Por meio dos novos cardeais, o Papa fala sobre a Igreja e sobre si mesmo

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23 Maio 2018

Os papas falam de muitas formas diferentes, e relativamente poucas envolvem o uso de palavras. Por meio de uma ação pessoal, por exemplo, o papa sempre diz muito sobre aonde quer que a Igreja vá e sobre o tipo de pessoa que acredita que pode levá-la a esse lugar.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 22-05-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Por isso, no domingo, o Papa Francisco disse muito ao anunciar 14 novos cardeais, 11 com menos de 80 anos e, portanto, em condições de ser seus sucessores. Com a seleção desses cardeais, o Papa falou sobre o estado da Igreja e, em alguns casos, pareceu falar do próprio Papa.

Os quatorze prelados nomeados no domingo entrarão formalmente no Colégio dos Cardeais no dia 29 de junho, na festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, num consistório realizado em Roma.

De engraxate a Príncipe da Igreja

Depois de ler a lista dos 11 novos cardeais abaixo dos 80 anos e, portanto, em condições de votar no sucessor de Francisco, o Papa nomeou outros três com mais de 80 anos que se "destacaram por sua atuação na Igreja".

Um é o bispo da Bolívia Toribio Porco Ticona, que passou de engraxate e mineiro a "Príncipe da Igreja". Embora seja um resumo útil de sua carreira eclesiástica, a breve biografia fornecida pelo Vaticano do bispo emérito de Corocoro não lhe faz justiça.

"Antes de entrar no seminário, ele trabalhou como mineiro para ajudar no sustento de sua família" é a primeira frase da biografia após sua data de nascimento. A partir daí, é ordenação sacerdotal, formação, nomeações episcopais.

Alguns poderiam afirmar que a vida de Porco Ticona dava um filme. Como ele mesmo relembra em Iglesia Viva, reproduzido pelo site da arquidiocese de La Paz, ele era um menino pobre que trabalhava vendendo jornais e limpando sapatos.

Apesar de ele não conseguir lembrar as datas, os marcos de sua vida são, sem dúvidas, interessantes.

Era uma vez o prefeito de um pequeno município de mineração chamado Chacarilla. Ele ocupou esse cargo durante 14 anos e, aos domingos, celebrava a missa para toda a comunidade.

Porto Ticona também foi preso por "defender a causa dos pobres". Até 2016, quando o texto foi publicado pela primeira vez, ele já "esperava que o Senhor me buscasse".

Talvez porque na última vez que os bispos bolivianos visitaram o Vaticano, em 2017, para a peregrinação a Roma que fazem a cada cinco, o Papa brincou: "Você ainda está vivo?"

Francisco e o novo cardeal se conhecem há anos. Em entrevista ao site de notícias Infodecom no domingo, Porto Ticona contou que os dois se conheceram quando ele fazia trabalho missionário com com a comunidade de imigrantes bolivianos nas favelas de Buenos Aires, a antiga arquidiocese do Papa.

Sobre sua nomeação, ele disse: "Ainda nem acredito. Não esperava. Sou um dos bispos mais humildes, filho de mineiro, camponês, mas são os planos de Deus e preciso aceitá-los".

O Papa, segundo ele, "gosta de mim, não sei por quê", declarando ser também parte do plano de Deus.

Em relação à mensagem que daria aos bolivianos após sua indicação, ele diz que, antes de qualquer coisa, "temos de agradecer ao Deus da vida e da história". Além disso, pediu aos "irmãos camponeses e mineiros e às pessoas em geral para que este seja um momento de reflexão, para que trabalhem juntos pela Bolívia, sem rancores, calúnia ou inveja".

Do Peru, um cardeal para o pulmão do mundo

A bacia do Amazonas, localizada em oito países da América Latina, tornou-se uma prioridade para Francisco, que convocou um Sínodo Episcopal sobre a região amazônica para 2019. Sua preocupação com esta região ficou novamente evidente no domingo, ao anunciar o nome do cardeal Pedro Barreto Jimeno, de Huancayo, no Peru.

