Prisão de Lula reaproxima centrais sindicais

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25 Abril 2018

A prisão do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva motivou a reaproximação das principais centrais sindicais do país, entre elas a CUT, historicamente ligada ao PT, a UGT e a Força Sindical. Elas convocaram conjuntamente um ato para o dia 1º de maio, em Curitiba, cuja pauta unânime é a soltura do ex-presidente.

A reportagem é de Laura Castanho, publicada por CartaCapital, 25-04-2018.

As centrais tiveram momento de protagonismo durante o governo Lula (2003-2010), que tinha por hábito convocar dirigentes para decidir conjuntamente políticas sociais e econômicas. À época, influenciaram diretamente na política de valorização do salário mínimo, de regulamentação da própria classe e na tabela de aumento do imposto de renda.

Ao longo do governo Dilma Rousseff (2011-2016), no entanto, elas gradualmente foram postas de lado na pauta federal e passaram a convocar atos individuais, nos quais priorizavam suas pautas específicas.

Com a saída da presidenta, a cisão ideológica se aprofundou. A Força e a UGT mantiveram relações cordiais com o novo governo, enquanto a CUT denunciava a ilegitimidade de Michel Temer.

“O divisor de águas foi o impeachment. A CUT se distanciou, focando mais na questão política do que na questão sindical”, conta Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Enquanto a central ligada aos petistas insistia na linha de que a derrocada de Dilma seria um golpe, as demais centrais — ligadas, em muitos casos, a partidos de todo o espectro político — rejeitaram a classificação.

As reformas do governo Temer, no entanto, motivaram uma reaproximação pontual a partir do ano passado, com uma marcha que levou 35 mil cidadãos à Brasília, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. “A partir da reforma trabalhista, houve mais uma aproximação. Tentamos sensibilizar os trabalhadores do crime que a reforma seria”, afirma Patah.

Agora, elas se unem novamente para marchar na praça Santos de Andrade, tradicional dos protestos na capital paranaense. A realização de manifestações nos arredores da Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente se encontra detido, está proibida. Mas as prioridades do ato ainda são uma divergência para cada central.

Cada uma delas tem sua narrativa sobre a reaproximação. Para Ricardo Patah, da UGT, “o tema principal é a reforma trabalhista”. “Na dúvida, estarei solidário ao companheiro Lula, que foi a prisão mais célere do Brasil. Houve sim uma solidariedade ampliada, mas a aproximação já começou na aprovação da reforma em novembro”, diz.

Já para João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, secretário-geral da Força Sindical, a prioridade é outra. “A principal questão foi a prisão do Lula em Curitiba”, afirma. “A reforma trabalhista não interessa mais, já passou. Agora só ano que vem [que serão convocados protestos contra isso].” O foco para a Força — cujos integrantes vão do MDB, Solidariedade e PSDB ao PT, PDT e PSB — são as eleições de outubro.

“É hora de as centrais terem um peso nessas eleições, influenciar tanto nas propostas como no voto.” Apesar disso, ele garante que a central não definirá candidatos para apoiar antes do segundo turno. Antes de ir a Curitiba, no mesmo dia, a Força convocará um showmício próprio com 12 artistas em São Paulo.

A visão da Força encontra ressonância parcial na linha seguida pela CUT, que põe a liberdade de Lula como pauta indispensável, mas nega que ela se sobreponha à da reforma trabalhista.

“De maneira nenhuma a questão da reforma trabalhista é secundária. Pelo contrário, ela é prioritária. Como vamos derrubar a reforma trabalhista se a gente não derrubar o golpe?”, afirma Jandyra Uehara, secretária de direitos humanos da CUT. “Elas não estão sobrepostas, estão intimamente relacionadas.”

As pautas comuns do ato foram acertadas em almoço dos dirigentes das centrais — que, por sua vez, foram convocados por Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT. Elas incluem uma política econômica de geração de empregos, seguridade e previdência social, o fim da lei do teto de gastos, a continuidade do financiamento sindical e, também, a liberdade de Lula e a oposição à reforma trabalhista.

Para além da ideologia, as centrais têm divergências no modus operandi: enquanto a CUT se opõe às negociações individuais com patrões, a UGT — que representa os trabalhadores do terceiro setor — é favorável a essa prática. Nada indica que essas diferenças serão superadas com o gesto de unidade.

“As centrais têm as suas políticas. Não é algo superado. Cada uma tem a sua autonomia, sua concepção de organização e luta”, diz Uehara, mudando de assunto quando indagada se sua entidade irá fugir do roteiro.

A Força discorda. “Isso já tá superado há um século, viu. Houve um acordo no começo do ano passado quando decidimos centrar as centrais sindicais na pauta unitária daquilo que interessa aos trabalhadores”, diz Juruna. “De lá pra cá, deu tudo certo nesse aspecto. Só perdemos no Congresso porque não temos maioria.”

Há uma boa chance de que as centrais tragam suas próprias pautas para o ato, para além do roteiro combinado. “Podem ter falas distintas [no ato], mas estaremos juntos. com o mesmo propósito. Não há dúvidas que também terá fala solidária ao companheiro Lula”, diz Patah, da UGT.

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