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26 Agosto 2016

Aos membros de sua ordem religiosa jesuíta na Polônia, o Papa Francisco pediu que ajudem os jovens sacerdotes a reconhecerem que as decisões que os católicos tomam na vida cotidiana raramente são inequívocas em termos éticos, e que, pelo contrário, elas muitas vezes se dão em um espectro que vai entre o bem e o mal.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 25-0-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em uma conversa com os jesuítas na Polônia durante sua ida ao país no mês passado, o pontífice pediu aos seus confrades que trabalhem especialmente com os seminaristas no intuito de ajudá-los a aprender a “sabedoria do discernimento”.

“A Igreja hoje precisa crescer na capacidade do discernimento espiritual”, disse o papa na reunião de 30 de julho com cerca de 30 jesuítas, segundo uma transcrição do diálogo divulgada pela primeira vez nesta quinta-feira, 25-08-2016, pela revista italiana jesuíta Civiltà Cattolica.

Papa referiu que alguns planos de formação sacerdotal têm o risco de apresentar “ideais demasiado claras e distintas”, com limites e critérios “definidos a priori, rigidamente”, sem olhar para as situações “concreta

“Alguns planos de formação sacerdotal correm o risco de apresentar ideias demasiado claras e distintas”, com limites e critérios “que são definidos a priori, rigidamente (...) e que põem de lado as situações concretas”, disse Francisco.

“Os seminaristas, quando se tornam padres, veem-se em dificuldade para o acompanhamento da vida dos jovens e adultos”, continuou.

“É preciso formar os futuros sacerdotes não para ideias gerais e abstratas que são claras e distintas, mas para este discernimento do espírito, para que possam realmente ajudar as pessoas na sua vida concreta”, declarou o pontífice.

“É preciso verdadeiramente perceber isto: na vida nem tudo é preto ou branco. Não, na vida prevalecem os tons de cinza”, refletiu o papa. “Na vida, prevalecem os aspectos cinzentos. Por isso, é preciso compreender estes aspectos onde as coisas não são claras”.

O papa se reuniu com os jesuítas poloneses em privado, como geralmente tem feito nas visitas aos membros de sua ordem religiosa quando se encontra no exterior. O Vaticano não divulgou uma transcrição da reunião, mas a Civiltà Cattolica diz que está agora publicando o diálogo com o consentimento de Francisco.

Como um adendo à reunião, o pontífice falou sobre ensinar aos seminaristas a necessidade de reconhecer tons de cinza nas situações diárias da vida. Ele falou do discernimento no contexto dos Exercícios Espirituais ensinados por Inácio de Loyola, santo do século XVI e um dos fundadores da Companhia de Jesus.

Ao mencionar o padre jesuíta Hugo Rahner, irmão do famoso teólogo e padre jesuíta Karl Rahner, Francisco disse que Hugo costumava afirmar que um jesuíta “deve ser um homem com o nariz para o sobrenatural, quer dizer, ele deve ser um homem dotado de um sentido do divino e do diabólico relativos aos eventos da vida humana e da história”.

“O jesuíta deve, portanto, ser capaz de discernir ambos no campo de Deus e no campo do diabo”, disse o papa. “É por isso que, nos Exercícios, Santo Inácio pede para ser introduzido tanto às intenções do Senhor da vida como às intenções do inimigo da natureza humana e às suas mentiras”.

“Isto o que ele escreveu é ousado, é verdadeiramente ousado, mas discernir é exatamente isso!”, disse o Papa Francisco.

Perguntaram também ao papa sobre as necessidades dos jovens de hoje e como a Igreja pode trabalhar de modo mais eficaz com eles.

Ao responder, o papa falou sobre um almoço que teve em 30 de julho com os jovens na Polônia, na Jornada Mundial da Juventude. Os jovens, disse ele, “não têm meias palavras. Eles fazem perguntas diretas. E sempre temos de responder a um jovem com a verdade”.

Francisco disse que um jovem lhe contou que não vai ao confessionário porque “em meu país houve escândalos ligados a padres e nós não temos a coragem de ir se confessar com estes padres que passaram por estes escândalos”.

“Os jovens falam diretamente”, declarou o papa. “Se respondemos com uma teoria, eles permanecem decepcionados”.

Igualmente perguntaram ao papa sobre o papel das universidades jesuítas na atualidade. A universidade, disse ele, “deve estar envolvida com a vida real da Igreja e do país”.

“Deve ser sempre dada uma atenção particular aos marginalizados, à defesa dos que têm mais necessidade de ser protegidos”, continuou o papa.

“Isto, que fique claro, não é ser comunista”, falou. “É simplesmente estar verdadeiramente envolvidos com a realidade. Nesse caso em especial, uma universidade jesuíta deve estar plenamente envolvida com a realidade, expressando o pensamento social da Igreja”.

“O pensamento liberal, que retira o homem do centro e ali coloca o dinheiro, não é o nosso”, disse. “A doutrina da Igreja é clara e é preciso avançar neste sentido”.

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