Chile. O Papa visita uma Igreja que perdeu prestígio

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09 Janeiro 2018

O Papa Francisco vem para o Chile. Ele estará conosco entre os dias 15 e 18 de janeiro de 2018. Já estamos nos preparando para recebê-lo com convém. O Chile é um povo educado e acolhedor, de modo que não há dúvida de que Francisco será muito bem recebido e acolhido, e nesta linha vão as campanhas que já estão sendo realizadas em várias instâncias da sociedade chilena.

A reportagem é de José Luis Ysern, bispo emérito da diocese de Ancud, Chile, publicada por Religión Digital, 05-01-2018. A tradução é de André Langer.

Isso não significa, no entanto, que de nós sejam tomados de interrogações e preocupações, já que supomos que a viagem do papa apresentará no Chile algumas dificuldades que terão que ser enfrentadas da melhor maneira possível. Por que essas interrogações?

Em primeiro lugar, porque o Chile – como muitos outros países – já não é o mesmo que João Paulo II visitou em plena ditadura de Pinochet. Naquela época, a Igreja no Chile era admirada, respeitava e gozava de credibilidade. Os bispos chilenos, especialmente o cardeal Silva Henríquez, com seu Vicariato da Solidariedade e as filiais que se espalharam por todo o país, correram todo risco pela defesa dos direitos humanos. A Igreja era a voz dos sem voz e o povo chileno estava ciente dessa realidade.

Hoje não é assim. Muitos chilenos pensam que a Igreja perdeu prestígio, confiança e autoridade. Isto não é apenas por causa dos escândalos protagonizados por alguns sacerdotes, mas também por causa das infelizes declarações que algumas vezes são publicadas por alguns bispos sobre questões morais e sociais. Declarações que recordam os tempos do Syllabus.

Nas redes sociais e também na imprensa escrita, há comentários que aludem a algum bispo dizendo que é medíocre, superficial, etc. Dos bispos em geral diz-se que eles vivem em outro mundo e que eles não sabem ouvir o seu povo.

Além disso, há também um caso concreto que, sem dúvida, criará algum conflito na visita do papa. Trata-se de Juan Barros, bispo de Osorno. Ele pertenceu de forma muito próxima ao círculo de Fernando Karadima, sacerdote que teve grande influência em um setor da classe social alta do Chile, da direita política e que foi condenado pela Igreja pelo abuso de menores.

Hoje é de conhecimento geral no Chile que antes que Juan Barros fosse nomeado bispo dessa diocese, alguns bispos chilenos fizeram saber ao papa saber que essa nomeação não era conveniente, que suscitaria anticorpos imediatos, que o povo de Deus de Osorno iria se ressentir com essa nomeação. Ninguém entende, no entanto, por que o próprio papa confiou – "ficou obcecado", dizem alguns – nesse candidato e concretizou a nomeação.

Depois, falando de maneira informal e coloquial sobre o assunto com um jornalista chileno na proximidade de uma audiência pública na Praça São Pedro, Francisco pronunciou uma frase muito infeliz, referindo-se ao fato de que o povo de Osorno estava sofrendo na questão do bispo por "besteira", porque se deixou manipular por um grupo de "esquerdistas".

Isso doeu aos osorninos, porque o que o papa disse não é verdade. Há ali homens e mulheres que conhecemos, pessoas muito sérias, sinceramente católicas, leigos com um senso muito crítico que realmente amam sua Igreja e que não se sentiram nada ouvidos pela hierarquia da Igreja.

Pode algo bom sair de tudo isso? Sinceramente, acredito que sim. Conhecendo esses leigos e conhecendo a humildade e a proximidade do papa, parece-me que situações como esta, que são conflitivas, podem ajudar para que mais uma vez surjam na Igreja profetas que nos ajudem a vislumbrar os novos kairós que aparecem em todos os lugares.

Já podem ser ouvidas vozes de leigos responsáveis, aqui mesmo no Chile, que dizem que o caso de Osorno pode ser um momento propício para que a Igreja leve a sério uma profunda revisão da maneira como está usando a nomeação dos bispos. Não são poucos os que afirmam que esta é a ocasião para que se estude a possibilidade de que o povo de Deus com seus leigos intervenha de maneira eclesial e efetiva na nomeação dos bispos.

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