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26 Julho 2017

O enigma começa a se desfazer e o presidente francês, Emmanuel Macron, paga por isso. O homem que venceu as eleições presidenciais de abril e maio passados com um posicionamento que os franceses chamam de “nem nem”, nem de esquerda, nem de direita, e que alguns qualificaram como “extremo centro”, sofreu uma queda espetacular nas pesquisas de opinião. Queda de 10 pontos, entre junho e julho, segundo a pesquisa da empresa Ifop. Macron passou de 64% de satisfação para 54%. Sua queda se deve essencialmente ao amanhecer de um desencanto por uma ação governamental que está longe do “nem nem”, que demonstra que é mais de direita que de centro e que há uma distância abismal entre a realidade e as narrativas de mudanças, quanto ao passado, que o conduziram à vitória.

A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada por Página/12, 25-07-2017. A tradução é do Cepat.

A sociedade começa a ver que é mais do mesmo. Cinco de seus ministros tiveram que apresentar sua renúncia, em apenas um mês, por estarem envolvidos em nebulosas tramas de dinheiro, os impostos aumentaram para as classes menos favorecidas, o Executivo diminuiu o montante de certas ajudas sociais e se prepara para apresentar uma versão mais dura da reforma trabalhista já aprovada durante o mandato do ex-presidente François Hollande. A isso se soma o enfrentamento que Emmanuel Macron protagonizou com o renunciante ex-chefe de Estado Maior, o general Pierre de Villiers, com quem Macron adotou um perfil que coincide com as críticas mais frequentes que recebe: o autoritarismo. Embora seja verdade que o general criticou, em termos vulgares, a perda de mais de 800 milhões de euros no orçamento da Defesa, o Chefe de Estado apresentou a solução ao desentendimento com o general com a renúncia deste como única alternativa.

“E se por acaso o novo mundo político se parecesse furiosamente com o antigo?”, questiona-se o matutino Libération em um de seus últimos editoriais. O advento de uma democracia essencialmente refrescada ficou, no momento, nos sonhos retóricos. O presidente está deixando a impressão de ser mais um tecnocrata, na melhor tradição da União Europeia, que o gestor de um centro humanista. A decisão do Executivo de baixar em cinco euros mensais a ajuda personalizada à moradia (APL) ao mesmo tempo em que divide por dois o imposto às grandes fortunas (ISF) delineou uma linha governamental em total contradição com as promessas de campanha.

Somou-se também a isso o tratamento autoritário que o macronismo mantém com a imprensa. Após uma série de incidentes entre a presidência, o Executivo e os meios de comunicação, 20 redações (AFP, BFM TV, Europe 1, l’Express, France 2, Libération, o noticiário do canal M6, Mediapart, Le Monde, Le Nouvel Observateur, Le Point, Premières Lignes Télévision, Radio France, RFI, RTL, Télérama, la Vie, Dream Way Production, LaTéléLibre) denunciaram constantes pressões. O macronismo ameaça os jornalistas com julgamentos, telefona para as redações, seleciona os jornalistas que acompanham o presidente, o qual, por sua vez, se mantém o mais distante possível dos meios de comunicação. Só concedeu uma entrevista a 8 jornais e, inclusive, suprimiu a habitual entrevista presidencial do 14 de julho, dia da festa nacional francesa.

O macronismo se mostra globalmente empenhado em retirar da imprensa sua função verificadora. Não faz isto a golpes de tuítes mentirosos como o mandatário estadunidense Donald Trump, mas de uma forma mais construída e, é claro, civilizada. Macron também recorre à “comunicação direta” com os franceses por meio das redes sociais, ao mesmo tempo em que seu partido, A República em marcha, busca montar sua própria plataforma de produção para “difundir suas mensagens no terreno”. Há uma intenção assumida de retirar a imprensa do meio ou, ao menos, de diminuir e desacreditar seu papel de auditora da política.

Até agora, a queda de 10 pontos foi constatada por apenas uma pesquisa. Esta é, no entanto, muito forte. É preciso voltar a 1995 (presidência de Jacques Chirac) para encontrar um exemplo tão baixo. Nem seus dois predecessores, o socialista François Hollande e o conservador Nicolas Sarkozy, tinham perdido tantos pontos em tão pouco tempo. A “nova era” da democracia se desdobra com muitos condimentos da antiga. Os mais necessitados pagam a conta dos déficits com medidas antissociais que amputam, mais uma vez, os benefícios de que gozavam. O sistema de aposentadorias parece se dirigir novamente para uma reforma cujo peso cairá sobre os debaixo. A verdadeira relação de forças já será medida em fins do verão europeu, em setembro, quando for iniciada a discussão do novo capítulo da reforma trabalhista.

O macronismo se ilumina com encenações internacionais muito bem montadas: visitas de Vladimir Putin e Donald Trump administradas com fineza de alta costura, encontro, ontem, do presidente Macron com Bono, o líder do grupo U2, e amanhã com a cantora Rihanna, no Eliseu. Os dois visitantes estão envolvidos com a ação social através das ONGs que fundaram. Isso lança sobre Macron um brilho internacional cuja estrutura nada tem de novo. As fotos e as imagens televisivas dessas sequências enchem as páginas das redes sociais e dos meios de comunicação. Não parecem ser o suficiente para encher o coração da França, que segue esperando o mundo novo que lhe prometeram.

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