Colômbia. 330 anos para sair da pobreza. Por que na Colômbia são necessárias 11 gerações para sair da pobreza e no Chile 6. No Brasil, 9 gerações

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13 Agosto 2018

"Os pés descalços de Nigua, de 9 anos, o levam a toda velocidade pelas cambaleantes tábuas de madeira de San Vicente, um dos bairros mais pobres da cidade mais pobre da Colômbia: Quibdó. Dois metros abaixo está a água do rio Atrato, que durante a noite aumentou. As tábuas, sustentadas por estacas, são a única coisa que se conserva um pouco seca depois de horas e horas de chuva".

A reportagem é de Yeison Gualdrón, publicada por BBC News, 12-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

O que seguramente Nigua não sabe é que se não acontecer algo extraordinário terá que esperar 330 anos para sair da pobreza, o equivalente a 11 gerações, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O estudo, que se estendeu por quatro anos e incluiu mais de 20 países em diversas partes do mundo, assinala que a mobilidade social estagnou e a desigualdade aumentou na última década.

Entre suas conclusões, o relatório estabelece que para sair da pobreza uma criança terá que esperar 2 gerações na Dinamarca, 3 na Finlândia e 5 nos Estados Unidos.

Na América Latina, deverá esperar 6 gerações no Chile e 6 na Argentina. No Brasil serão 9 e 11 na Colômbia.

Fonte: BBC News

"Isto é decepcionante", afirmou Gabriela Ramos, diretora geral da OCDE, na conversa com BBC Mundo.

"O problema é que tem ocorrido um crescimento excepcional da riqueza, mas vemos, ao mesmo tempo, como há famílias que continuam presas na pobreza ou em trabalhos informais de má qualidade".

"O país mais desigual da América Latina"

Segundo Ramos, a Colômbia é o país mais desigual da América Latina por sua alta concentração de renda. E não se trata da medida que habitualmente é feita utilizando o Coeficiente de Gini.

No estudo da OCDE "Um elevador social quebrado? Como promover a mobilidade social", os pesquisadores analisaram os rendimentos dos lares de 40% da população com menos recursos econômicos e dos 10% mais ricos.

Foi aí que observaram as lacunas na distribuição de renda, mas lhes chamou especialmente a atenção as diferenças regionais do país e a baixa qualidade no acesso a trabalhos de boa qualidade.

Grande parte da população vive no mundo do emprego informal, sem possibilidades reais de melhora.

"Não têm cobertura médica, nem pensões, nem serviços básicos. Então, as dificuldades se reproduzem porque o impacto redistributivo do sistema de impostos e de segurança social não chega aos mais pobres", acrescenta Ramos.

Sair e voltar a cair

Em vários países da região há famílias que conseguem sair da pobreza, mas que em um piscar de olhos voltam a cair, algo que alguns especialistas costumam chamar de classe média vulnerável que volta a sua situação original diante de qualquer imprevisto.

Basta que um membro da família fique doente, por exemplo, para que o círculo volte a se repetir. É que assim como se herda a riqueza, também se herda a pobreza.

Vários governos realizaram transferências financeiras para reduzir a pobreza, mas esse tipo de política não resolve o problema de fundo da desigualdade.

E no caso da Colômbia, afirma Ramos, a situação é ainda mais grave. Além disso, o país tem resultados precários nas provas internacionais que medem a qualidade da educação, fator essencial para a mobilidade social.

"Na Colômbia há apenas cerca de 11% de estudantes resilientes, que são aqueles que obtêm qualificações mais altas do que seu status socioeconômico poderia prever".

"No Chile há menos trabalho informal"

Chile tem mais mobilidade social, mas é muito volátil.

"Tem um nível de emprego informal mais baixo que a Colômbia, o Brasil ou o México", comenta Ramos. "Aparentemente o impacto dos gastos públicos é muito mais importante no Chile do que em outros países".

30% das famílias mais pobres daquele país têm a possibilidade de ascender economicamente, mas paralelamente, cerca da metade dos que melhoram voltam a sua condição anterior, o que gera uma alta volatilidade.

O outro fator é o crescimento econômico, que no Chile se mantém estável e permitiu reduzir a diferença, além dos efeitos dos programas sociais e dos benefícios para que as empresas possam investir na educação dos trabalhadores.

"Todos sabemos do grande esforço que os pais precisam fazer no Chile para que seus filhos estejam nas melhores escolas particulares. É um grande esforço familiar", disse a pesquisadora.

Mobilidade estancada

Neste contexto, Ramos coloca que o papel do Estado é nivelar as desvantagens que são produzidas no mercado, mas sua análise aponta que em países como México e Colômbia, as políticas não tiveram sucesso neste terreno.

Pelo contrário, vários países da região não terminaram de construir seus sistemas de proteção social e se focaram mais em atenuar os efeitos da pobreza.

Tanto esta pesquisa como outras, insistem na necessidade de destinar recursos para a educação pré-escolar.

O que se tem percebido com o passar dos anos é que aumentou a cobertura educacional, mas a qualidade segue deficitária.

México e Brasil, por exemplo, melhoraram seus resultados em Matemática e Linguagem, mas continuam muito abaixo do lugar que deveriam ter se considerada a renda per capita.

"A educação de baixa qualidade gera empregos de má qualidade e assim se reproduz o ciclo de desvantagens", disse Ramos.

Desvantagens que perseguem a região há décadas e que, em alguns casos, se negam a desaparecer.

"Na América Latina a mobilidade estagnou. Penso que agora estamos voltando, mas com muitas incertezas no caminho".

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