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03 Novembro 2017

"Você pode argumentar que é, não somos, Martin Luther King. É verdade. E também não somos nem mesmo Martin Lutero ou Jeremias, que gostariam de ter sido pessoas discretas e anônimas, enquanto foram obrigados a falar sobre a eternidade e a morte, o castigo e a redenção.

Mas se você for obrigado, hoje ou em algum dia distante, a reconhecer o germe da fé cristã em seu coração, contra sua vontade, alegre-se! Então será plenamente livre e plenamente humano."

A reflexão é de Gianni Genre, publicado por Riforma, 3-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Seduzistes-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominastes-me e obtivestes o triunfo. Sou objeto de contínua irrisão, e todos zombam de mim. Cada vez que falo é para proclamar a aproximação da violência e devastação. E dia a dia a palavra do Senhor converte-se para mim em insultos e escárnios. E, a mim mesmo, eu disse: Não mais o mencionarei e nem falarei em seu nome. Mas em meu seio havia um fogo devorador que se me encerrara nos ossos. Esgotei-me em refreá-lo, e não o consegui. (...) O Senhor, porém, está comigo, qual poderoso guerreiro. Por isso, longe de triunfar, serão esmagados meus perseguidores. Sua queda os mergulhará na confusão. Será, então, a vergonha eterna, inesquecível. Senhor, Deus dos exércitos, vós que sondais o justo, e que escrutais os rins e os corações, concedei-me o poder de contemplar a vingança que deles ides tirar! Pois em vossas mãos depositei a minha causa. Cantai ao Senhor, glorificai-o, porque salvou a vida do miserável das mãos do mau". (Jeremias 20: 7-9; 11-13)

Ser protestante ou tentar manter a identidade protestante significa antes de tudo saber que não somos livres diante de Deus. Deus não o escolhemos, nem no passado nem no presente. Declararmo-nos, às vezes, com grande temor, crentes, não nos torna melhores de quem não se declara assim.

Nenhuma liberdade, portanto, nas vias tortuosas que o Senhor nos faz percorrer? Nenhuma liberdade de "consciência" nos confrontos de Deus. A consciência, dizia Lutero, é prisioneira de Deus. Nada de virtuoso, nisso, nenhum privilégio.

Muitas vezes ouvimos ou repetimos uma palavra de Jesus, que dizia que a Palavra de Deus nos liberta; esta é uma das afirmações mais verdadeiras que jamais tenhamos ouvido ou repetido. A Palavra de Deus liberta, mas uma liberdade extraordinária que podemos experimentar na medida em que a nossa vontade ou a nossa consciência tornam-se prisioneiras daquela Palavra.

A Terra Prometida. “E por isso, eu estou feliz, esta noite. Eu não me preocupo com nada. Não tenho medo de homem algum! Meus olhos viram a glória da chegada do Senhor!”.

Era livre, porque prisioneiro de Deus e da sua palavra. Livre do medo, de todo poder e de toda ameaça que pudesse vir dos outros e de si mesmo.

Você pode argumentar que é, não somos, Martin Luther King. É verdade. E também não somos nem mesmo Martin Lutero ou Jeremias, que gostariam de ter sido pessoas discretas e anônimas, enquanto foram obrigados a falar sobre a eternidade e a morte, o castigo e a redenção.

Mas se você for obrigado, hoje ou em algum dia distante, a reconhecer o germe da fé cristã em seu coração, contra sua vontade, alegre-se! Então será plenamente livre e plenamente humano.

Eu não sei quantas questões sempre abertas me acompanham e me entristecem em muitos eventos da vida cotidiana. Muitas coisas continuo a não compreender e permanecem para mim e para a minha incredulidade escândalo e enigma. Mas uma coisa eu sei: que a escuta da Palavra de Deus é a única realidade que pode segurar e sustentar - pelo menos por agora – a mim e a você. E que nessa palavra - que nos arrebata e nos compromete - reside a única chance de liberdade das minhas dúvidas, das minhas perguntas, dos meus medos. A única liberdade de mim mesmo, em primeiro lugar, porque se eu fosse inteiramente restituído para mim mesmo, estaria perdido. Estaria simplesmente perdido.

Sei também que se - neste ponto – me for ou lhe for roubada toda possibilidade de escolha, toda autonomia de decisão, então eu serei "salvo", então você será "salvo".

Martin Luther King, em Memphis, na noite anterior ao seu assassinato concluiu dizendo: "Eu quero agradecer a Deus por permitir-me estar aqui com vocês (...) Bem, eu não sei o que acontecerá agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas isso realmente não tem importância para mim, agora, porque eu estive no topo da montanha. E eu não me importo. (...) Ele me permitiu subir a montanha. E eu olhei ao redor. E eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar lá com vocês. Mas eu quero que vocês saibam que nós, como um povo, chegaremos à Terra Prometida”.

Algumas horas antes de pronunciar seu último discurso em Memphis, onde seu assassino já estava há dias postado diante de seu hotel, participando de um culto em uma igreja local, King ouviu aquela Palavra que o havia arrebatado e depois pediu que fosse cantado o seu hino preferido, Take my hand, my precious Lord (Pegue minha mão, meu precioso Senhor). Mahalia Jackson cantou esse hino no seu funeral alguns dias depois e os milhares de pessoas que participaram tiveram a nítida impressão de que o nosso "precioso" Senhor o tinha ouvido. Ela tinha tomado sua mão e a segurava firme: na vida e na morte.

 

Que assim seja para você, irmã e irmão meu, que continues o teu itinerário de fé e de vida. Que assim seja para mim, para cada um de nós. Que assim seja!

A meditação bíblica do pastor Gianni Genre foi ao ar no domingo, 29 de outubro durante o "Culto evangélico", transmissão da Radiouno para a Federação das Igrejas Protestantes na Itália.

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