Enquanto os líderes populistas falam sobre a construção de muros, teólogos buscam construir pontes. Reunião em Sarajevo para falar sobre ética

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16 Julho 2018

Enquanto os líderes populistas falam sobre a construção de muros, teólogos buscam construir pontes.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 13-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cerca de 500 teólogos morais e eticistas devem se reunir no fim de julho para um encontro inédito focado em como eles podem responder ao ambiente global geopolítico em mudança e abordar questões candentes como as mudanças climáticas e a migração.

Espera-se que pessoas de cerca de 80 países participem do evento A Critical Time for Bridge-Building: Catholic Theological Ethics Today [Um momento crítico para a construção de pontes: a ética teológica católica hoje], que acontecerá de 26 a 29 de julho em Sarajevo, a capital da Bósnia-Herzegovina.

Entre os oradores, estarão algumas das vozes mais eminentes da ética, incluindo Paul Schotsmans, da KU Leuven, na Bélgica, Linda Hogan, do Trinity College, em Dublin, e o Pe. Charles Curran, da Southern Methodist University, em Dallas.

Também participarão três cardeais: Vinko Puljic, de Sarajevo, Blase Cupich, de Chicago, e Peter Turkson, chefe do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano.

O padre jesuíta James Keenan, um dos principais organizadores do evento, disse que ele está voltado para encontrar formas para que os acadêmicos de diversas partes do mundo se conectem, de modo que possam discernir, uns com os outros, como aumentar o impacto em seus contextos locais.

Embora o grupo de Keenan, o Catholic Theological Ethics in the World Church, organizou dois congressos internacionais de larga escala em 2006 e 2010, este é o primeiro evento organizado com a esperança de promover a ação social.

“Este é um congresso muito diferente”, disse Keenan, um dos três copresidentes do grupo e diretor do Instituto Jesuíta do Boston College. “Esta conferência trata de ação. Quase tudo é sobre: ‘O que eu estou fazendo? O que estamos fazendo? Como podemos fazer isso?’. Não se trata de reportar dados. Trata-se de ação”.

Sigrid Müller, que é decana da Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Viena e participará do congresso, disse que o evento assume uma importância particular, já que os líderes populistas de vários países estão “falando sobre a construção de muros e cercas para defender os interesses nacionais”.

“Em tal clima político, é muito importante que os eticistas se reúnam, pois são aqueles que realmente se preocupam com a humanidade em uma escala realmente internacional”, disse Müller, que também é membro do comitê regional europeu do grupo teológico internacional.

“Como eticistas, acho que precisamos realmente convocar para um novo caminho responsável, para encontrar soluções em nível global, porque esses problemas não podem ser confinados apenas a um Estado-nação”, disse ela. “Eles têm origens globais.”

O grupo Catholic Theological Ethics in the World Church, uma rede de acadêmicos que agora conta com cerca de 1.000 membros, foi lançado em 2006 em um congresso em Pádua, Itália, que se concentrou na abertura de um intercâmbio intercultural entre eticistas.

Uma segunda conferência internacional foi realizada em 2010, em Trento, na Itália, antes que o grupo iniciasse uma série de eventos regionais em lugares tão diversos quanto Bangalore, na Índia; Nairóbi, no Quênia; Berlim, na Alemanha; Cracóvia, na Polônia; e Bogotá, na Colômbia.

Keenan disse que o evento em Pádua, o primeiro encontro de eticistas globais, “foi sobre escutar uns aos outros”. A conferência de Trento, disse, “foi sobre como ter uma noção da história”.

“Agora, é sobre o presente”, disse ele. “É sobre o fato de nós estarmos em um momento kairótico em que temos problemas ambientais e temos esse enorme problema em relação à migração e aos refugiados.”

“O terceiro evento trata do presente e da ação”, afirmou. “É sobre a urgência.”

O congresso de quatro dias está organizado em três partes:

1. Compreender as origens da rede global;

2. Delinear os desafios que a sociedade enfrenta hoje;

3. Definir a “convocação para avançar” dos eticistas.

Os acadêmicos escolhidos para se apresentar ao longo do evento representam uma ampla variedade de origens nacionais e histórias profissionais diversas. Um painel de abertura, por exemplo, inclui Schotsmans, uma autoridade amplamente publicada e respeitada sobre ética médica, e Margaret Ssebunya, doutoranda na Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

Um painel posterior que discutirá “as crises climática e política” incluirá o padre jesuíta George Kodithottam, um teólogo do Gujarat Vidya Deep Regional Seminary, em Vadodara, na Índia, e Mary Yuen, professora de ética social no Holy Spirit Seminary College, em Hong Kong.

Outros painéis incluem a irmã dominicana Alison Munro, chefe do Escritório de Aids da Conferência dos Bispos da África do Sul; Mons. Francisco Niño Súa, secretário-geral associado do Conselho Episcopal Latino-Americano; e Emmanuel Katongole, um ugandense que atualmente estuda no Kroc Institute for International Peace Studies da Notre Dame University, em Indiana, nos Estados Unidos.

Pablo Blanco, cátedra em Teologia Moral na Pontifícia Universidade Católica Argentina, falará no painel plenário de encerramento da conferência. Blanco disse que acha que o evento está buscando “aproximar-se da realidade, não considerando apenas uma visão teórica do mundo, mas tentando descobrir o quanto Deus está presente na realidade”.

Blanco acha particularmente significativa a decisão de realizar o congresso em Sarajevo, que esteve sob um cerco brutal de quase quatro anos durante a Guerra da Bósnia de 1992 a 1995. “Estar lá é estar perto da injustiça”, afirmou. “Ir a Sarajevo é ouvir o chamado do Papa Francisco para ir às periferias.”

Müller observou que Sarajevo, situada a leste do Mar Adriático a partir da Itália e a oeste da Sérvia, tem uma história de cooperação inter-religiosa, com uma população de maioria muçulmana, mas com significativas comunidades de cristãos ortodoxos e católicos romanos.

“Eu acho que também é um sinal do desafio que enfrentaremos, de que no futuro precisaremos de muito mais diálogo e cooperação inter-religiosos”, disse ela. “As preocupações éticas talvez também possam unir grupos religiosos diferentes na tarefa de ajudar e impulsionar a sociedade e de resolver problemas.”

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