Menino chora pelo pai morto, e o papa o consola: ele era bom, está com Deus

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16 Abril 2018

O menino quer saber o destino do pai ateu que fez com que seus filhos fossem batizados. Francisco o consola. Foi durante a visita a São Paulo da Cruz, em Corviale, bairro da periferia de Roma.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 15-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aquele pai “não tinha o dom da fé, mas fez com que seus filhos fossem batizados. Deus gostou muito disso”. O Papa Francisco tem certeza disso e, assim, tranquiliza Emanuele, que, no momento de lhe dirigir sua pergunta, começa a chorar. Essa cena ocorreu durante a visita do pontífice à paróquia de São Paulo da Cruz, em Corviale, bairro da periferia de Roma, onde se ergue o famigerado “Serpentone”, um enorme edifício do Instituto Case Popolari, que abriga 1.200 inquilinos e, há muito tempo, está em situação de degradação social.

O papa percorreu de carro toda a Via Poggio Verde, costeando o quilômetro do Serpentone, como os habitantes chamam o “Nuovo Corviale”, o complexo residencial que dá nome a todo o bairro. O carro de placas Cv1 foi saudado pelos habitantes do edifício que se assomaram numerosos às janelas. Alguns moradores colocaram cartazes de boas-vindas ao papa.

Em sua chegada, Jorge Mario Bergoglio foi acolhido por um banho de multidão. Estavam à sua espera Dom Angelo de Donati, vigário geral da diocese de Roma, Dom Paolo Selvadagi, bispo auxiliar para o setor oeste, o pároco Pe. Roberto Cassano e os sacerdotes da Comunidade da Encarnação, que encontrou sua sede dentro do imenso edifício.

Francisco encontrou-se, primeiro, com as crianças da catequese, depois os idosos, os doentes e os pobres. Após uma conversa com alguns detentos do semiaberto e após confessar alguns paroquianos, ele presidiu a missa.

O bispo de Roma dialogou com as crianças que frequentam a catequese, respondendo a algumas de suas perguntas. Eis a resposta a uma menina: “Somos todos filhos de Deus, todos, mesmo os não batizados, sim, mesmo aqueles que acreditam em outras religiões ou que têm ídolos. Até os mafiosos são filhos de Deus, mas preferem se comportar como filhos do diabo”.

Todos são “filhos de Deus. Deus criou e amou a todos e colocou no coração de todos a consciência de distinguir o bem do mal. Com o batismo, o Espírito Santo entrou e fortaleceu sua pertença a Deus”. Até os mafiosos “são filhos de Deus. Devemos rezar para que voltem e reconheçam a Deus. Quem de vocês – perguntou às crianças – reza pelos mafiosos para que se convertam? É preciso rezar”.

A Edoardo, que o questionou sobre seus primeiros sentimentos depois da eleição a papa, ele explicou que não tinha experimentado nenhum sentimento de medo nem uma alegria mais intensa: sentia apenas que Deus o chamara. Contou que sentiu que “Deus queria isso. Levantei-me e fui em frente, não senti nada de espetacular”.

Depois foi a vez de Emanuele, que, no momento de lhe dirigir sua pergunta, começou a chorar ao microfone. Então o papa o convidou a se aproximar. Assim que o menino se aproximou do pontífice, caiu em seus braços. Foi possível entender que não era uma questão de timidez. Emanuele precisava ser abraçado, encorajado, tranquilizado, consolado, receber calor humano. Ele recebeu tudo isso do papa em pessoa. Provavelmente, ele tem alguma angústia, dor para desabafar. Bergoglio o abraçou sem pressa para terminar. Falou-lhe ao ouvido. Emanuele perguntou-lhe se seu pai, ateu, mas que fizera com que seus quatro filhos fossem batizados (Emanuele, outros dois irmãos e uma irmã), após sua morte foi para o céu. E não ao inferno (depois, descobriu-se que a pergunta completa incluía a citação específica do perigoso inferno para o pai de Emanuele).

Eis o que Francisco respondeu (explicando que havia pedido permissão para Emanuele para poder relatar abertamente a pergunta que o menino sussurrou em seu ouvido): “Talvez pudéssemos chorar como Emanuele quando temos uma dor no coração. Ele chora pelo seu pai, que faleceu, e teve a coragem de fazê-lo na nossa frente, porque há amor em seu coração”, ressaltou. “O pai era ateu, mas fez com que os quatro filhos fossem batizados, ele era um homem bom. É bonito que um filho diga que seu pai ‘era bom’. Se esse homem foi capaz de criar filhos assim, era um homem bom. Deus está orgulhoso do seu pai.”

Francisco destacou ainda: “Deus tem um coração de pai. Seu pai era um homem bom, ele está no céu com Ele, tenha certeza. Deus tem um coração de pai e, diante de um pai não crente que foi capaz de batizar seus filhos, Deus seria capaz de abandoná-lo? Deus certamente estava orgulhoso do seu pai, porque é mais fácil ser crente e fazer com que os filhos sejam batizados do que não ser crente e fazer com que os filhos sejam batizados. Reze pelo seu pai, fale com seu pai. Essa é a resposta”.

Aos idosos, doentes e pobres, Francisco recordou que as pessoas mais necessitadas “estão no centro do Evangelho”. O Papa Bergoglio sabe “que cada um de vocês tem sua própria dor, todos: mas que isso não lhes tire a esperança – é o desejo dele – e não lhes tire a alegria, porque Jesus veio para pagar por todos nós com suas dores”. Portanto, “sigamos em frente e façamos também o bem aos outros, todos podemos fazê-lo: façamo-lo com a alegria de sermos cristãos”.

Há também um mosteiro dentro do Serpentone de Corviale. Um lugar de oração entre as famílias que, ao longo dos anos, ocuparam ilegalmente as casas. No Serpentone, desde 1992, após a visita do Papa São João Paulo II à paróquia de São Paulo da Cruz, mora a Fraternidade da Encarnação.

O Pe. Gabriele Petreni, sacerdote da fraternidade, explica: “Chamam-no de Serpentone, mas, na realidade, é uma estrutura linear que estende em linha reta. É algo de particular que unifica e esmaga a vida das pessoas, torna-as todas iguais. A feiúra da estrutura arquitetônica inevitavelmente cria um preconceito sobre as pessoas que moram lá”.

Os padres optaram por morar no primeiro lote, no quarto andar, onde estão as famílias que ocuparam ilegalmente os apartamentos. Lá, há um mosteiro com uma capela. Os padres compartilham totalmente a vida das famílias que moram em Corviale. As mulheres, “as mães nos primeiros anos fizeram a ronda por noites inteiras para defender o lugar do tráfico de drogas. Conservaram e lavaram durante anos as escadas desse bairro, que são confiadas à gestão voluntária. São quilômetros de escadas, não há uma empresa de limpeza, não há um porteiro. Devemos agradecer ao nosso carteiro porque, com uma paciência e uma dedicação infinitas, vem nos trazer a correspondência que, de outro modo, se perderia”.

Na homilia, o papa convidou a ser alegre e a aceitar a verdade da Ressurreição de Cristo no coração. É menos perigoso “ter uma verdade na mente do que tê-la no coração”, e, por isso, os discípulos, na chegada de Jesus, “se assustaram e acreditaram que era um fantasma, não podiam acreditar que houvesse tanta alegria”.

Essa é a “juventude renovada que o Senhor nos traz. Mas nós nos acostumamos a envelhecer com o pecado”. Portanto, “peçamos a graça de que a alegria não nos impeça de crer. Peçamos a graça de ser uma comunidade alegre”.

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