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14 Agosto 2018

A história não gosta de se repetir: por isso, é sempre bom desconfiar dos diagnósticos do presente fundamentados em analogias com épocas passadas. No entanto, é difícil negar que a atual crise política dos sistemas democráticos do Ocidente apresente características não muito diferentes daquelas que, nos anos 1920-30, abriram o caminho para a era dos fascismos. Na verdade, não é por acaso que uma centena de anos após a publicação do ensaio no qual Oswald Spengler anunciava entusiasticamente A Decadência do Ocidente e o nascimento da uma idade antiliberal, em nome de "da nobreza do sangue e de ferro" hoje nos questionamos preocupados sobre as razões para a "decadência do liberalismo ocidental", para retomar o título do recente ensaio de Edward Luce. Fui justamente refletindo sobre as consequências provocadas por aquela "destruição da razão" europeia que, na década de 1940 pensadores e políticos de diferentes e, muitas vezes distantes, inspirações culturais e filosóficas, cristãs, liberais e socialistas, uniram-se naquele idem sentire europeu que garantiu ao Velho Continente uma época de paz e bem-estar jamais conhecidos no passado. Contra esse idem sentire, europeizante levantou-se o soberanismo populista xenófobo no signo da democracia iliberal.

O comentário é de Angelo Bolaffi, filósofo, ex-professor de Filosofia Política na Universidade La Sapienza de Roma, em artigo publicado por La Repubblica, 11-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

E, exatamente como um século atrás, a Itália corre o risco de se revelar o elo mais fraco na corrente: se de fato o nosso país se tornar a "Visegrád no coração do Mediterrâneo" então, como corretamente advertiu Massimo Cacciari no apelo lançado no jornal Repubblica, o projeto dar vida a uma União Europeia poderá conhecer uma crise sem retorno. Por isso a gravidade do perigo chama à mobilização política e intelectual, e dá sentido à afirmação provocativa lançado por Daniel Cohn-Bendit, segundo o qual o confronto entre pró-europeus e antieuropeus é a versão atual da histórica oposição entre direita e esquerda. Mas como podemos transformar o apelo para um compromisso com a construção de uma nova narrativa pró-europeia capaz de se tornar hegemônico entre as pessoas? Como podemos criar um novo sentimento de pertencimento entre os povos do Velho Continente, como sugeriu o presidente francês Emmanuel Macron em setembro passado em seu histórico discurso na Sorbonne? Um pertencimento que os retóricos do novo soberanismo barulhento e espalhafatoso gostariam de construir sobre uma identidade exasperada, sob a bandeira do nacionalismo e fundada sobre o egoísmo cínico protegido pelos novos muros do ódio e da indiferença. Identidade esta tão impotente quanto precursora de futuros conflitos entre os povos da Europa.

Quais são as difíceis escolhas a serem feitas para que a Europa decida, como afirmado por Angela Merkel, "tomar o seu destino nas suas próprias mãos"? Durante meio século, o projeto de construção de uma União Europeia conseguiu progredir graças à garantia militar, econômica e política representada pelos Estados Unidos: hoje já não é mais assim. Aliás, a política voltada para a America first da administração Trump ameaça seriamente a aliança transatlântica que, nascida sob o signo de Roosevelt e Churchill nas horas mais escuras da

Segunda Guerra Mundial, tinha ajudado a afirmação dos valores liberais e o nascimento de uma Europa voltada aos direitos políticos e sociais. Se realmente quisermos "nos preparar para as europeias", não serão suficientes apenas os apelos ou as memórias nostálgicas dos bons tempos que passaram. A construção de uma defesa europeia comum, por exemplo, capaz de garantir as fronteiras externas da União exige um esforço econômico e político, e até mesmo ético, de ampla magnitude: estamos realmente prontos para nos empenhar em tal sentido, para renunciar a um pouco de bem-estar para aumentar o orçamento da defesa?

Para derrotar o desvio racista ilusório e perigoso da Liga soberanista e de suas tropas dos 5Stelle, não bastam as boas intenções para com os "desfavorecidos da Terra" ou os apelos, embora meritórios, com os quais muitas vezes acreditamos poder sair dos problemas. Sobre a questão migratória, escolhas difíceis e controversas serão inevitáveis justamente para as forças de esquerda. Por essa razão, como apontou Guido Crainz, caberá aos intelectuais de esquerda sair daquela postura cética que caracterizou sua atitude em relação ao tema da Europa. Em muitos casos, de fato, o seu foi um europeísmo relutante no signo de um distanciado "sim, mas" como se fosse a tarefa de outros defender conquistas sobre cuja importância nos damos conta hoje, quando, porém, elas correm o risco de serem irremediavelmente perdidas.

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