Macron em Latrão e o ''olhar perdido'' dos migrantes

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27 Junho 2018

O vigário do papa para a diocese de Roma, Dom Angelo De Donatis, conferiu ao presidente francês Emmanuel Macron o título honorífico de protodiácono do Capítulo Lateranense, em uma cerimônia solene na Basílica de São João, ressaltando que essa antiga tradição, hoje, “pretende destacar os esforços de todos os homens de boa vontade” na Europa, “principalmente levando-se em consideração as crescentes dificuldades sociais que vivemos no nosso continente” e denunciando em particular que “uma das doenças mais disseminadas” no Velho Continente é a “solidão”, que se vê no olhar dos idosos abandonados, dos jovens sem perspectivas, dos pobres e no olhar “perdido” dos migrantes.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada em Vatican Insider, 26-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De sua parte, o chefe de Estado francês sublinhou que quer “aprofundar as relações de amizade, compreensão e confiança” que a França tem com a Santa Sé.

Acompanhado pela esposa, Brigitte, Macron – que na manhã dessa terça-feira foi recebido pelo Papa Francisco e, depois, almoçou na sede da Embaixada junto à Santa Sé, na companhia do cardeal Pietro Parolin – chegou à Basílica Lateranense com um atraso de meia hora em relação ao cronograma previsto, em torno das 15h [hora local], e participou de uma cerimônia mais breve e sóbria do que aquela que, em maio de 2012, contou com a participação de Nicolas Sarkozy (entre os antecessores de Macron, nem Georges Pompidou, nem François Mitterrand, nem, por último, François Hollande tomaram posse do seu “assento” em Latrão).

“Senhor presidente”, disse o vigário do papa, De Donatis, cardeal no consistório que Francisco vai presidir na próxima quinta-feira, “com alegria acolhemos o seu ingresso no Capítulo da basílica lateranense, catedral de Roma. Perpetua-se uma memória de uma antiquíssima tradição que liga a grande nação da França à apostólica. Hoje, tal memória pretende ressaltar os esforços de todos os homens de boa vontade, para que cresça a responsabilidade civil nos países da Europa, especialmente levando-se em consideração as crescentes dificuldades sociais que vivemos no nosso continente. O compromisso com o bem comum dos homens e das mulheres que pertencem à cultura europeia, fundada nas raízes culturais estreitamente ligadas à tradição judaico-cristã, nos pede para assumir compromissos proféticas e altíssimos, incluindo a defesa da ‘dignidade transcendente do ser humano’, como disse o Papa Francisco no discurso ao Parlamento Europeu em 25 de novembro de 2014”.

“Falar da dignidade transcendente do homem significa apelar à sua natureza, à sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, àquela bússola inscrita nos nossos corações, e que Deus imprimiu no universo criado”, acrescentou De Donatis.

“Acima de tudo, significa olhar para o homem não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças mais disseminadas na Europa é a solidão, própria de quem vive desprovido de vínculos. Ela pode ser vista particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, jovens desprovidos de pontos de referência e oportunidades para o futuro, inúmeros pobres que povoam as cidades, nos olhos perdido dos migrantes que vieram aqui em busca de um futuro melhor. Nesta basílica, todos os dias, invocamos uma oração pela paz no mundo e pelo progresso do gênero humano. A partir de hoje, senhor presidente, o senhor faz parte da realidade de Latrão em nome de toda a nação francesa. Ao lhe agradecer pelos votos que me enviou pela minha recente nomeação como cardeal – concluiu o vigário de Roma – asseguro-lhe a oração e confio nos esforços que quererá fazer pelo bem-estar dos nossos países e para acompanhar sobretudo os muitos irmãos e as muitas irmãs que buscam o sustento cristão do conforto”.

Em um breve discurso, Macron, por sua vez, contou que decidiu aceitar o convite recebido de Latrão uma semana após a eleição “porque pertence a uma tradição de concórdia, de amizade entre a França e o Vaticano, que eu prezo”.

Macron, depois, especificou que, “como toda tradição, as suas raízes estão bastante distantes e são um pouco obscuras”, e lembrou o nascimento da tradição, que remonta ao rei Henrique IV, que faz com que ainda hoje seja conferido ao chefe de Estado francês esse título honorífico.

“Hoje – continuou – a presença do chefe de Estado francês enfatiza a vontade da França de aprofundar as relações de amizade, compreensão e confiança que tem com a Santa Sé, como eu disse nesta manhã no encontro com sua Santidade, o Papa Francisco. Essas relações são o fruto de uma história, mesmo que essa história seja eminentemente singular, e espero que se desenvolvam ainda mais para permitir que nos empenhemos em favor da paz, pelo bem comum e da força pacífica que permite enfrentar os desafios que o senhor evocou”, disse Macron, que depois renovou seus votos a De Donatis pelo próximo consistório.

Acolhido em Latrão também pelos canônicos da cátedra de Roma, o presidente francês, em seguida, dirigiu-se com seus convidados para a Capela Colonna, onde assinou os documentos e tomou posse, entre os aplausos dos presentes, do “assento” de canônico.

O Capítulo presenteou o novo protocanônico com uma cópia da cruz lateranense, que lhe foi entregue pelo Mons. Enrico Feroci, camerlengo do Capítulo, além de diretor da Cáritas diocesana de Roma. Depois, foi mostrada ao líder francês a estátua de bronze de Henrique IV, primeiro protocanônico de honra, localizada no pórtico de Sisto. Por fim, ele visitou o piso nobre do Palácio Apostólico Lateranense, com a sala da Conciliação e a sala dos Imperadores.

Depois da celebração, a primeira-dama, Brigitte, dirigiu-se ao convento de Trinità dei Monti, gerido pela Communauté de l’Emmanuel.

Antes de retornar para Paris, Macron encontrou-se com os jornalistas franceses na sede da Embaixada francesa junto à Santa Sé, Villa Bonaparte.

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