A missão da Igreja está em jogo na luta contra os abusos. Entrevista com Hans Zollner

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20 Agosto 2018

Dor, vergonha, raiva. Esses são os sentimentos predominantes na comunidade católica e na sociedade civil estadunidense após a publicação do relatório sobre os abusos sexuais na Pensilvânia. Muitos expressaram seu desalento escrevendo aos jornais ou nas mídias sociais. Uma reação que sublinha toda a gravidade de um fenômeno terrível. O Vatican News entrevistou o padre jesuíta Hans Zollner, membro da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores e presidente do Centro para a Proteção dos Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana.

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada em Vatican News, 18-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Certamente são números chocantes, aterrorizantes, que nos mostram uma dimensão da qual não nos dávamos conta até alguns anos atrás. Esse relatório segue a linha de outros relatórios que já vimos. Por exemplo, segue o da Comissão Real do governo australiano e de outros relatórios que praticamente confirmam que um número entre 4% e 6% dos sacerdotes ao longo de cerca de 70 anos foram acusados ou condenados por abusos de menores”, afirma o Pe. Zollner.

“Devemos nos dar conta de que muitas pessoas que tinham a tarefa de proteger os menores abusaram deles! Devemos nos dar conta de que, durante muitas décadas na Igreja, não reagimos seriamente na luta contra esses crimes, não punimos, ao contrário, muitas vezes essas pessoas – os abusadores – foram defendidas, até mesmo pela hierarquia, pelos bispos ou pelos provinciais.”

Eis a entrevista.

Padre Zollner, obviamente, há uma questão de regras, de normativas, de controles. Mas talvez até mais forte do que a da mentalidade, da mudança de atitude...

Não se trata apenas de executar as normas, mas devemos nos dar conta de que a proteção dos menores é uma tarefa central da missão da Igreja, e os primeiros que devem levar em frente essa missão são os sacerdotes, os clérigos e todas as pessoas que trabalham dentro da Igreja.

Muitos fiéis se perguntam como isso foi possível. Chama a atenção o que disse o presidente dos bispos dos Estados Unidos, o cardeal DiNardo, ao falar de “catástrofe moral”. Como é possível se reerguer de uma catástrofe moral de credibilidade? Que credibilidade a Igreja tem hoje diante do mundo, das pessoas?

Com efeito, é algo muito misterioso, tristemente misterioso. Como é que, dentro da Igreja, por tantos anos, foi possível tal comportamento por parte de alguns sacerdotes? E outros, muitos outros, sabe-se lá se sabiam e se, de algum modo, permitiram que esse mal continuasse... Também os responsáveis que transferiram um sacerdote abusador de uma paróquia para outra, de uma diocese para outra... Isso realmente deve acabar, não só pela credibilidade da Igreja, mas também pela sua própria existência e missão, porque assim ela não segue o exemplo do seu Mestre, que – como diz justamente o Evangelho deste domingo – quer que os menores, as crianças, vão até ele.

Ir até o fim significa pedir ao Senhor da história o que ele quer nos dizer. Eu acho que realmente não se trata apenas de uma questão de credibilidade ou não, porque a credibilidade cresce quando se faz aquilo que se diz. Com todas essas revelações e relatórios, com razão, as pessoas estão decepcionadas e perguntam: “Mas o que esses sacerdotes e bispos fazem, pois dizem uma coisa, proclamam o Evangelho, mas concretamente fazem o contrário?”.

Qual é, portanto, o desafio mais importante agora, na sua opinião?

Um dos desafios mais importantes é não cair, neste momento, na “armadilha” de querer resolver tudo e visar apenas a uma ação superficial. É preciso ir até o fim e perguntar ao Senhor, através da oração, em silêncio, com toda a vergonha, com toda a tristeza e com toda a sinceridade possível, o que ele quer de nós, o que deveria ser um sacerdote hoje, como devemos formar os novos sacerdotes, a que devemos apontar. Isso não é algo que nós devemos ou podemos resolver. Estou profundamente convencido de que há algo maior e que o Senhor nos chama a repensar o nosso sentir e o nosso pensar a Igreja.

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