Humanae vitae, 50 anos depois. Artigo de Lucetta Scaraffia

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26 Julho 2018

“É muito importante conseguir olhar para a Humanae vitae com olhos novos, olhos de seres humanos que vivem no século XXI, já conscientes do fracasso de tantas utopias e de tantas teorias econômicas que haviam sido propostas como infalíveis.”

A opinião é da historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade de Roma “La Sapienza”. O artigo foi publicado em L’Osservatore Romano, 25-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Cinquenta anos depois da publicação, a encíclica Humanae vitae de Paulo VI se apresenta aos olhos das pessoas de hoje de modo completamente diferente: em 1968, ela era um documento corajoso – e, portanto, controverso – que ia contra o ar do tempo, o da revolução sexual, que, para ser realizada, eram fundamentais um contraceptivo seguro e também a possibilidade de aborto.

Era também o tempo em que os economistas falavam de “bomba humana”, ou seja, o perigo de superpopulação que ameaçava os países ricos e podia diminuir sua prosperidade.

Duas forças poderosas, portanto, se enfileiravam contra a encíclica: a utopia da felicidade, que a revolução sexual prometia a cada ser humano, e a riqueza, que seria a consequência lógica de uma diminuição da população em grande escala.

Hoje, 50 anos depois, vemos as coisas de uma maneira completamente diferente. Essas duas visões utópicas se realizaram, mas não trouxeram os resultados esperados: nem a felicidade nem a riqueza, mas sim novos e dramáticos problemas. Se o colapso da população nos países avançados está se confrontando com dificuldade com a chegada de massas de imigrantes necessários, mas, ao mesmo tempo, inaceitáveis para muitos, a partir do controle médico de natalidade, iniciou a invasão da procriação por parte da ciência, com resultados ambíguos, muitas vezes preocupantes e perigosos.

Hoje, quando estamos pagando todos os custos de uma desnatalidade brusca e forte, quando tantas mulheres após anos de anticoncepcionais químicos não conseguem conceber um filho, damo-nos conta de que a Igreja tinha razão, que Paulo VI havia sido profético ao propor uma regulação natural dos nascimentos, que salvaria a saúde das mulheres, a relação do casal e a naturalidade da procriação.

Hoje, quando as moças apaixonadas por ecologia se dirigem aos métodos naturais de regulação da fertilidade, mesmo sem saber que existe a Humanae vitae, hoje, quando os governos tentam implementar políticas que favoreçam a natalidade, devemos reler a encíclica com outros olhos.

E, em vez de vê-la como a grande derrota da Igreja diante da modernidade desenfreada, podemos reivindicar a sua lucidez profética na compreensão dos perigos inerentes a essas mudanças e felicitar-nos, nós, católicos, porque, mais uma vez, a Igreja não caiu na armadilha tentadora das utopias século XX, mas soube captar imediatamente os seus limites e os seus perigos.

Mas poucos conseguem: para muitos, ainda é difícil se separar da velha contraposição entre progressistas e conservadores, dentro da qual a encíclica foi despedaçada, sem captar seu espírito crítico e sua força inovadora. Mesmo agora, ninguém parece lembrar que, pela primeira vez, um papa aceitou a regulação dos nascimentos e convidou os médicos a buscarem métodos naturais eficazes.

Por isso, é muito importante conseguir olhar para a Humanae vitae com olhos novos, olhos de seres humanos que vivem no século XXI, já conscientes do fracasso de tantas utopias e de tantas teorias econômicas que haviam sido propostas como infalíveis.

Só assim podemos enfrentar os problemas de hoje da família, o novo papel das mulheres e as difíceis relações entre ética e ciência, cujas raízes estão – ainda que inconscientemente, em alguns aspectos – naquele texto do distante ano de 1968.

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