companhia”.

“O desespero das mães da Praça de Maio é terrível. Não podemos fazer nada senão acompanhá-las e respeitar a sua dor, tomá-las pela mão, mas é difícil”, acrescenta o Pontífice nascido em Buenos Aires.

Francisco também escreve que a solidão de Maria faz pensar “nas mulheres sozinhas que tocam suas casas, que educam sozinhas os filhos” e que “embora Maria tenha José e a família; mas no começo é o diálogo entre Deus e uma mulher sozinha. Sozinha na hora da anunciação e sozinha no momento da morte do filho”.

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