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19 Julho 2018

Mesmo com o Consistório de junho Francisco deixou por resolver o problema da inserção dos patriarcas católicos orientais no organograma do poder na cúpula da Igreja romana: um problema eclesialmente complicado.

O artigo é de Luigi Sandri, publicado por Trentino, 16-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

As Igrejas católicas orientais – aproximadamente vinte, com um total de vinte milhões de fiéis na Europa Oriental, Américas, Oriente Médio e Índia - em condições variáveis, ao longo dos últimos cinco séculos, nasceram de divisões dentro de uma Igreja-mãe ortodoxa: não indivíduos, mas grupos significativos de fiéis, com bispos, monges e sacerdotes decidiram reconhecer o papado e, assim, juntando-se a Roma formaram uma Igreja Católica Oriental, liderada por um patriarca, de fato concorrente com aquela originária. E, portanto, como regra, eles são muito mal vistos pelos ortodoxos, que os denominam depreciativamente "uniatas". Apenas os maronitas (Líbano), não têm um correspondente ortodoxo.

Muitas vezes, especialmente no século XIX e no início do século XX, os papas concederam a púrpura a alguns desses patriarcas, que então entravam no conclave. Mas, no contexto do Concílio Vaticano II (1962-65), a questão explodiu: por que os patriarcas, como tais, e sem se tornarem cardeais, não eram admitidos no corpo eleitoral do bispo de Roma, que tem sob seu comando tanto os latinos como os orientais? Porta-voz de tal pedido foi Maximos IV, patriarca melquita (greco-católico) de Antioquia, com residência em Damasco. Mas, por fim, ele se dobrou: em 1965 concordou em ser nomeado cardeal pelo Papa Paulo VI. No entanto, após sua morte, nenhum outro patriarca melquita quis a púrpura. Hoje, alguns patriarcas católicos – o maronita e o caldeu (este, desde o final de junho!) - são cardeais; mas não têm a púrpura o melquita, o copta e o armênio.

Na raiz, portanto, o problema eclesiológico não está resolvido. E isso tem um reflexo ecumênico porque, especialmente no Oriente Médio, os ortodoxos constatam que um patriarca católico, como tal, não é por direito eleitor do papa.

As Igrejas orientais que não têm um patriarca são dirigidas por um arcebispo maior, ou um arcebispo metropolitano, que são autoridades quase equivalentes. Bem, não é cardeal aquele ucraniano, Sviatoslav Shevchuk; são cardeais, em vez disso, aquele de Malabar e Malankara, na Índia, e o etíope. Os patriarcas orientais são eleitos pelos respectivos Sínodos: se inseridos no conclave, representam uma semente da "democracia" no corpo eleitoral do pontífice, há quase mil anos formado por prelados inquestionavelmente escolhidos pelos pontífices.

Para quebrar o que, na prática, é um poder absolutista, há cinquenta anos, o cardeal Leo Suenens, arcebispo de Malines-Bruxelas, propôs que a eleição do papa fosse feita pelos cardeais, porém, justamente com os presidentes das Conferências Episcopais, escolhidos por seus coirmãos. Paulo VI, no entanto, vetou a ideia e, depois disso, nenhum pontífice se atreveu a reabrir a discussão. Mas, mais cedo ou mais tarde, o tema-tabu precisará ser enfrentado.

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