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10 Janeiro 2017

A decisão dos Estados Unidos e da Rússia de se fortalecerem em termos nucleares certamente terá consequências para o resto do mundo que, com poucas exceções, durante os últimos trinta anos, havia acompanhado o desarmamento.

A reportagem é de Nicolás Lantos, publicada por Página/12 , 08-01-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

A era do desarmamento acabou. Após 30 anos de esforços globais para reduzir os arsenais nucleares, em uma tentativa de reduzir as chances de um conflito que poderia praticamente acabar com a vida de todo o planeta, 2017 começa com um panorama diferente: a recente retórica do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente russo, Vladimir Putin, deixou claro que as armas de destruição em massa estão de volta à mesa de discussão entre as grandes potências mundiais, como nunca esteve desde a Cúpula de Reykjavík, entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, em 1986.

A incerteza que tomou conta do panorama geopolítico nos últimos meses viu-se refletida também na decisão da China de aumentar as suas capacidades militares não convencionais, assim como a Coreia do Norte, que continua a engrossar seu poderio bélico, e o Irã, que caso ocorra uma suspensão dos acordos entre Washington e Teerã, poderia voltar à corrida armamentista. Inclusive a Alemanha e o Japão poderiam construir uma bomba atômica dentro de poucos meses, caso se proponham a isto (e em breve poderão haver incentivos suficientes para que se proponham). De acordo com especialistas, o mundo está entrando em um cenário potencialmente mais arriscado do que os momentos mais críticos da Guerra Fria.

Os Estados Unidos "têm de fortalecer e expandir a sua capacidade nuclear até que o mundo ganhe juízo no que diz respeito às armas nucleares", tuitou Trump nos últimos dias do ano passado. Logo, em uma conversa “em off” com uma jornalista da TV, ele acrescentou: "Que haja uma corrida armamentista nuclear. Vamos superá-los em todos os aspectos e venceremos". Esta postura, inédita para um presidente norte-americano no último quarto de século, não surpreende tanto vindo da boca Trump, que já durante a campanha havia falado sobre o aumento da capacidade nuclear dos EUA.

"Se não fosse por isso, por qual motivo temos armas nucleares? Por que as construímos?", disse o então candidato republicano em uma entrevista em agosto do ano passado, questionado sobre a possibilidade de que ele venha a ordenar um ataque deste tipo. "É preciso ser imprevisível", acrescentou. Inclusive, chegou a dizer que os países que atualmente não têm essa tecnologia, como a Coréia do Sul e o Japão, deveriam desenvolvê-la para poder defender-se "por si mesmos" de outras potências nucleares da região, como a China, a Coreia do Norte e a Rússia, e não depender da proteção de Washington.

A verdade é que nos últimos anos, durante a administração de Obama, os EUA implementaram uma política de desarmamento nuclear unilateral pela qual hoje Washington conta com um arsenal menor e mais antigo do que Moscou, onde Putin passou uma década e meia renovando e reforçando a capacidade nuclear. O líder russo, em um discurso de fim de ano, disse que buscava "melhorar a capacidade das forças nucleares estratégicas, principalmente fortalecendo os sistemas de mísseis para garantir que eles possam penetrar qualquer defesa atual ou futura".

Por mais que a escalada nas relações entre as duas potências, no mês passado, provavelmente chegue a uma pacificação, pelo menos a curto prazo, após a posse de Trump, que ontem voltou a manifestar nas redes sociais que "ter uma boa relação com a Rússia é algo bom, não mau", a decisão de ambas as potências de se fortalecerem no aspecto nuclear certamente terá consequências para o resto do mundo que, com poucas exceções, durante os últimos trinta anos havia acompanhado o desarmamento estabelecido pelas grandes potências.

Atualmente, o Estado mais ativo neste sentido, e que nos últimos anos vem desenvolvendo e ampliando seu arsenal nuclear, é a Coreia do Norte, que nos primeiros dias do ano testou um sistema de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) com o qual em questão de anos será capaz de alcançar, com suas ogivas atômicas, a costa oeste dos Estados Unidos. A China, por sua vez, há anos está fortalecendo sua capacidade em termos de armas não-convencionais, assim como todo o seu aparato militar, para estar à altura do seu novo status de superpotência.

O Japão, o único país que sofreu bombardeios nucleares na história, tem a não-proliferação nuclear como um princípio constitucional, mas nos últimos anos houve forças políticas e referendos que pela primeira vez debateram este assunto em público. Caso decida armar-se, e devido à tecnologia que esse país administra em outros usos da energia atômica, demoraria apenas alguns meses, em geral, para que o Japão tivesse um arsenal considerável.

A situação na Europa é particular: logo após o Brexit, uma das potências nucleares da União Europeia abandonou o seu espaço comum. Caso a França siga os mesmos passos da Inglaterra, o triunfo de Marine Le Pen nos comícios deste ano, a UE deixaria de ter seu próprio arsenal atômico. Frente a esta perspectiva, e com a solidez da OTAN em dúvida depois da aproximação Trump - Putin, a Alemanha, outro país que voluntariamente decidiu abster-se de construir tais armas, poderia reverter essa política histórica.

A proliferação nuclear na era das telecomunicações globais traz outro problema consigo: a possibilidade de que mais países, ou inclusive grupos irregulares, adquiram acesso a esta tecnologia no mercado negro.

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