Choque no Vaticano: os homens de Ratzinger por trás da saída de Viganò

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23 Março 2018

Sai de cena um dos homens-chave no processo de reforma da Cúria romana posta em movimento pelo Papa Francisco, depois que, contra ele, moveu-se o “cinturão” dos fidelíssimos do papa emérito, desta vez até mesmo daqueles que não se posicionam preconceituosamente contra Francisco.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 22-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nessa quarta-feira, 21, o prefeito da Secretaria para a Comunicação, Mons. Dario Edoardo Viganò, apresentou sua renúncia, aceita pelo pontífice. Viganò havia publicado, omitindo um importante parágrafo final, uma carta de Bento XVI dedicada a uma coleção teológica sobre Francisco. Viganò divulgou as palavras de Ratzinger sobre a continuidade entre seu pontificado e o de seu sucessor, decidindo não mostrar suas críticas inerentes à seleção dos teólogos chamados a intervir na mesma coleção, acima de todos, o nome do teólogo alemão Peter Hünermann que contestou textos magisteriais de João Paulo II.

A renúncia amadureceu depois de ouvir também o parecer da Secretaria de Estado, em cujos escritórios os protestos dos ratzingerianos se fizeram ouvir. Além destes, também tiveram um peso os temores em geral com a imagem da Igreja gravemente ferida pela divulgação da carta: na era das fake news, certamente a Santa Sé não pode propor uma por conta própria, mesmo que não desejada.

Ao mesmo tempo, no entanto, foi julgado positivamente o trabalho de reforma do próprio Viganò, tanto que o Papa Francisco, na carta com que acolhe a renúncia, sublinha isso pedindo que o monsenhor nascido no Brasil, mas de origens ambrosianas, permaneça no dicastério como “assessor”, para poder fazer sua contribuição “humana e profissional” ao futuro sucessor.

O trabalho de Viganò para simplificar e modernizar um setor, o da comunicação vaticana, ancorado em ritmos e estilos julgados como antigos, prosseguiu com velocidade. Dentro de um mundo habituado a outras temporalidades, esse trabalho causou algum mau humor. Alguns ambientes que, desde o dia das eleições, contestam Francisco, em particular, alimentaram essas divergências, defendendo que Viganò fez uma “manipulação” inaceitável do pensamento do papa emérito.

Dentro da Cúria romana, esses grupos que resistem a Bergoglio serviram de escudo para Ratzinger para apoiar sua negação em relação a Francisco. Bento XVI estigmatizou, na carta, aqueles que o usam contra o sucessor, mas o erro de omitir uma parte do texto enfraqueceu suas palavras, dando vazão à vulgata da manipulação.

Uma novidade, no entanto, também está no fato de que a suposta manipulação foi julgada como “demasiada” até mesmo por aquele “cinturão” ratzingeriano mais moderado, existente para além dos muros leoninos. Até mesmo os fidelíssimos do papa emérito não adversos ao novo pontificado fizeram ouvir sua voz de protesto nos andares superiores da Santa Sé, diante de uma operação desagradável, e isso teve seu peso.

Em todo o caso, parte da resistência mais obstinada a Francisco se move às escondidas, esperando por momentos oportunos para atacar. Um purpurado emérito de ar conservador ouvido nessa quarta-feira pelo La Repubblica, por exemplo, diz sem rodeios: “O pedido a Bento de um endosso a Francisco para uma coleção de ‘livrinhos’ é pobre e miserável. E o teólogo Ratzinger contesta como totalmente inadequado”.

Vozes semelhantes não são isoladas no Vaticano: elas falam daquele que é chamado deLettergate, como de um escândalo sem precedentes, mas sem reconhecer que Ratzinger se distanciou fortemente daqueles que, como eles, contesta Bergoglio.

Francisco não teme os ataques. Recentemente, ele afirmou que não lê os sites e os blogs que há muito tempo se opõem a ele. Assim, ao invés disso, não fizeram alguns de seus colaboradores. A leitura da carta de Ratzinger provavelmente é também a tentativa de obter uma revanche em relação a esse ataque sub-reptício, sem pensar que teria sido melhor ignorá-lo.

O papa conhece muitos de seus inimigos, mas não faz nada contra eles. Ao contrário daqueles que o descrevem como um líder autoritário e impiedoso, ele não mandou embora ninguém da velha Cúria romana que provocou o Vatileaks.

Depois de ler em 2013 o dossiê dos três cardeais que, em nome de Bento XVI, investigaram o vazamento de documentos confidenciais da Santa Sé, ele não agiu aposentando ninguém. Enquanto muitos detratores continuam imperturbáveis, trabalhando até mesmo contra ele.

Quanto à secretaria liderada até essa quarta-feira por Viganò, Francisco já fez sondagens para assegurar uma nova liderança. Na última sexta-feira, ele recebeu em audiência o bispo irlandês Paul Tighe, atualmente secretário da Cultura. A audiência foi lida no Vaticano como um primeiro passo para uma nomeação iminente: antes da reforma da mídia vaticana, Tighe trabalhava no dicastério então dedicado às Comunicações Sociais.

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