O Papa visitará o Chile. Número de católicos diminuiu para 59% em uma década

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26 Junho 2017

O número de ateus passou de 12% para 22%.

O anúncio do Vaticano sobre a visita que o Papa Francisco fará ao Chile e ao Peru, entre 15 e 21 de janeiro do próximo ano, não apenas arrebatou a agenda de ambos os países, mas também revelou as profundas mudanças ocorridas desde a última visita de um pontífice ao território chileno. O Chile que recebeu a João Paulo II em 1987 é bastante diferente da realidade atual.

A reportagem é de Alejandro Tapia, publicada por El Telegrafo, 22-06-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Para começar, o papa polonês fez sua visita no fim da ditadura de Pinochet, enquanto que o atual líder da Igreja Católica fará a sua dois meses antes que Michelle Bachelet deixe a La Moneda, em plena democracia. Quanto o Chile mudou desde a última visita do papa, há 30 anos atrás? Essa é a pergunta que assombra os chilenos e há respostas concretas para isso. Se em 1987 a população alcançava 12,4 milhões, hoje soma 18,3 milhões. Mas a mudança não é apenas demográfica, mas também tem ocorrido uma transformação nos valores. Se há três décadas a porcentagem de chilenos que se declarava católica chegou a 70%, esse número caiu para 59%, de acordo com o último registro de 2014 no âmbito do chamado Levantamento Bicentenário (Encuesta Bicentenario).

Embora a porcentagem de católicos diminua diariamente, o Chile é um país laico com separação entre o Estado e as distintas igrejas. O ateísmo tem aumentado. Em 2006, esse valor era de 12% e em 2014 esse percentual havia aumentado para 22%. A própria Bachelet se declara agnóstica.

Quem não têm aumentado o número de seus fiéis, mas também não tem diminuído são os evangélicos: há 10 anos eles representavam 14% da população e agora eles são 16%. Outra forma de medição é o censo que foi realizado neste ano, de modo que os últimos registros disponíveis datavam de 2002. Em 1992, na embrionária democracia chilena, 76,7% se declaravam católicos, enquanto que em 2002 o percentual caiu para 70%.

Por sua vez, de acordo com o censo - a medida oficial para todos os programas sociais e estatísticos estatais no Chile - em 1992, a porcentagem de evangélicos alcançava 12,4% e em 2002, 15,1%. Quanto aos ateus, durante este período, eles passaram de 5,8% para 8,3%. Embora os números contrastem entre um e outro estudo, eles refletem a mesma tendência: o catolicismo está em baixa. Por quê? Há muitas explicações: uma série de abusos sexuais de sacerdotes a menores de idade, a ocultação desses abusadores pela hierarquia católica, o nascimento de outras formas de representação social, mudanças nas expectativas e realidades econômicas, abertura à discussão de temáticas como a aborto, a união civil e matrimônio gay, entre outros fatores.

"O Papa Francisco chegará em um país com pleno estado de direito, que recuperou sua democracia em 1990, que é muito mais diversificado em distintos âmbitos com um número crescente de imigrantes", assinalou o governo de Bachelet através de um comunicado, após a confirmação da visita do Pontífice ao Chile.

Em outra diferença entre ambas as visitas papais incluem o fato de que, enquanto em 1987 o foco estava na ajuda do Papa João Paulo II para que Pinochet entregasse o poder, desta vez, é muito difícil que ocorra uma materialização de uma política concreta a partir de uma intervenção ou discurso de Francisco. A próxima viagem do Sumo Pontífice não estará isenta de controvérsia e de momentos que possam gerar tensão. Isto porque ele está programado para visitar a cidade de Temuco, no sul do Chile, em cujos arredores ocorre o chamado "conflito mapuche". Também porque o governo teme que ele possa fazer algum tipo de intervenção no âmbito da controvérsia permanente entre o Chile e a Bolívia. Assim, as duas últimas questões demonstram que embora tenha havido mudanças no país ao longo dos últimos 30 anos, há assuntos que não encontram solução.

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