Um bispo "boat people" para a Califórnia

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09 Outubro 2017

Em 1979, de mesma forma que dezenas de milhares de seus compatriotas, ele partiu a bordo de um barco, fugindo do regime comunista que quatro anos antes havia conquistado Saigon, no epílogo da guerra do Vietnã. Hoje Papa Francisco nomeou-o bispo auxiliar da Diocese da Califórnia. É a história do padre Thanh Thai Nguyen, chamado hoje por Bergoglio para desempenhar esse ministério na Diocese de Orange.

Uma sede nada casual: com seus 70.000 fiéis oriundos do Extremo Oriente, a de Orange é a diocese com a maior comunidade católica vietnamita da diáspora. Por isso, já contava com um bispo auxiliar vietnamita, monsenhor Dominic Dinh Mai Luong, que se aposentou no ano passado, por causa de idade. Mas, enquanto Luong viveu a tragédia de seu país de longe, residindo nos Estados Unidos aonde chegou, em 1958, como jovem seminarista, o agora padre Thanh Thai Nguyen passou pessoalmente pela experiência dos "boat people".

A informação é de Giorgio Bernardelli, publicada por Vatican Insider, 07-10-2017.

Nascido em Nha Trang, em 1953, estava completando sua formação em filosofia no seminário da Congregação de São José, em Da Lat em 1975, quando os comunistas vietnamitas vieram e fecharam tudo. Aos 26 anos, portanto, só lhe restou subir em um barco, como todos os demais. Com a família passou dez meses num campo de refugiados nas Filipinas, antes de poder partir, em 1980, para os Estados Unidos. Após os primeiros anos vividos como professor de matemática em Connecticut, em 1984, decidiu ingressar no seminário, dessa vez entre os missionários de Nossa Senhora de La Salette. Ele foi ordenado sacerdote em 1991, e, em seguida, foi nomeado no clero da Diocese de Saint Augustine, na Flórida, onde desempenhou seu ministério até esse momento.

Agora, portanto, a nomeação como bispo auxiliar de Orange, justamente nesse país tão ligado à tragédia da Guerra do Vietnã. No mundo, o padre Thanh Thai Nguyen vai se colocar ao lado de outro bispo católico vietnamita que também veio da experiência dos "boat people": o franciscano Vincent Long, Bispo de Parramatta, na Austrália, outro país onde dezenas de milhares de refugiados vietnamitas encontraram abrigo naqueles anos atribulados. Long tinha sido elevado para a dignidade episcopal já em 2011 por Bento XVI, como bispo auxiliar de Melbourne; em 2016, então, Francisco nomeou-o bispo de Parramatta, onde escolheu significativamente como lema episcopal a frase do Evangelho "Faze-se ao mar alto".

Além da história pessoal do Padre Nguyen, essa nomeação é também um sinal importante para a sociedade norte-americana. Estima-se que hoje existam quase dois milhões de vietnamitas nos EUA, enquanto os asiáticos como um todo chegam a 20,4 milhões (em um país de 320 milhões de habitantes). É uma presença que se concentra principalmente na costa oeste: quase um terço vive na Califórnia. Os asiáticos são também o componente étnico que mais cresce: estatísticas demográficas falam de um aumento de 72% entre 2000 e 2015, com algumas projeções do prestigiado Pew Research Center que chegam a prever para o futuro uma ultrapassagem numérica em relação aos latinos. Inclusive porque o seu fluxo migratório é continuo: estima-se que dos cerca de 11,1 milhões de estrangeiros sem documentos - e, portanto, destinatários das medidas restritivas propostas por Trump - 13% sejam asiáticos.

Esse boom tem seus reflexos, é claro, também dentro da comunidade católica: um índice significativo é a presença cada vez maior de jovens nascidos na Ásia entre os candidatos ao sacerdócio na diocese do EUA. Por fim, deve ser lembrado que em janeiro passado Papa Francisco também realizou outra nomeação muito importante: designou como novo bispo de Salt Lake City monsenhor Oscar Azarcon Solis, de origem filipina, confiando pela primeira vez a um bispo asiático a orientação de uma Igreja local nos Estados Unidos.

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