México. "Poderia enviar-lhe o exército". A ameaça de Trump

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04 Fevereiro 2017

Segundo a Casa Branca, o comentário foi feito em tom de brincadeira e Peña Nieto, também entendeu assim. No México, os políticos exigem que o presidente divulgue a gravação do telefonema com Trump.

A reportagem é de Gerardo Albarrán de Alba, publicada por Página/12, 03-02-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, de enviar suas tropas ao sul da fronteira entre os dois países para assumir o comando do combate ao narcotráfico, de acordo com o vazamento do telefonema feito entre ambos os líderes, na última sexta-feira, dia 27 de janeiro. As relações entre os dois países se encontra em seu nível mais baixo desde meados do século XIX.

As versões sobre o conteúdo e o tom da conversa entre Trump e Peña Nieto foram obtidas de forma independente pela correspondente mexicana Dolia Estévez, sediada em Washington, e a repórter Vivian Salama, da agência de notícias Associated Press (AP). Ambas foram desmentidas tanto pela Casa Branca quanto por Los Pinos.

"Vocês têm muitos 'bad hombres' aí", disse Trump a Peña Nieto, de acordo com um trecho da transcrição da chamada que a AP teve acesso. "Vocês não estão fazendo o necessário para impedi-los. Creio que seu exército está assustado. O nosso não, assim que eu poderia enviá-lo para se encarregar disso", advertiu o presidente norte-americano, que também é o comandante-chefe das forças armadas de seu país.

A ameaça de Trump recorda aos mexicanos a guerra de 1846-1848, a primeira grande invasão militar dos EUA na América Latina, que chegou até a Cidade do México, e serviu-lhe para anexar metade do território deste país, para constituir o que hoje são os estados do Texas, da Califórnia, de Nevada, de Utah, do Arizona, do Novo México e parte do Colorado, Oklahoma e Wyoming. Os Estados Unidos tomaram o porto de Veracruz em 1914, em plena revolução mexicana, e entre março de 1916 e fevereiro de 1917, lançou a chamada Expedição Punitiva, uma campanha para capturar o líder revolucionário Francisco “Pancho” Villa, o único militar da história que invadiu e atacou o território continental estadunidense, em Columbus, no Novo México. Os Estados Unidos enviaram aproximadamente 12 mil homens sob o comando do general John J. Pershing, que nunca conseguiu sequer chegar perto de Villa, mas aproveitou a oportunidade para testar a transição da cavalaria para as unidades motorizadas e estrear os tanques de guerra e os bombardeios aéreos, em preparação para a participação dos EUA na Primeira Guerra Mundial. Entre os homens de Pershing estavam vários oficiais que, um quarto de século depois, tornariam-se generais essenciais para a Segunda Guerra Mundial, como George S. Patton e Ike Eisenhower, até então jovens tenentes.

A conversa telefônica entre Trump e Peña Nieto ocorre após o atrevimento do presidente norte-americano que, na prática, des-convidou seu homólogo mexicano para que se reunissem na Casa Branca, logo após o encontro do republicano com a primeira-ministra britânica conservadora, Theresa May. Peña Nieto cancelou sua viagem a Washington e os dois países disseram que o contato entre os presidentes continuaria por telefone. O primeiro contato ocorreu na sexta-feira, dia 27, mas sem serem oferecidos detalhes da conversa, muito menos acerca do tom em que transcorreu o encontro telefônico. Na quarta-feira, foram divulgados os vazamentos jornalísticos.

"Trump determinou a Peña Nieto sua cartilha" (ditou-lhe suas regras), julgou a jornalista mexicana, "e Peña Nieto nem reagiu. Foi uma situação vergonhosa, até certo ponto, segundo as versões que eu tenho", disse Estévez.

De acordo com o relatório da correspondente mexicana, Trump disse: "Não preciso dos mexicanos. Não preciso do México. Vamos construir o muro e vocês irão pagar, queiram ou não queiram, gostem ou não." Em contraste, o presidente mexicano "balbuciou, enquanto tentava explicar ao seu interlocutor que o México tem outra perspectiva que consiste em continuar a relação de maneira construtiva", narrou Estévez em um noticiário radiofônico de Sonora, no noroeste do México, na fronteira com os EUA.

Além disso, Trump ameaçou o presidente mexicano de forçá-lo a pagar o muro, impondo uma tarifa de 10% para as exportações mexicanas "e de 35 por cento para aquelas exportações que mais firam o México".

No auge da humilhação, Trump soltou que não queria ir ao México para a reunião que, ainda como candidato republicano, foi convidado pelo presidente mexicano, em agosto do ano passado. Seu genro o convenceu.

E enquanto a chancelaria mexicana qualificava os vazamentos jornalísticos de "absolutas falsidades", o próprio Trump pareceu confirmá-las. Ontem, em uma cerimônia pública, ele pediu aos americanos que não se preocupassem com a sua dureza ao telefone com os líderes de outros países. "Quando vocês escutarem algo sobre os duros telefonemas que estou fazendo, não se preocupem, simplesmente não se preocupem. Elas são duras. Precisamos ser duros. É hora de sermos um pouquinho duros, amigos", declarou.

O diário The New York Times também confirmou a ameaça militar contra o México e citou ontem a um "alto funcionário" da administração Trump, que "disse que os comentários feitos para Peña Nieto foram em tom de brincadeira e que ambos refletiam sobre a oferta de Trump para ajudar o México no combate ao narcotráfico e a controlar as suas fronteiras. O funcionário disse que a conversa entre os dois presidentes foi amistosa e que Peña Nieto não parecia ter se ofendido".

No México, políticos e senadores da oposição exigiram que o governo mexicano divulgasse a gravação de sua conversa com Trump. O presidente Peña Nieto limitou-se a declarar ontem que defenderá os interesses do México e dos mexicanos durante as negociações com os Estados Unidos.

As ameaças financeiras e comerciais de Trump contra o México para forçá-lo a pagar o seu muro não são novos e foram desqualificados por sua ignorância, disfuncionalidade e incompetência por economistas de renome, incluindo o Prêmio Nobel Paul Krugman, que na semana passada, através de tuítes, desmantelou a retórica de Trump e sua comitiva, aos quais ele descreveu sem cerimônias: "Estas são crianças mimadas brincando com armas carregadas". O problema é que a qualquer momento podem disparar um tiro.

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