França. Cem dias para se apaixonar e se decepcionar com o macronismo

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17 Agosto 2017

Os românticos são decepcionados da realidade (Graham Greence). A sentença do memorável escritor britânico vale bem para os eleitores franceses. Em menos de cem dias de mandato, a França conduziu do alto à superfície o presidente Emmanuel Macron, eleito no último dia 7 de maio, na disputa com a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.

A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada por Página/12, 16-08-2017. A tradução é do Cepat.

Macron completou, neste dia 15 de agosto, cem dias de uma presidência que se iniciou como a hora zero de uma nova forma de governar, mas que não convenceu um eleitorado de rápida mudança de humor. A sensação diante dos primeiros passos do Executivo é a de uma instabilidade expressiva e traduz mais uma espécie de humor severo, que uma avaliação da ação política, cuja curva descendente contrasta com a solidez alemã e os quatro presidentes franceses que a chanceler alemã Angela Merkel viu desfilar nas cúpulas europeias. Emmanuel Macron (perdeu 20 pontos desde maio) é reprovado de maneira totalmente contrária ao ex-presidente François Hollande, que, em agosto de 2012, era criticado porque havia feito muito pouco. De Macron se diz que fez muito, muito rápido e de forma autoritária.

Entre as principais medidas e ações que foram o fio narrativo destes cem dias está a adoção da lei sobre a moralização da vida política, a tentativa a todo preço de controlar os déficits orçamentários e o texto que autoriza o Executivo aprofundar a reforma trabalhista, mediante decretos. No plano internacional, Macron acumulou mais pontos que dentro de seu país, com dois fortes momentos: a visita do presidente norte-americano Donald Trump e do russo Vladimir Putin. Christophe Castaner, porta-voz do governo, escreveu em sua página Facebook que este início de mandato “permitiu assentar as bases de uma transformação profunda”. A avaliação é otimista demais, mas válida na caneta de um porta-voz.

De fato, assim que começou a ocupar o Palácio presidencial, o Eliseu, Macron já precisou administrar sua primeira crise a partir de um problema que, em grande medida, havia facilitado sua eleição em maio: a corrupção política e o mau costume francês de confundir a Assembleia Nacional ou o Parlamento Europeu com uma sucursal das poupanças familiares.

Em um curto tempo, justamente após as eleições legislativas de junho, na qual seu partido, A República em Marcha, obteve a maioria absoluta, Macron precisou aceitar a renúncia de três ministros centristas (MoDem): François Bayrou, Marielle de Sarnez e Sylvie Goulard. Os três estavam sendo investigados na promotoria de Paris pelo emprego dos assistentes parlamentares do parlamento europeu, pertencentes ao partido centrista.

A mesma ação judicial tem cercado, hoje, ao partido de extrema-direita Frente Nacional e foi um escândalo familiar, desta vez na Assembleia Nacional francesa, o que decapitou a campanha eleitoral do candidato da direita, François Fillon, também acusado pelos impalpáveis trabalhos que a esposa e os filhos realizaram na Assembleia. A renúncia destes ministros de um partido chave na vitória final de Macron (se aliou com o MoDem para as presidenciais) obrigou o primeiro-ministro, Édouard Philippe (direita), a remodelar o gabinete. Mais tarde, outro escândalo voltou a golpear o chefe de Estado. Desta vez, foi o caso de um de seus mais próximos estrategistas, que também renunciou em seu governo, Richard Ferrand, envolvido em um nebuloso assunto de operações imobiliárias revelado pelo semanário satírico Le Canard Enchaîné e o vespertino Le Monde.

Com a renúncia de Ferrand, Macron perdeu um quarto ministro. E pode haver um quinto, caso a justiça aprofunde as investigações em curso acerca da ministra do Trabalho, Muriel Pénicaud, também citada em um caso de “favoritismo” quando dirigia a Business France, Agência Nacional da internacionalização da economia francesa. A justiça reuniu “indícios graves e concordantes” contra a atual Ministra em torno da organização, em Las Vegas, e com a presença do então ministro da Economia de François Hollande, Emmanuel Macron, de um evento destinado a promover as startups francesas. O caso de Muriel Pénicaud é ainda mais delicado, pois é sobre ela que recai a tarefa de defender o texto mais controvertido das reformas macronistas, ou seja, o da reforma trabalhista. Em suma, o que deveria ser o símbolo de um mundo novo foi alcançado, manchado, pelas mecânicas do passado.

O chefe de Estado também perdeu pelo caminho o general Pierre de Villiers, ex-chefe do Estado Maior Conjunto, que enfrentou Macron pelos cortes orçamentários decididos para 2017 nas contas da defesa nacional. No total, desde que Emmanuel Macron foi eleito em maio, a Assembleia Nacional adotou seis leis. Não se distingue nesta ação nascente nenhum sinal de ousadia maior, nem de transgressão do sistema. Ao contrário. O presidente fez economias ali onde todos colocam o bisturi: nas classes médias e populares. Tudo caminha lentamente. O macronismo avança com cautela. Sabe que os românticos também são rebeldes perigosos.

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