Padre Paolo Dall'Oglio, cinco anos depois de seu sequestro. O irmão Pietro: "Para nós, você já é vencedor"

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01 Agosto 2018

Em 29 de julho, há cinco anos, foi sequestrado em Raqqa (Síria) o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio, fundador da comunidade monástica síria de Mar Musa. Nestes cinco anos, muitos rumores chegaram sobre o seu destino, sem qualquer confirmação. O SIR quer lembrar o jesuíta envolvido no diálogo inter-religioso, através das palavras – e da música - de seu irmão, o músico Pietro Dall'Oglio.

A entrevista é de Daniele Rocchi, publicada por SIR, 28 -07- 2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Paolo, onde você está, com quem você está, você está falando ou você está em silêncio, talvez tenha alguém que esteja te escutando. Talvez você esteja com medo, ali sozinho, o que será que você pensa. Os seus silêncios são mistérios para nós, suas memórias vêm e vão profundas entre os pensamentos ... Mas para nós, você já é vencedor ...".

Essa é a letra do rap chamado "Abuna Paolo", composto pelo músico Pietro Dall'Oglio, irmão do jesuíta Paolo, que foi sequestrado em Raqqa (Síria) em 29 de julho, há cinco anos. A partir desse dia sobre seu destino surgiram tantos rumores, mas sem qualquer confirmação.

O padre Paolo Dall'Oglio, fundador da comunidade monástica síria de Mar Musa, tinha ido para a cidade, então capital síria do Estado Islâmico (ISIS), para participar, em 28 de julho, de um comício organizado por estudantes locais. Em um vídeo do evento o padre Dall'Oglio pode ser visto pedindo por liberdade, unidade e cultura para a Síria e seus habitantes. No dia seguinte, o jesuíta foi até a sede do Estado Islâmico e depois desapareceu sem deixar vestígios. Empenhado no diálogo inter-religioso, o padre Dall'Oglio foi expulso em 2012 pelo regime do presidente Assad. Cinco anos depois de seu sequestro, o SIR entrevista seu irmão, Pietro Dall'Oglio.

Eis a entrevista.

Cinco anos após o sequestro de seu irmão Paolo, como é viver essa espera?

Com trepidação, tristeza e preocupação. Esperamos que as instituições estejam acompanhando o caso. Eu imagino que sim.

A queda de Raqqa, em outubro passado nas mãos dos curdos, abriu algum vislumbre sobre o destino de seu irmão, testemunhas ou ex-combatentes que poderiam saber algo e que tenham falado?

Havia rumores, infelizmente, relacionados à sua morte. Mas nunca tivemos uma confirmação oficial, muito menos alguma prova.

Conhecemos o grande amor pela Síria e por seu povo do padre Paolo. Quais palavras descrevem melhor a missão na Síria?

Primeiro de tudo, seu grande amor por Deus, que quis demonstrar e praticar tentando unir e não dividir, em um lugar onde as divisões são acentuadas.

Um homem apaixonado por Deus, pelo diálogo e pela justiça, comprometido em construir pontes entre diferentes culturas, religiões e tradições. Em seu mosteiro de Mar Musa rezavam juntos muçulmanos, católicos e ortodoxos.

Aquele mosteiro de Mar Musa, que ele fundou, representa a voz de Padre Paolo que continua a lançar mensagens de paz e de diálogo ...

O Padre Paolo tinha previsto tudo e, infelizmente, não foi ouvido. Se desde o começo organismos internacionais como a ONU e as forças de paz, tivesse intervindo com cordões humanitários para evitar as carnificinas, teriam evitado a fuga de milhões de pessoas.

Esse mosteiro é também a memória de um tempo passado, em que ainda havia muita esperança, hoje reduzida a uma pequena centelha. Mas continuamos a esperar porque é o que meu irmão gostaria.

Lembrar-se hoje de Padre Paolo também pode servir para lembrar a tragédia síria que a cada dia que passa cai mais no esquecimento?

Significa lembrar o drama do povo sírio que sofria há décadas um regime ditatorial. Eu tive sorte de visitar a Síria há muitos anos e é um país lindo, uma obra de arte, uma cultura maravilhosa. Hoje, infelizmente, tudo foi destruído. A Síria é um país martirizado.

Existe uma mensagem entre as preferidas do Padre Paolo que hoje mereceria ser relançada?

Meu irmão era pela paz, mas não a todo custo. Quero dizer que, se em alguns momentos havia situações que exigiam uma intervenção, era necessário intervir. Como um profundo crente, um admirador do Papa, ele buscava a paz, mas também a salvação de um povo.

Depois de seu sequestro, você dedicou um rap a seu irmão ...

É chamado de "Abuna Paul", como era conhecido na Síria. Nos meus shows costumo cantá-lo e é sempre uma emoção. No final da minha música escrevo estas palavras: "o importante é que você tenha dado um sentido à sua vida". É isso, o meu irmão deu um sentido à sua vida até o fim. O seu, é um apelo para viver ao máximo".

Certa vez você me disse: "Meu irmão está vivo e vou continuar a pensar isso até ver seu corpo, ou ouvir as palavras de alguém em que eu confio cegamente"

Eu ainda estou convencido disso. Se meu irmão estivesse vivo, seria um milagre, mas porque a situação na Síria é totalmente nebulosa espero que, em sua fuga para o Iraque, os combatentes do ISIS o tenham levado com eles.

O que sonho é que algum líder do Estado Islâmico mantenha como refém o meu irmão e o use como salvo-conduto para salvar sua vida. Essa é a minha esperança e talvez a única coisa em que posso me agarrar.

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