Barreto é vice-presidente da REPAM, a Rede Eclesial Pan-Amazônica, e está na liderança da Conferência Episcopal do Peru.

No Twitter, a REPAM compartilhou a reação de Barreto ao chapéu vermelho: "Nesta última fase da minha vida, esta designação não é uma recompensa, mas um chamado ainda maior ao serviço à Igreja, aos pobres e à Amazônia".

O jesuíta Barreto é o primeiro cardeal peruano a vestir o chapéu vermelho sem ser nomeado arcebispo de Lima, arquidiocese atualmente liderada pelo cardeal Juan Luis Cipriani.

No domingo, quando Francisco fez o anúncio, a Caritas Equador divulgou um comunicado dizendo que a nomeação é mais um sinal de que a região amazônica é "uma fonte de vida no coração da Igreja" e que o Papa "confia na possibilidade universal oferecida por esta Igreja amazônica".

Mauricio Lopez, secretário executivo da REPAM, disse ao Crux que Barreto é “profeta de uma ecologia integral desde antes [da encíclica de Francisco sobre o ambiente] Laudato Si' - e ainda mais desde então".

O jornal peruano La Republica relatou que Barreto e Francisco se conhecem há décadas. Quando o Papa ainda era líder da província jesuíta da região, o peruano viajou para a Argentina para um retiro espiritual.

Depois de contar ao então padre Jorge Mario Bergoglio que sua mãe era argentina, dizem que o futuro Papa passou a manhã inteira mostrando a Barreto os lugares onde sua mãe, Elvira, tinha vivido.

Do Iraque e do Paquistão, dois chapéus vermelhos aplaudidos por cristãos e muçulmanos

Tanto o Iraque como o Paquistão são países onde, segundo a agência papal Ajuda à Igreja Que Sofre, os cristãos passam por perseguição "extrema", situação que se agrava ano após ano. Ambos são países de maioria muçulmana, em que os cristãos enfrentam desafios diários que vão desde a sobrevivência até o direito de serem considerados plenamente cidadãos.

Portanto, é particularmente importante que, de acordo com vários relatórios, a escolha do Patriarca Louis Raphaël I Sako, líder da Igreja Católica Caldeia no Iraque, e do Arcebispo de Karachi, Joseph Coutts, no Paquistão, tenha sido bem recebida não apenas por católicos, mas também por muçulmanos.

Em entrevista ao Vatican News, Sako disse que sua nomeação foi uma surpresa, mas não "para a minha pessoa, mas para a Igreja que tanto sofre e para o Iraque".

"Na minha opinião, é para todo o país, tanto cristãos como muçulmanos", disse, acrescentando que demonstra o apoio da Igreja universal e da Santa Sé com a comunidade cristã local. "É um sopro de esperança, de incentivo, para continuar em direção à reconciliação do país".

Ele deu ainda mais detalhes ao Asia News, dizendo que "muitos religiosos muçulmanos, sunitas e xiitas, me ligaram e também dizem que é uma honra para eles, para todos os iraquianos, dizem ele, até mesmo para nós, muçulmanos".

Entre as chamadas que recebeu, ficou "emocionado" com a de um clérigo xiita que disse que "esta nomeação é um presente para todos os fiéis, é um presente de misericórdia para o Iraque".

Coutts, o segundo cardeal paquistanês da história, disse à correspondente da Índia do Crux Nirmala Carvalho que sua nomeação foi uma "surpresa" e uma "honra", recebida com grande alegria até mesmo por "não cristãos, que sabem o que é um cardeal".

"Hoje é Dia de Pentecostes, o aniversário da Igreja", observou. "O Papa Francisco está tentando tornar a Igreja mais universal nomeando todos nós, os 14 cardeais, a partir das periferias”.

O político muçulmano Khawaja Saad Rafique, ministro do sistema ferroviário do Paquistão, comemorou a nomeação de Coutts no Twitter, dizendo que era motivo de orgulho não apenas para os cristãos, mas "para o nosso amado Paquistão".

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