O futuro incerto da vida paroquial

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07 Junho 2017

Uma das coisas mais impressionantes no artigo da América (de 6 de março) sobre St. Michael's, em Axtell, Kansas, é que a paróquia está fora dos padrões atuais da Igreja católica. Ter uma população estável em uma cidade pequena, com um pastor que trabalha lá há algum tempo e conhece todos pelo nome, não é comum na maioria das paróquias. Mas livros recentes sobre a vida e a liderança paroquiais nos dão uma perspectiva mais ampla.

O artigo é de T. Howland Sanks, S.J., professor emérito de teologia da Universidade de Santa Clara, Califórnia, EUA, publicado por América, 02-06-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O livro Great Catholic Parishes (Grandes Paróquias Católicas, sem edição no Brasil), do autor William E. Simon Jr., identificou, com base em entrevistas com 244 pastores de paróquias consideradas saudáveis e vibrantes, quatro qualidades essenciais que essas comunidades têm em comum: compartilhamento de liderança; promoção da maturidade espiritual e do planejamento para o discipulado; excelência aos domingos e evangelização intencional e estruturada.

Mais de 80% dos pastores entrevistados tinham alguma forma de liderança compartilhada estruturada e muitos colocavam seus líderes leigos profissionais como seus bens mais valiosos. (Hoje há cerca de 40 mil ministros eclesiais leigos em atividade nas paróquias). Um total de 90% dos pastores identificou o crescimento espiritual de seus paroquianos como a maior força de suas paróquias, e muitos deles usaram alguns programas amplamente disponíveis. (Simon lista alguns, mas surpreendentemente não fala do Renew International.) O crescimento espiritual aumenta a participação na vida paroquial e leva a um maior senso de discipulado.

Como terceira prática essencial das grandes paróquias, 76% dos pastores disseram que era fundamental ter liturgias dominicais vibrantes e acolhedoras. Mas isso exige um planejamento minucioso e um grupo de voluntários bem organizado. A hospitalidade e a atenção às necessidades das crianças também são críticas para o sucesso da missa aos domingos. O problema é que muitos católicos já não vão à missa regularmente (mais sobre isso abaixo). Finalmente, um pouco mais da metade dos pastores mencionou a evangelização como uma área que precisa de crescimento, e não como uma qualidade. Muitos sentiam que toda a paróquia precisa estar ativa para sustentar uma cultura evangelizadora, e muitos mencionaram o Papa Francisco como modelo de evangelização.

Repensando a estrutura da paróquia

William J. Byron, SJ, reforça a noção de que a liderança paroquial deve ser compartilhada em seu recente livro Parish Leadership: Principles and Practices (Liderança Paroquial: Princípios e Práticas, sem edição no Brasil), mas acrescenta que para ser efetiva a liderança deve integrar o dogma social católico na vida da paróquia. (Ele também traz um resumo breve e excelente do dogma social católico em seu segundo capítulo.) Para Byron, a liderança paroquial, especialmente o pastor, deve ser uma "liderança que serve", e não o topo da pirâmide, que é incomum e corrompido.

Um estudo muito mais abrangente das paróquias católicas é o Catholic Parishes of the 21st Century (Paróquias católicas do século XXI), realizado pela equipe do Centro de Pesquisa Aplicada do Apostolado (CARA, do inglês Center for Applied Research in the Apostolate), liderado por Charles E. Zech. Sintetizando dados de uma série de pesquisas recentes, os autores usam o Estudo de Notre Dame da Vida Paroquial Católica, de 1989, como base de comparação. Tendências que começaram naquele momento continuaram e se intensificaram, mas a palavra-chave em ambos os estudos é mudança. A seguir estão as mudanças mais significativas nos últimos 30 anos:

- A população católica dos EUA mudou-se do Nordeste e do Centro-Oeste para o Sul e o Sudoeste, deixando lugares vazios, velhos e caindo aos pedaços em centros urbanos do Nordeste (por exemplo, Buffalo fechou 97 paróquias entre 2000 e 2010) e grandes populações no sul sem igreja (Atlanta criou 10 novas paróquias durante o mesmo período). As pessoas se mudam, mas as paróquias não. Em geral, o número de paróquias nos Estados Unidos diminuiu de 19.559 em 1990 para 17.337 em 2015, enquanto a população católica aumentou proporcionalmente, permanecendo em cerca de 25% da população total dos EUA. Existe uma clara desigualdade entre o número de pessoas e de lugares.

- Embora já faltassem sacerdotes quando foi feito o estudo de Notre Dame em 1989, esse processo se intensificou desde então. Em 1990, havia mais de 34 mil sacerdotes diocesanos nos EUA; em 2014, havia 16.462 sacerdotes diocesanos ativos. Em 2014, 3.448 paróquias estavam sem padre residente. A liderança paroquial foi complementada por diáconos permanentes (havia mais de 18.000 em 2014) e um aumento incrível no número de ministros eclesiais leigos (chegando a quase 40.000 nas estimativas mais recentes).

