Chile. Os três principais motivos explicativos da baixa participação dos fiéis nas atividades do Papa

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22 Janeiro 2018

A visita do Papa Francisco ao Chile gerou expectativas de participação que, com o passar dos dias, não se cumpriram totalmente. A crise da Igreja, o bispo Barros e outros fatores poderiam ser as causas explicativas do fenômeno.

A reportagem é de Diana Urbina Valenzuela, publicada por La Tercera, 20-01-2018. A tradução é de André Langer.

Sem dúvida, a visita do Papa Francisco ao Chile gerou expectativas não apenas no contexto social e religioso, mas também político. A massiva publicidade nos meios de comunicação prometia uma instância de encontro, aprendizagem e esperança para a comunidade. Mas os números e as fotografias da vinda do Papa disseram o contrário.

No Parque O'Higgins, o Pontífice reuniu 400 mil fiéis. Mas as imagens aéreas da missa celebrada na Base de Maquehue, em Temuco, deram margem a pressuposições que se confirmaram depois que o Sumo Pontífice presidiu a missa em Playa Lobito, Iquique: a baixa participação de fiéis, depois de começada a homilia, persistiu até Francisco deixar o país.

E os números confirmaram o que se viu nas fotografias: a missa de Temuco teve uma audiência de cerca de 200 mil pessoas – metade do número inicialmente projetado –, ao passo que na missa de Campus Lobito não passaram de 50 mil pessoas, embora o lugar pudesse suportar 350 mil pessoas.

Mesmo no Encontro com os Jovens, realizado no Santuário de Maipú, e diante do panorama vivido em Temuco, o convite foi estendido a pessoas de todas as idades.

Crise da Igreja

A baixa participação das pessoas manifesta a crise que a Igreja católica está vivendo atualmente.

“Na prévia da visita do Papa, foi publicada uma pesquisa do Latinobarómetro, onde os chilenos são os que se declaram menos católicos, com 44% de crentes, contra outros países latino-americanos, onde são mais de 80%. Isso revelou que a Igreja católica está sofrendo uma crise muito profunda. Acredito que isso deixou os bispos chilenos muito preocupados, em particular o cardeal Ezzati”, explicou Germán Silva, analista político da Universidade Mayor.

Os resultados da pesquisa feita pelo Latinobarómetro sobre a visita mostraram que o país é o que mais desconfia da Igreja na região. Um de cada três chilenos acredita na instituição, ao passo que em 1996 eram quatro de cada cinco.

“O atual Papa chegou a um Chile que teve grandes transformações sociais, onde um dos pontos centrais é dado pela baixa adesão que a Igreja católica teve desde os anos 90”, disse Luis Bahamondes, acadêmico da Faculdade de Filosofia e Humanidades da Universidade do Chile.

“Isso se explica por vários fatores. Hoje, há a exigência de que os líderes religiosos se pronunciem sobre problemáticas sociais, como o aborto ou o casamento de pessoas do mesmo sexo, temáticas que não são confortáveis para a institucionalidade eclesial. A ruptura vai se gerar pela reviravolta de uma Igreja que, antes da década de 1990, tinha um protagonismo maior em questões sociais, como a pobreza e os direitos humanos, para uma Igreja com um discurso sobre temáticas relativas a valores que vão se materializar, sobretudo, em temas de natureza sexual. Portanto, emerge uma Igreja mais conservadora, uma Igreja que começa a se envolver na intimidade do sujeito, o que parece não ser muito bem visto pela sociedade chilena”, acrescentou o acadêmico.

O “efeito Barros”

Mas, a grande pedra na mochila da Igreja católica, no momento, é o peso dos abusos sexuais de menores cometidos por pessoas pertencentes ao mundo religioso. A notícia de que o bispo de Osorno, Juan Barros Madrid, pudesse ter conhecimento sobre os crimes cometidos pelo padre Fernando Karadima e que, além disso, Barros concelebrava na missa celebrada no Parque O'Higgins, é o principal motivo que explicaria a baixa afluência de pessoas a eventos papais.

O doutor em Sociologia e acadêmico do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago do Chile, Cristian Parker, afirma que “incide, certamente, o que eu chamo de ‘efeito Barros’. É esta presença polêmica do bispo Barros em todas as missas do Papa que, com sua própria presença, contradiz o que o Papa propõe, especialmente o perdão que pede respeito aos abusos sexuais perpetrados por ministros da Igreja”.

“O efeito Barros foi um golpe do profundo impacto que (o caso) Karadima e todos os outros casos de abusos tiveram na Igreja chilena. Estamos em uma Igreja católica, neste caso, que tem uma extrema sensibilidade com questões que foram muito graves e, acima de tudo, uma sensibilidade para o que se fez, como foram abordadas essas questões de abuso de menores. Nesse contexto, o efeito Barros eclipsou a visita do Papa e desencorajou a participação de muitos católicos que estavam em dúvida se iam ou não, e acabaram não indo”.

“As declarações feitas pelo Papa tiveram, e terão, uma repercussão muito grande sobre sua visita e a interpretação que esta terá, porque essas declarações escondem, por assim dizer, invisibilizam, grande parte do que o Papa disse em suas homilias e discursos”, diz Parker.

Outros fatores

A baixa audiência nos eventos do Papa pode ser explicada, também, pelo verão. Janeiro é um mês em que a maioria tira férias, principalmente com as crianças. A isso se somam as altas temperaturas registradas na Região Metropolitana (de Santiago).

“Incide uma questão um pouco mais histórica no sentido de que o catolicismo no Chile vem diminuindo, e outras denominações religiosas vem crescendo, como a religião evangélica, o que significa que o país visitado por Francisco não é o mesmo visitado por João Paulo II, do ponto de vista católico”, detalha Cristian Parker.

“Isso também afeta a questão da segurança. Um componente adicional foi a série de atentados incendiários em um conjunto de igrejas que obrigou a tomar medidas que, no final das contas, são restritivas para a participação das pessoas”, finaliza o sociólogo.

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