Existe algo mais assustador do que Trump com o gatilho nuclear?

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08 Março 2016

"O dano à imagem dos Estados Unidos já está feito, mesmo que Trump nunca seja eleito. Simplesmente por ser um falastrão que ganha manchetes em todo o mundo, ele reforça as caricaturas dos Estados Unidos e mancha nossa reputação global. Ele transforma os Estados Unidos em objeto de desprezo. Ele é o Ahmadinejad americano", escreve Nicholas Kristof, jornalista, em artigo publicado por The New York Times e reproduzida por Portal Uol, 08-03-2016.

Eis o artigo.

Há um pesadelo mais assustador do que um presidente Donald Trump em uma tensa crise internacional, indignado e impaciente, com seu dedo suado em um gatilho nuclear?

"Trump é um risco à nossa segurança nacional", alertou John B. Bellinger 3º, consultor jurídico do Departamento de Estado sob o presidente George W. Bush.

Grande parte da discussão em torno de Trump se concentra na política doméstica. Mas o equilíbrio entre os três poderes limita o que um presidente pode fazer domesticamente, enquanto a Constituição dá ao comandante-em-chefe uma maior liberdade no exterior.

Isso é o que horroriza os observadores dos Estados Unidos no exterior. A revista alemã "Der Spiegel" chamou Trump de o homem mais perigoso do mundo. Até mesmo o líder de um partido nacionalista sueco, que nasceu como um grupo supremacista branco neonazista, condenou Trump. J.K. Rowling, a autora dos livros de Harry Potter, refletiu a visão de muitos britânicos quando tuitou que Trump é pior que o Voldemort.

Importantes pensadores conservadores americanos em política externa apresentaram uma carta aberta poucos dias atrás, alertando que não podem apoiar Trump. Entre os signatários estavam Michael Chertoff, o ex-secretário de Segurança Interna, Robert Zoellick, o ex-vice-secretário de Estado, e mais de 100 outros.

"As próprias declarações do sr. Trump nos levam a concluir que, como presidente, ele usaria a autoridade de seu cargo de formas que deixaram a América menos segura", declarou a carta. Um ponto de partida é a notável ignorância de Trump a respeito de relações exteriores. E toda vez que ele tenta tranquilizar os eleitores, ele cava um buraco ainda mais fundo. Ao lhe pedirem no último debate que citasse pessoas cujas ideias de política externa ele respeita, Trump citou o general Jack Keane, e além de tudo pronunciou seu nome de forma errada.

Ao ser perguntado sobre a Síria, Trump disse no ano passado que usaria o Estado Islâmico para destruir o governo sírio. Isso é insano: o EI já está assassinando ou escravizando cristãos, yazidis e outras minorias religiosas; executando gays; destruindo antiguidades; oprimindo as mulheres. E Trump deseja que o EI capture Damasco?

Uma segunda grande preocupação é a de que Trump iniciaria uma guerra comercial, ou uma guerra real. Trump disse em janeiro ao "The New York Times" ser favorável a uma tarifa de 45% sobre os produtos chineses, depois negou ter dito isso. O "Times" apresentou a gravação (aquela parte da entrevista estava gravada) na qual Trump claramente apoia a tarifa de 45%, gerando o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump também pediu por mais tropas americanas em solo no Iraque e levantou a perspectiva de um bombardeio às instalações nucleares da Coreia do Norte. Um líder mal informado, impaciente e belicoso pode causar devastação, e isso vale tanto para Kim Jong Un quanto para Donald Trump.

O terceiro risco é para a reputação dos Estados Unidos e ao poder "soft". Tanto Bush quanto o presidente Barack Obama trabalharam arduamente para tranquilizar o 1,6 bilhão de muçulmanos do mundo de que os Estados Unidos não estão em guerra contra o Islã. Trump praticamente declarou guerra a todos os muçulmanos.

O dano à imagem dos Estados Unidos já está feito, mesmo que Trump nunca seja eleito. Simplesmente por ser um falastrão que ganha manchetes em todo o mundo, ele reforça as caricaturas dos Estados Unidos e mancha nossa reputação global. Ele transforma os Estados Unidos em objeto de desprezo. Ele é o Ahmadinejad americano.

Pelo Twitter, sugeri que Trump era pugnaz, pugilista, pueril, e pedi por outras palavras começadas com P que o descrevessem. O resultado foi uma enxurrada: petulante, patético, pernicioso, provocador, predador, presunçoso, prevaricador, pomposo e muitos mais, incluindo o perturbador "provavelmente presidente".

É de partir o coração a perspectiva de que o próximo comandante-em-chefe do país possa ser uma piada global, um homem considerado na maioria das capitais estrangeiras como sendo um bufão, mas do tipo perigoso.

Trump não é particularmente ideológico e é possível que, como presidente, se cerque de especialistas e recue de suas posições extremistas. Foi um bom sinal o fato de, na sexta-feira, ter parecido mudar de posição, ao prometer que não ordenaria os militares americanos a cometerem crimes de guerra, mas isso é um patamar tão baixo que nem mesmo acredito que acabei de escrever isso!

De qualquer modo, Trump é imprevisível e parece igualmente plausível que comece novas guerras. Trata-se de um risco que poucas pessoas sensíveis desejam correr. Como nota Mitt Romney: "Esse é o tipo de raiva que levou outras nações para o abismo".

Peter Feaver, um cientista político da Universidade Duke que foi funcionário de segurança nacional na Casa Branca de Bush, notou que a maioria dos republicanos está unida na crença de que Obama e Hillary Clinton prejudicaram os Estados Unidos e aumentaram os fardos para o próximo presidente.

"Mas o que Trump promete fazer agravaria seriamente, de algumas formas importantes, todos os problemas que estamos enfrentando", ele me disse. "Por que, em um momento em que o país precisa desesperadamente de nossa melhor equipe, nós enviaríamos palhaços?"

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