Teólogos lamentam a opinião do Papa Emérito sobre Hünermann

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23 Março 2018

Dois importantes teólogos manifestaram publicamente o seu “profundo abatimento e pesar” pela crítica do Papa Emérito Bento XVI dirigida ao teólogo alemão Peter Hünermann.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt e James Roberts, publicada por The Tablet, 22-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A crítica de Bento foi feita em carta ao ex-prefeito da secretaria para as comunicações do Vaticano, o Mons. Dario Viganò. A missiva foi escrita para coincidir com o lançamento de uma série, em onze volumes, publicada sobre a teologia do Papa Francisco no quinto aniversário de seu papado. Viganò fez citações a partir da carta escolhendo aquelas que reforçavam a ideia de “continuidade” entre os papados de Bento e Francisco. Poucos dias depois, o Vaticano se viu forçado a publicar a carta na íntegra, em que Bento manifestava fortes reservas sobre o professor Peter Hünermann, um dos onze teólogos, e enfraquecia a impressão geral de “continuidade”. Subsequentemente Viganò renunciou, escrevendo em carta ao Papa Francisco que “as polêmicas recentes” estavam “desestabilizando” o seu trabalho de reforma do papa.

Mesmo insistindo que não teve “intenção alguma” de censurar a carta, Viganò não havia divulgado a parte em que Bento manifestava “surpresa” com a inclusão de Hünermann como um dos autores dos onze volumes. “Apenas à margem, gostaria de anotar minha surpresa pelo fato de que entre os autores está também o professor Hünermann, que durante meu pontificado se distinguiu por ter liderado iniciativas antipapais. Ele participou de modo relevante no lançamento da ‘Kölner Erklärung’ (Declaração de Colônia), que em relação à encíclica ‘Veritatis splendor’ atacou de forma virulenta a autoridade magisterial do Papa, especialmente em questões de teologia moral”, escreveu Bento.

O Papa Emérito também recordou que o professor havia se envolvido na fundação de uma iniciativa teológica europeia “inicialmente pensada por ele [Hünermann] como uma organização em oposição ao magistério papal”, mas que foi impedida de se desenvolver nesse sentido porque outros teólogos alinhados com o pensamento da Igreja a impediram.

“Também a ‘Europäische Theologengesellschaft’ (Sociedade Alemã de Teólogos) que ele [Hünermann] fundou, inicialmente pensada por ele como uma organização em oposição ao magistério papal. Posteriormente, o sentir eclesial de muitos teólogos impediu esta orientação, tornando-se essa organização um instrumento normal de encontro entre teólogos”, escreveu Bento na Carta.

Os dois teólogos na declaração pública conjunta apresentada em 21 de março, quarta-feira, discordaram profundamente destes comentários. Qualquer um familiarizado com a extensa obra teológica de Hünermann “sabe que as acusações de que Hünermann fora anti-Igreja e antipapal não se aplicam”, declararam a reitora da Faculdade Teológica Católica de Viena, Sigrid Müller, e o teólogo moral Martin M. Lintner, da Universidade de Bozen/Bolzano, na Itália.

Além disso, a “Sociedade Europeia para Teologia Católica – ET”, da qual ambos são ex-presidentes, “nunca, em momento algum, se opôs ao Magistério”, insistiram. Desde o começo a ET foi “uma plataforma pan-europeia para o diálogo entre os teólogos de todas as disciplinas, no contexto dos eventos políticos daquele tempo, em particular com teólogos da Europa central e oriental”, lembraram.

As palavras de Bento atestaram tensões passadas entre teólogos e entre teólogos e o Magistério que deixaram feridas profundas no nível pessoal, afirmaram Müller e Lintner. “Esperamos que estas tensões, que estiveram baseadas em linhas diferentes de argumentação teológica, possam agora dar espaço para uma apreciação mútua”. Além de uma pluralidade justificada de abordagens teológicas, os teólogos “sempre estiveram plenamente cientes do compromisso conjunto deles com a fé, a teologia e a Igreja”, disseram em nota.

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