França. Nicolas Hulot, ministro de Macron para o meio ambiente, saiu batendo a porta

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31 Agosto 2018

Nicolas Hulot, ministro francês da Transição Ecológica e Solidária, reprovou o presidente por sua falta de compromisso com a ecologia depois que beneficiou caçadores.

O artigo é de Eduardo Febbro, publicado por Página/12, 29-08-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Os princípios e as boas intenções nunca derrubam os muros dos lobistas. Hoje, o ex-ministro francês da Transição Ecológica e Solidária, Nicolas Hulot, provou essa experiência quando, entre muitos outros muros, há um par de dias, se encontrou no Palácio presidencial Elyseé com um dos lobistas mais poderosos dos caçadores franceses, Thierry Costa, a ovelha negra por excelência nos meios ecologistas. Com esse personagem à frente de uma reunião com os caçadores, o presidente francês, Emmanuel Macron, deu um presente que precipitou a renúncia de Nicolas Hulot: Macron aceitou dividir por dois os direitos que se pagam anualmente para poder caçar. Esses passaram de 400 a 200 euros. Foi a última contradição de um executivo onde a ecologia é somente a luz das cores que decora arvorezinhas.

Nesta terça, 28 de agosto, sem avisar ao Chefe de Estado, ao Primeiro Ministro, Hulot, em uma entrevista radiofônica, ao vivo, em um programa político da emissora France Inter, disse que se retirava do cargo. Os jornalistas que o entrevistaram contaram que, antes de ir ao ar, tomaram um café com ele e, ainda que estivesse muito brabo, nunca pensou em renunciar. Porém algo lhe passou na consciência. Primeiro disse (sempre ao vivo) “permaneço nesse governo” e, menos de um minuto depois, à beira das lágrimas, retificou: “tomo a decisão de deixar o governo. Não quero mais mentir para mim. Não quero que minha presença alimente a ilusão de que estamos à altura [das questões ambientais]”.

Uma das jornalistas, Lea Salamé, surpreendida, lhe perguntou: “fala sério?”. Nem os colaboradores do ex-ministro presentes na rádio estavam a par da notícia. Assim saiu de cena um dos ministros mais emblemáticos do gabinete do chefe do Executivo, Edouard Philippe.

Hulot é um conhecido jornalista que se fez famoso animando um programa de televisão sobre a natureza e o meio ambiente com o nome da cidade argentina de Ushuaia. Sob esse mesmo nome logo criou uma gama de produtos para a higiene pessoal (sabonetes, shampoos, etc.) que não respeitavam os critérios ecológicos que o mesmo encarnava. A revista de 60 milhões de consumidores constatou que três produtos da marca Ushuaia continham corantes pouco recomendáveis e uma substância suspeita de ser um “desregulador endócrino”. A empresa com a qual ganhou muito dinheiro estava ademais armada em uma duvidosa trama. Isso, não obstante, não diminuiu a credibilidade de um personagem oriundo da sociedade civil e respeitado pela sua militância a favor do meio ambiente e por ter sabido içar-se acima dos rituais de guerra de trincheiras que protagonizavam muitas vezes os ecologistas. Sua renúncia é um sacode para um chefe de Estado que, além de ter ganho o apelido de “presidente dos ricos”, nos últimos meses também começou a aparecer como o presidente à ordem dos lobbies.

Isso é precisamente o que Nicolas Hulot reprovou publicamente a Macron: sua falta de compromisso com a ecologia e sua tendência a ficar exposto aos chamados grupos de pressão, ou seja, os lobistas. O homem acumulou durante seu mandato de 15 meses uma série negra de fracassos em sua tentativa para que se adotem medidas de proteção do meio ambiente, algumas delas prometidas pelo próprio Macron. Perdeu ante os caçadores e, em maio de 2018, os deputados recusaram avançar a lei que proibia o glifosato a partir de 2021 quando muitos e sólidos documentos científicos admitiam o caráter “cancerígeno” desse princípio ativo presente nos herbicidas. Os lobbies respaldados pelo ministro da Agricultura, Stéphane Travert, impuseram sua vontade.

Fracassou também com o plano de reduzir em 50% o uso de energia de origem nuclear e se contradisse com a utilização do óleo de palma. Primeiro advogou para erradicá-lo e logo autorizou o grupo Total a operar com uma biorrefinaria para qual o funcionamento necessitava da importação de 300 mil toneladas por ano de óleo de palma. A lista de seus fracassos é bíblica, tanto como a aspereza que surgiu dentro do Executivo macronista devido à insensibilidade ecológica de seus membros. Hulot funcionou mais como um boneco de álibi frente aos meios de comunicação e à opinião pública do que como ministro com poder.

A atriz francesa Brigitte Bardot – grande defensora dos animais – ridicularizou-o em um artigo publicado pela imprensa regional (Var-Matin). Bardot disse que Hulot “atua como se não tivesse nenhum poder” ao tempo que o tratou de “medroso de primeira classe, um indeciso, um tipo que não serve para nada”.

A renúncia de Nicolas Hulot prova a incompatibilidade crítica que existe entre o liberalismo e a proteção do meio ambiente, assim como a impossibilidade de que representantes da sociedade civil tenham capacidade de influência nas esferas políticas, industriais e financeiras. Os lobos-lobistas sempre estão à espreita para fazer fortuna com a destruição do planeta. Seu distanciamento é também o primeiro gesto crítico de peso que emana do coração do macronismo.

Toda a narrativa opositora que circula dispersa, de imediato, se concentrou na figura de Hulot como denúncia de uma presidência vertical invadida pelos lobistas que influenciam em benefício próprio nas políticas públicas. O conto macronista com o qual o presidente respondeu a Donald Trump quando este saiu do Acordo sobre o clima firmado em Paris, em 2015, terminou com a demissão de Nicolas Hulot. “Make the planet great again” ("Façamos o planeta grande de novo"), havia dito Macron. Não há no horizonte nenhuma vontade de frear ou regular as grandes indústrias que se enriquecem com a morte que semeiam em nosso esgotado território terrestre.

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