Austrália. Denunciou um padre pedófilo, ex-detetive indenizado 50 anos após sua demissão forçada

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09 Maio 2018

Denis Ryan, ex-detetive australiano que cinquenta anos atrás foi forçado a pedir demissão da Polícia em Victoria, Austrália, porque tentou levar à justiça um padre pedófilo, receberá uma indenização décadas depois dos acontecimentos.

A informação é de Paulo Rodari, publicada por La Repubblica, 08-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Tudo aconteceu por causa das investigações que Ryan conduziu sobre a vida dupla de monsenhor John Day, um padre católico que abusou de menores no Mallee. O detetive sofreu forte pressão de seus superiores, a ponto de se convencer de que era melhor deixar a polícia. Ele perdeu o emprego, teve sérios problemas em família, mas agora, de acordo com a informação da rede Abc, o homem de 86 anos chegou a um acordo com o Governo de Victoria.

"Não creio que jamais me sentirei vingado - explica ele -. Eu só penso nas vítimas, que sofreram muito mais do que eu."

Conforme relatado por Vernon Knight, que conduziu as negociações em nome de Ryan, o detetive será indenizado com o pagamento de um valor estipulado. "Denis tem 86 anos - ele explica - e quer viver o resto de sua vida tentando recuperar aquela dignidade que lhe foi negada." E ainda: "Ele foi crucificado porque fez o seu trabalho tentando proteger as crianças e porque tratou de pedir a condenação dos responsáveis."

Nos anos que se seguiram à demissão, Ryan conseguiu um emprego como empacotador de frutas. Mais tarde ele se tornou prefeito do condado de Mildura e tentou expor o papel que os mais elevados oficiais da Polícia de Victoria desempenharam para encobrir o monsenhor pedófilo. Em 2015 o próprio Ryan testemunhou perante a Comissão Real, que chegou à conclusão de que, sem dúvida, o detetive saiu da polícia por causa da pressão sofrida devido à sua investigação. A Polícia de Victoria oficialmente se desculpou com Ryan em 2016, mas o peso das velhas omissões continuou a pesar sobre ele.

"Acredito que muitos daqueles que na época eram crianças, tiveram suas vidas destruídas", diz o próprio Ryan. E ainda: "Gerald Ridsdale, outro conhecido pedófilo, teria sido capturado pela polícia se tivessem me escutado, mas não o fizeram. Eles foram fiéis a uma catedral, mas não ao povo de Victoria, que haviam jurado solenemente proteger".

A história de Ryan é significativa em um país que está encaminhando um processo contra o cardeal George Pell, chefe da Secretaria de Economia da Santa Sé, acusado de encobrimentos e de abusos. Pell, que se declarou "não culpado" teve, alguns dias atrás, seu julgamento autorizado. O fato que está acontecendo na Austrália mostra uma mentalidade que, embora com dificuldade, está tentando abrir caminho também no Vaticano: se bispos e cardeais forem culpados, devem pagar suas contas com a justiça.

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