O encontro de Peña Nieto com Trump. Latinos irritados

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06 Setembro 2016

No retorno da sua viagem relâmpago ao México, Donald Trump criminalizou todos os imigrantes indocumentados prometendo persegui-los até expulsá-los do país – entre eles milhões de mexicanos –, em um discurso que pôs fim à especulação sobre se o candidato a presidente pensava em moderar sua retórica anti-imigrantes na reta final da disputa eleitoral.

A reportagem é de David Brooks e publicada por Página/12, 05-09-2016. A tradução é de André Langer.

Embora suas bases mais anti-imigrantes e ultradireitistas tenham manifestado contentamento com suas declarações, isto poderia anular para Trump qualquer possibilidade de obter um mínimo de apoio entre o eleitorado latino-estadunidense, que alguns estrategistas republicanos consideram necessário para ter a possibilidade de vencer as eleições presidenciais no dia 08 de novembro.

Em seu discurso em Phoenix, na noite da quarta-feira – logo depois do seu retorno da sua visita a Los Pinos –, Trump deixou claro que considera que os imigrantes indocumentados são os responsáveis pelos piores crimes nos Estados Unidos, pois matam “inúmeros estadunidenses”, e representam a maior ameaça à segurança pública e nacional deste país.

Diante disso, prometeu não apenas construir seu muro que, insiste, será pago pelo México, mas que desde o seu primeiro dia na Casa Branca fará deportações em massa (alguns cálculos sobre suas propostas indicam que seriam, para começar, cerca de seis milhões de imigrantes), anulará todas as medidas impulsionadas pelo governo de Barack Obama para amparar vários milhões – entre eles os filhos menores de idade de imigrantes indocumentados – e multiplicará as forças de segurança pública – incluindo a polícia local – dedicadas a deter e deportar indocumentados. Mais ainda, afirmou que não haverá nada que se pareça a uma anistia.

Como em uma ressaca depois de um porre, observadores tentaram reconstruir o que exatamente aconteceu com Trump no México e em Phoenix. O consenso – entre comentaristas, líderes latinos, políticos de ambos os partidos e outros – é que por trás do seu Doctor Jekyyl e Mr. Hyde está o mesmo ator de sempre, com a mesma visão anti-migrante e xenófoba que teve desde que começou a campanha presidencial.

No que o jornal The New York Times qualificou de encontro “surrealista” entre Trump e Peña Nieto, depois que durante um ano inteiro o magnata “pintou o México como um país de estupradores, contrabandistas de droga e caloteiros”, embora tenha sido “tratado como um presidente visitante em uma entrevista coletiva”, o jornal comentou em seu editorial que Trump voltou para Phoenix com a finalidade de retomar sua mensagem anti-migrante e por um “Estado policial”.

Opinou que, embora suas propostas sejam ocas, poderia tornar a vida “miserável” aos imigrantes, e advertiu que “os tornados estão ocos no centro, mas provocam muitos danos”.

O Los Angeles Times, por sua vez, assinalou em um editorial que depois de se apresentar como estadista no México, Trump voltou para retomar sua campanha baseada “no medo e na suspeita, racismo e misoginia... e sua promessa de expulsar os 11 milhões de pessoas que vivem nos Estados Unidos sem permissão”. No seu regresso do México ontem, “fincou sua bandeira ultranacionalista ainda mais profundamente na terra”.

O discurso na sua volta do México foi tão extremista que Trump conseguiu perder o apoio dos poucos líderes latinos que se atreveram a lhe oferecer o seu apoio. Alguns, depois de escutar o discurso, anunciaram que estavam renunciando ao chamado Conselho Nacional de Assessoria Hispana da campanha de Trump e outros indicaram que estavam avaliando romper com o candidato; alguns assinalaram que se sentem “usados”.

Para Frank Sharry, da America’s Voice, entidade promotora de uma reforma migratória, a postura de Trump em favor das deportações em massa é “a posição mais extremista de qualquer candidato a presidente da era moderna”.

Dara Lind escreveu em Vox que o discurso de Trump deixou claro que “se você vive sem documentos nos Estados Unidos deveria viver com medo... (Trump) está prometendo, ameaçando, que a polícia... só está esperando uma luz verdade para chutar a porta da sua casa... entregá-lo às autoridades migratórias para que o deportem”.

John Marshall, do Talking Ponts Memo, considerou: “Esta foi pura política ensanguentada de nacionalismo branco que incendiou uma minoria significativa do eleitorado”.

Se Trump conseguiu algo com seu discurso em Phoenix foi perder qualquer esperança de ampliar seu já muito reduzido apoio entre o eleitorado latino, e alguns observadores e estrategistas, inclusive dentro do Partido Republicano, advertiram que sem uma porcentagem significativa desse voto Trump não terá condições de vencer as eleições.

Enquanto isso, prosseguiu o post mortem da visita ao México. Jorge Ramos, âncora do noticiário nacional do Univisión – e uma das figuras públicas mais influentes no mundo latino dos Estados Unidos –, comentou em um artigo de opinião publicado no Washington Post que a reunião foi entre “os dois políticos mais odiados por mexicanos de ambos os lados da fronteira... Foi um encontro dos mais impopulares”. Disse que se reuniram porque ambos “pensavam que poderiam ganhar, mas, ao final, só Trump o conseguiu”, já que não mudou suas posições e partiu “sem dar uma desculpa ao povo mexicano”. Disse que embora Trump tenha ganhado na reunião no México, “sua verdadeira prova será no dia 08 de novembro nos Estados Unidos. Ao contrário de Peña Nieto, os latinos aqui não permanecerão calados”.

León Krauze, em um artigo publicado no Washington Post, concordou: “Não há dúvida: a viagem de Donald Trump ao México foi um sucesso retumbante”, mas apenas para ele, já que lhe ofereceu uma oportunidade de estrear o “Trump diplomático” e receber o “selo presidencial” de seu anfitrião, que ficou como o perdedor da aposta.

Vários outros comentaristas nos Estados unidos referiram-se a como Trump “usou como acessório” o presidente mexicano para seus fins eleitorais nos Estados Unidos, mas ainda não entendiam o que deseja obter o seu anfitrião mexicano.

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