Confusão cardinalícia: o que está por trás de um nome?

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26 Maio 2018

O Papa Francisco anunciou no domingo passado os nomes de 14 homens que ele pretende elevar ao posto de cardeal. Onze deles têm menos de 80 anos e poderão votar em um conclave. Os outros quatro não são eleitores e se tornarão aquilo que se costuma chamar de cardeais “honorários”.

A reportagem é de Robert Mickens, publicada em La Croix Internacional, 25-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não se tratava de uma notícia falsa. Mas também não era uma notícia completamente correta. Acima de tudo, Francisco errou a data do consistório para a criação de cardeais. E, em segundo lugar, ele nomeou incorretamente pelo menos um daqueles que receberão o barrete vermelho.

“Tenho a alegria de anunciar que, em 29 de junho, realizarei um consistório para a nomeação de 14 novos cardeais”, disse ele durante a oração mariana do Ângelus, na janela do escritório papal, com vista para a Praça de São Pedro.

Mas as autoridades vaticanas, depois, corrigiram isso e disseram que a cerimônia, na verdade, acontecerá no dia anterior, 28 de junho. Isso porque o dia 29, festa dos Santos Pedro e Paulo, padroeiros da Igreja de Roma, é o dia em que o papa tradicionalmente abençoa os pálios que são conferidos a cada ano aos arcebispos metropolitanos nomeados mais recentemente em todo o mundo.

Sobre o cardeal designado cujo nome Francisco errou, ele é um bispo do Japão. Ao anunciá-lo como 11º e último eleitor da lista, o papa o chamou de “Sua Excelência dom Thomas Aquinas Manyo, arcebispo de Osaka”.

Colegas no Japão se perguntaram se o papa esqueceu ou não sabia que Manyo, na verdade, é o primeiro nome do bispo. Maeda é a sua família ou seu sobrenome. Isso pode ser facilmente encontrado no Anuário Pontifício e poderia ter sido confirmado simplesmente perguntando ao núncio papal.

Desde então, o anúncio da designação do cardeal Maeda tem sido erroneamente identificado em quase todas as mídias ocidentais como cardeal Manyo. Seja como for, ele será apenas o sexto cardeal japonês na história e o primeiro desde o falecido cardeal Stephen Fumio Hamao (falecido em 2007), que recebeu seu barrete vermelho em 2003 como chefe do antigo Conselho para os Migrantes e Itinerantes do Vaticano.

Manyo Maeda, 69 anos, é uma escolha curiosa que surpreendeu quase todo mundo no Japão. A maioria das pessoas esperava que o arcebispo Tarcisio Isao Kikuchi, de Tóquio, fosse o próximo cardeal da Terra do Sol Nascente. E por um bom motivo.

O Papa Francisco, obviamente, tem uma grande consideração por Kikuchi, tendo-o nomeado, em outubro passado, como arcebispo da capital e da maior cidade do Japão.

O poliglota de 59 anos é membro dos Missionários do Verbo Divino (SVD) e passou cerca de 13 anos trabalhando na nação de Gana, na África Ocidental, antes de ser eleito como provincial dos verbitas no Japão. Nomeado bispo em 2004, ele é atualmente o presidente da Cáritas Japão e da Cáritas Ásia.

É preciso ficar de olho no arcebispo Kikuchi. Embora ele não será o próximo cardeal do Japão, ele pode receber um barrete vermelho dentro de um ano ou dois anos como chefe de um escritório vaticano.

Depois que o cardeal Hamao se aposentou de seu cargo no Vaticano em 2006, ele criticou duramente as autoridades em Roma (e implicitamente Bento XVI) por forçar uma mentalidade eurocêntrica sobre o restante da Igreja. Ele também se queixou de que o Vaticano era desdenhoso e condescendente com os católicos asiáticos.

Como se disse no dia em que Hamao se aposentou, atualmente não há ninguém da Ásia na chefia de um grande escritório da Cúria Romana.

O Papa Francisco teria que mover algumas peças no tabuleiro curial para que isso acontecesse, mas há um escritório muito importante perto da Escadaria Espanhola para o qual o arcebispo Kikuchi estaria perfeitamente preparado e pelo qual ele quase certamente receberia um barrete vermelho. Ele se chama Propaganda Fide.

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