BlessU-2, o padre robô na cidade de Lutero

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02 Junho 2017

Não será como um pároco, mas ele fala cinco idiomas e é capaz de oferecer os seus serviços com uma voz masculina ou feminina, de acordo com a preferência. Basta selecionar as opções na tela, da mesma forma que se faria com uma máquina de distribuição de salgadinhos. E o padre robô levanta os braços para o céu, abre seus dedos mecânicos e das palmas irradia uma luz branca, antecipação da iluminação divina. "Deus te abençoe e proteja", ele pontua sorrindo com seu sorriso de visor, recitando ainda um versículo bíblico. É chamado de BlessU-2, o distribuidor automático de bênçãos em funcionamento em Wittenberg, a cidade de Lutero.

A reportagem é de Marina Mastroluca, publicada por l’Unità, 31-05- 2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

BlessU-2 - que, em inglês significa "também abençoo você" - está no cargo há dez dias, e agrada muito. Se o desejar, também possibilita a impressão da bênção em um recibo similar àqueles de atendimento eletrônico dos bancos. Bastam poucos instantes e você sai com a paz na alma.

Parem todos, antes de chegar a conclusões precipitadas. É uma experiência, por ocasião do 500º aniversário da Reforma protestante. Esta quer ser uma provocação para a reflexão sobre o papel da Igreja e da tecnologia. "Queremos que as pessoas considerem se é possível ser abençoado por uma máquina ou se um ser humano é necessário", explica ao Guardian Stephan Krebs da Igreja protestante, que teve a ideia do BleesU-2.

Em uma época em que as máquinas devoram empregos e espaços antes exclusivamente humanos, a questão não parece apenas retórica. Porque é claro que um robô não oferecer empatia, nem conforto, nem um bom conselho. Não abre horizontes espirituais "jamais poderia substituir os cuidados pastorais". Mesmo assim, agrada. E agrada principalmente aqueles que não costumam frequentar os bancos das igrejas – mas bem menos os fiéis mais participantes. "Nós não queremos robotizar a Igreja, mas ver se podemos inserir uma perspectiva teológica em uma máquina", falam os organizadores.

Não é uma forma de substituir a crise de vocações, mas de encontrar novas vias de acesso. Algo semelhante à experiência tentada por um templo budista, em Pequim, no ano passado: um robômonge, com a cabeça (de plástico) raspada e uma túnica cor de açafrão. Capaz de recitar mantras e explicar os fundamentos da fé, ele tinha por objetivo atrair as gerações tecnológicas, aqueles que não levantam os olhos do celular.

Não se sabe se a experiência teve sucesso e se a geração automática de mantra tenha colonizado os terrenos hostis à meditação.

Mas é surpreendente que o experimento do BlessU-2 ocorra na mesma cidade onde Martinho Lutero pregou as suas 95 teses na porta da igreja, o primeiro vislumbre da futura Reforma protestante. O sucesso do teólogo alemão, na época, valeu-se da invenção da imprensa de Gutenberg, que permitiu a rápida propagação de suas ideias: uma revolução tecnológica. Poderá ser a robótica a nova arma de evangelização da Bênção. A imprensa dos novos fiéis midiáticos?

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