EUA: Soluções para a pobreza estão ausentes como tema de campanha presidencial

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01 Setembro 2016

Os EUA possuem 46,7 milhões de pessoas vivendo na pobreza, porém tem havido pouco debate nos discursos de campanha presidencial a respeito das necessidades dos pobres.

Sem dúvida, a pobreza é um tema difícil de se abordar onde os votos da classe média importam para o sucesso nas urnas em 8 de novembro, dia das eleições.

A reportagem é de Dennis Sadowski, publicada por Catholic News Service, 30-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Dificuldades econômicas, no entanto, têm alimentado grande parte das angústias dos eleitores, e a democrata Hillary Clinton bem como o republicano Donald Trump estão tentando não tocar nesse assunto ao representar suas políticas econômicas como adequadas para os problemas que o país enfrenta e que levarão a números massivos de empregos com bons salários.

“A pobreza é um tema de campanha, apenas não estão falando sobre ela”, disse Dom Thomas Wenski, da Arquidiocese de Miami, presidente do Comitê para Justiça e Desenvolvimento Humano, da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.

“Ela, a pobreza, certamente está orientando um monte de coisa nestas eleições. Ela com certeza tem a ver com a raiva que paira no ar. Mas nós não vemos, em nem um dos lados, nenhuma proposta política substantiva”, declarou o religioso ao Catholic News Service.

Wenski e outros analistas duvidam que a pobreza irá se transformar de repente numa preocupação eleitoral nas próximas semanas.

“É difícil envolver-se num debate sobre a pobreza ou sobre qualquer outra coisa nesta campanha particularmente muito estranha”, disse. “Esta corrida presidencial é atípica em muitos aspectos, e algumas dessas questões não estão sendo trazidas por elas parecerem um exercício de futilidade”.

Dessa forma, embora a pobreza não se faça presente nos discursos dos candidatos, parece que algumas das propostas de governo estão direcionadas no sentido de melhorar as oportunidades econômicas para as classes trabalhadoras e, talvez, ajudar os pobres também.

As propostas de Donald Trump visam reduzir o imposto de renda e tornar mais fácil para as empresas demitirem, investirem em infraestrutura e impulsionar a produção. Trump tem se queixado de que as empresas operam sob a tutela de demasiadas regras restritivas e prometeu que o seu governo irá fazer uma revisão sistemática de tais regras e eliminar quaisquer impedimentos à atividade empresarial.

O plano do candidato republicano é fraco no tocante aos indivíduos quando se trata de políticas sociais, educação e apoio às famílias de baixa renda, em especial os que vivem na extrema pobreza.

Hillary Clinton, por sua vez, tem enfatizado que, se eleita, implementará um plano de criação de empregos centrado nas melhorias infraestruturais necessárias em todo o país. A candidata comprometeu-se a abordar as causas subjacentes da pobreza, impulsionar a educação infantil e garantir uma rede protetiva forte, em particular para as pessoas estagnadas na pobreza intergeracional.

A candidata democrata igualmente disse ser importante continuar melhorando o Programa de Seguro Saúde Infantil e o famoso “Affordable Care Act”, legislações que buscam manter as pessoas no caminho para ascender à classe média.

“Entretanto, a pobreza tem sido um tópico bastante evitado nestas eleições. É uma bobagem ignorar a pobreza”, disse Kathryn Edin, professora de sociologia da Johns Hopkins University e coautora de “$2 a Day: Living on Almost Nothing in America”. Segundo ela, o que as pessoas “não estão fazendo mas que deveriam fazer é associar o que está acontecendo em nossas cidades com as disparidades inacreditáveis que estarmos percebendo em todo o país.

“Por que a cidade de Baltimore entrou em crise? O que está acontecendo em Milwaukee, e em Ferguson? Não é uma frustração com a polícia, embora isso seja importante. Tem a ver com uma raiva e uma insatisfação com a falta de oportunidades, tem a ver com viver na pobreza”.

Christina Greer, professora de ciência política da Fordham University, instituição jesuíta, sugeriu que a pobreza tem sido evitada nesta campanha porque os pobres não votam nos mesmos números que as outras classes econômicas.

“Os pobres tendem a não votar por causa destes fatores institucionais, daí então eles se retiram”, explica.

Segundo Greer, isso significa que os candidatos preferem corretamente virarem suas atenções para onde podem influenciar os que votam: a classe média.

“Tentar galvanizar os pobres em pouco mais de dois meses e não ter a garantia de um retorno sobre o investimento é algo que a maioria dos políticos não querem fazer”, disse ela.

Em vez de gastar dinheiro tentando envolver os candidatos à presidência, a organização Catholic Charities USA vem centrando seus esforços no Congresso, em uma iniciativa de longo prazo que visa conseguir apoio para leis que financiem programas destinados a aliviar o fardo da pobreza no país.

A irmã dominicana Donna Markham, da Catholic Charities USA, falou que esta entidade caritativa avalia ser melhor defender políticas para os pobres por meio de membros específicos no Congresso.

“Nós vamos conversar com cada um dos que forem eleitos, representantes de ambos os lados, sempre visando promover um alívio, uma redução da pobreza”, disse ela ao Catholic News Service.

A religiosa acrescentou que o ato de mostrar aos membros da Câmara e do Senado como funcionam alguns programas em comunidades locais tem um grande efeito nas políticas sociais do país.

“Fizemos mais de 200 visitas a congressistas no ano passado, sempre lidando com a questão de como suas propostas irão afetar os pobres, em especial os mais vulneráveis”, declarou Markham.

Embora os candidatos à presidência possam dar um tom moral ao combate à pobreza, Edin sugere ser necessária uma mudança mais fundamental para se pensar a questão dos pobres no país.

“O motivo por que acho que a pobreza não está em voga é porque eu acho que os candidatos não querem acolher grupos cujos eleitores os veem como ‘eles’”, disse a professora.

“Então qual a solução? Inúmeros programas sociais são organizados para determinados grupos de pessoas, estigmatizando-as. Criamos programas sociais que são estranhos às normas e aos valores americanos”, explicou.

Segundo Edin, o país se beneficiaria ao “trazer estas pessoas para junto de nós” e ao defender a dignidade humana.

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