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11 Dezembro 2017

Milhares de moradores da Califórnia veem o Natal deste ano se aproximando entre chamas, fumaça, ventos do deserto e frenéticas corridas para acabar com o fogo.

A reportagem é de Beatriz Díez, publicada por BBC Mundo, 08-12-2017. A tradução é de André Langer.

Mais de 200 mil pessoas tiveram que desocupar suas casas e dezenas de construções foram destruídas pelos incêndios florestais que queimam no sul do Estado e que, por enquanto, não fazem mais do que se propagar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu na sexta-feira uma declaração de desastre que permitirá liberar fundos para “ajudar a aliviar as penúrias e o sofrimento que a emergência pode infligir à população local”.

Além disso, o presidente encarregou ao Departamento de Segurança Nacional e à Agência Federal de Gestão de Desastres os trabalhos de assistência.

Enquanto isso, o fogo segue deixando imagens incomuns para esta temporada do ano.

Combinação de fatores

“Eu penso que a razão pela qual estamos vivendo esta feroz temporada de incêndios, particularmente tão tarde do outono, quase no inverno, tem a ver com uma série de fatores”, disse Char Miller, professor de análise ambiental no Pomona College, Califórnia, à BBC Mundo.

“Por um lado, temos a mudança climática como uma espécie de força global que impulsiona a seca de anos que o sul da Califórnia teve; temos condições muito secas”, explica Miller.

“A isso se soma o condicionante local dos ventos de Santa Ana que acelerou a velocidade com que os incêndios estão se movendo”, acrescenta.

“Um terceiro ingrediente é a dimensão humana do problema: o fato de que existem milhões de pessoas na Califórnia que vivem em áreas que há mais de um século, e sabe-se disso, são propensas a incêndios”.

Os especialistas apontam que a urbanização das últimas décadas em zonas propensas a incêndios piora a situação.

Ele acrescenta: “É por isso que estamos vendo um número tão elevado de evacuações e as perdas de casas em áreas residenciais, coisa que não se via nos últimos 30 anos”.

Panorama futuro

Tanto os efeitos da mudança climática como a urbanização das áreas florestais não parece que vão se atenuar no futuro próximo; pelo contrário.

“Estou preocupado”, assinala Miller. “Não só por causa dos problemas de curto prazo que as pessoas enfrentam agora, mas por causa das implicações a longo prazo”.

O especialista refere-se a estudos que indicam que no final do século XXI haverá mais calor e seca, o que aumentará o risco de incêndios.

A declaração de desastre anunciada nesta sexta-feira pelo presidente Trump pode aliviar a emergência atual, mas o professor californiano argumenta que medidas mais duradouras devem ser implementadas.

“O governo Donald Trump não está aberto a falar sobre mudança climática; o máximo que eles estão dispostos a aceitar, em termos de linguagem, é a expressão ‘clima mutante, diz Miller.

“É a única coisa que dirão, mas eles não estão sozinhos. Há muitas pessoas que, de maneira imbecil na minha opinião, não querem pensar nas implicações mais relevantes”.

“Se não se pensa nas consequências das mudanças climáticas, está-se incapacitado para redigir políticas que mudem a forma como vivemos. É nisso que realmente deveríamos estar trabalhando agora”.

“Apagar os incêndios é uma medida de curto prazo, uma correção temporária, mas não é a solução a longo prazo. Temos necessidade de que os governos estaduais e locais pensem em como nos defender de um sistema climático que tornará nossas vidas muito mais difíceis”, sublinha.

E a origem do fogo?

Recentemente, descobrimos que o Departamento Federal de Investigações dos Estados Unidos (FBI) anunciou uma investigação para determinar a origem dos incêndios que devastaram Napa e Sonora, também na Califórnia, em outubro passado.

Quanto aos incêndios atuais, é cedo para saber como eles começaram.

“A fonte da ignição deve ser humana; pelo que sei, não tivemos raios”, diz Miller.

“Não há uma razão natural para que esses incêndios tenham surgido: uma vez que começam a queimar, a natureza desempenha um papel enorme, mas a minha aposta é que, em alguns casos, trata-se de incêndios provocados”.

“Se você se fixar na dinâmica desses incêndios e onde começaram... poderia ser um acidente, sim, mas me surpreenderia muito”, conclui o professor, que considera um crime abominável tocar fogo deliberadamente na floresta.

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