Austrália. Arcebispo de Adelaide, condenado por acobertamento, cede às pressões e renuncia

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31 Julho 2018

Fez-se esperar, mas, finalmente, se conseguiu. O arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, condenado por acobertamento, sucumbiu às pressões e apresentou sua renúncia, aceita imediatamente pelo Papa Francisco.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 30-07-2018. A tradução é do Cepat.

Wilson, o eclesiástico de maior categoria do mundo a ser condenado por acobertamento de abusos, negava-se a renunciar até que se substanciasse o recurso apresentado diante dos tribunais australianos, mas sabia que não contava com o apoio do Episcopado do país, e muito menos do Papa, que dias após a condenação nomeava um administrador apostólico com plenos poderes na diocese.

Finalmente, conforme anuncia o Bolletino, Wilson renunciou ao cargo. O religioso terá que esperar até o dia 14 de agosto para ver se sua pena (12 meses de prisão) será cumprida na prisão ou sob prisão domiciliar, pois o prelado sofre Alzheimer e problemas de coração.

Assim que a renúncia se tornou conhecida, os bispos australianos emitiram um comunicado no qual esperavam que esta condenação possa dar “uma sensação de paz e cura aos abusados pelo sacerdote falecido” e reconhecem que os efeitos do abuso sexual “podem durar a vida toda”. “É preciso uma grande coragem para que os sobreviventes se aproximem para contar suas histórias”, dizem os bispos e afirmam que graças a eles puderam aprender a lição de sua “vergonhosa história de abuso e ocultamento”.

“A Igreja australiana realizou mudanças substanciais para garantir que o abuso e o acobertamento já não façam parte da vida católica e que as crianças estejam seguras em nossas comunidades”, destaca a nota, na qual os bispos se comprometem a “trabalhar com aqueles na Igreja e na sociedade que estão buscando implementar padrões de preservação fortes e consistentes” na Austrália.

Por sua parte, o bispo Greg O’Kelly, nomeado pelo Papa Francisco como Administrador Apostólico da Arquidiocese de Adelaida, no último dia 3 de junho, também interveio, afirmando que “devemos ser conscientes do impacto nos sobreviventes, em suas famílias e em todos aqueles que os amam”.

“Fui testemunha da angústia e a dor das vítimas”, disse o bispo, que pede que a Igreja continue fazendo tudo o que for possível para escutar e apoiar as vítimas, pois é fundamental “nosso compromisso com a segurança de cada criança em nossa Igreja e em nossas escolas”, conclui.

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