- A frequência à missa e a participação nos sacramentos diminuíram significativamente. Mais de 100 milhões nos Estados Unidos foram batizados em 2014 e mais de 78 milhões se identificavam como católicos, mas apenas 18,7 milhões frequentavam a missa toda semana. Outros 38 milhões iam à missa cerca de uma vez por mês. Em 1965, 55% dos católicos iam à missa toda semana; diminuindo para 41% em 1985 e 24% em 2010. Os católicos mais jovens e millennials, principalmente, não costumam frequentar.

- Houve um aumento importante na diversidade cultural/étnica na Igreja estadunidense. Na década de 80, os católicos estrangeiros compunham mais de 10% da população católica dos EUA; em 2014, essa categoria aumentou para 25%, ou 16,8 milhões de pessoas. Grande parte dessa imigração vem da América Latina, mas também há católicos estrangeiros advindos de dezenas de países da Ásia e da África. Cerca de um terço das paróquias católicas atendem alguma comunidade racial, étnica, cultural e/ou linguística em particular, e algumas atendem duas ou mais. Isso contribuiu para a troca de paróquia, em que a pessoa transita de paróquia em paróquia em busca da mais adequada. De qualquer forma, a diversidade cultural representa o futuro da Igreja nos Estados Unidos.

Há uma reestruturação generalizada (fechamento, fusão, agrupamento) de paróquias nos Estados Unidos, com uma mudança concomitante quanto às expectativas de liderança.

Consequentemente, houve uma reestruturação generalizada (fechamento, fusão, agrupamento) de paróquias nos Estados Unidos, com uma mudança concomitante quanto às expectativas de liderança. Às vezes isso envolve um sacerdote atuar em várias paróquias; outras vezes significa que uma equipe de sacerdotes vão cuidar juntos de várias paróquias; e, em outros casos, este papel fica com diáconos ou leigos (que chegaram a 566 em 2004) ou aos coordenadores de vida paroquial (369 em 2015). As paróquias estão ficando maiores e mais complexas - muito distantes da paróquia rural de Axtell, no Kansas!

Quem são os sacerdotes?

Essas mudanças na vida paroquial nos últimos 30 anos representam desafios significativos para a liderança paroquial no futuro. Estamos de fato preparando homens para essas novas formas de liderança? Outro estudo recente sobre a formação do seminário no nível do teologado, realizado por Katarina Schuth e Seminary Formation: Recent History, Current Circumstances (Formação do Seminário: História Recente, Circunstâncias Atuais, sem edição no Brasil), da editora New Directions, dá uma ideia do que podemos esperar. A análise dessa riqueza de dados leva a algumas conclusões perturbadoras.

Schuth escreve que "a capacidade da Igreja dos Estados Unidos de atender às necessidades espirituais da população católica, que está crescendo e mudando, depende das qualidades e do número de homens e mulheres em preparação para o ministério". Nos últimos 20 anos, o número de ordenações por ano mal chegou a 500; enquanto isso, a população católica passou de 47 milhões para 71 milhões desde 1967. Este desajuste é um fator na reestruturação das paróquias e só tende a aumentar à medida que o clero mais velho falecer ou se aposentar.

Também houve uma crescente ênfase na identidade e no ministério sacerdotal, com os seminaristas fazendo cursos separados dos estudantes leigos (mais frequentemente nos seminários diocesanos do que nas escolas de teologia de ordens religiosas). Além disso, parece que a maioria dos bispos escolheu seminários que funcionam assim. Separar seminaristas e estudantes leigos não vai ajudar a prepará-los para a liderança colaborativa quando forem ordenados. Há uma divisão geracional entre os sacerdotes mais antigos, que seguem o modelo do "líder servo", e os mais jovens, que representam o "modelo de culto" e se veem separados de seus colegas leigos.

Em um comentário do livro, Ronald Rolheiser, O.M.I., reitor de seminário há bastante tempo, menciona que os seminaristas hoje não estão sendo preparados para serem guias espirituais, para dar uma direção espiritual individual ou orientar as pessoas em oração e discernimento. (Lembre-se de que o crescimento espiritual é a segunda característica essencial de Grandes Paróquias Católicas, como mencionado acima.). Ele também está preocupado com o fato de os seminaristas de hoje não terem contato suficiente com os pobres e terem menos interesse no ecumenismo e no diálogo inter-religioso, inclinando-se a realizar o ministério apenas do seu jeito.

Em conjunto, esses livros levantam algumas questões básicas: a eclesiologia do povo de deus do Vaticano II está sendo ocultada por uma eclesiologia mais antiga e hierárquica entre seminaristas e sacerdotes mais novos? Que modelo de Igreja está em jogo para eles?

E considerando que apenas 18 dos 78 milhões de católicos autodeclarados vão à missa, será que a paróquia territorial é a única base ou a base mais adequada para as comunidades cristãs hoje?

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